"É estranho. Mas é do nosso jeito" - 22º capítulo

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P.O.V.'s Lua Blanco

   Fomos para o quarto de Arthur. Ele foi tomar banho, enquanto eu fiquei encarando todos os seus quartos. Reparei que, atrás da sua porta, havia um skate. Me lembrei que o Caio era louco por skate, não sei se ainda o é, já que está maluco com a sua nova moto.
   O Arthur desenhava muito bem. ele também pintava, mas eu preferia, sinceramente, os seus quadros desenhados a lápis. Havia de várias coisas: paisagens, objetos, pessoas e… eu?

- Arthur, você me desenhou? – perguntei, segurando uma folha que estava sobre o seu armário, junto com uns documentos dele.
- Ei, quem mandou mexer nisso? – perguntou ele sério, de toalha sobre a cintura, tirando o desenho da minha mão
- Não sabia que não podia mexer…
- Ainda não está concluído. – ele guardou, com muito cuidado, numa mica.
- Eu posso vir no seu quarto mais vezes? Adoro isso aqui. – sentei na sua cama e olhei para todos os seus desenhos – Aquele ali é a piscina? A nossa piscina? Do colégio?
- Reconheceu? – ele riu – Desenhei uma noite dessas.
- Meu deus… você tem futuro!
- Que nada! – ele riu fraco
- Claro que tem! – sentei na cama – Porque não tenta?
- Quem sabe um dia… - disse ele do banheiro privado do seu quarto. Logo depois, saiu já com uma bermuda vestida, enquanto bagunçava os seus cabelos para o lado
- Vem cá! – pedi, esticando os braços. Ele sentou ao meu lado, na cama, e de seguida eu dei a ele um beijo. Um beijo qualquer não, mas um beijo com amor. Aquele safado logo me puxou para o seu colo, onde eu coloquei as pernas apenas, segurando a sua nuca – Isso foi pelas suas notas! – disse, e logo respirei bem fundo, recuperando o meu fôlego
- Nossa. Eu devia tirar mais notas boas todos os dias – ele riu e me abraçou – Ficou feliz?
- Muito! E muito orgulhosa de você. E o seu pai, o que disse?
- Ficou normal. Disse que estudar era o meu trabalho e que para o ano eu deveria me aplicar mais.
- Normal de pai. Acho eu.
- E o seu? Como está?
- Nunca mais falei com ele.
- E aquele rascunho que eu fiz?
- Que rascunho?
- Aquele que te dei ontem
- Aquele desenho?
- Não, aquilo era um rascunho
- Não, aquilo era um desenho!
- Rascunho!
- Desenho! – bati o pé – Aquilo estava perfeito.
- Claro que não – ele riu – Mas você gostou?
- Eu adorei. – sorri, encantada – Entendi logo a sua necessidade de ficar comigo assim, por isso é que eu vim.
- Fez muito bem. eu estava com saudades dessa Lua.
- Dessa Lua? Mas não tem outra Lua
- Claro que tem. Tem aquela menina meia rebelde, orgulhosa e chata. Que me tratou muito mal, ontem
- Desculpa! – o abracei – Foi sem querer.

   Deitamos na cama dele, ficando um a fazer carinho no outro. Quase adormecendo.

   Naquela mesma tarde, a galera combinou de se encontrar. Iríamos sair à noite, coisa que me estranhou muito. Ficou combinado esperarmos num barzinho qualquer às 22horas. Quando cheguei, Bela me olhou séria e quem sabe triste.

- Oi vadia!
- Oi vadia… aconteceu uma coisa.
- Que coisa?
- A Diana…
- O que tem essa desaparecida?
- Ela me mandou um e-mail… ela foi embora. Para sempre.
- O quê? Embora?
- É… diz que está apaixonada e que vai viver com o amor da vida dela. olha, eu não entendi realmente nada. Acho que algo está acontecendo…
- Ela não me disse nada… alias, eu não falo com ela à muito tempo. Desde que aconteceu aquilo com os meus pais que eu me desliguei muito.
- Verdade. Agora você só quer Arthur, Arthur e Arthur. Amigas que é bom, nada! – ela jogou na minha cara – Fiquei sabendo que o Daniel descobriu tudo! Até que enfim, né? Estava mais do que na altura – rimos as duas
- Verdade… mas hoje a gente vai assumir para o resto do pessoal que não sabe.

   A galera foi chegando aos poucos e fomos entrando no bar. Pedimos umas bebidas, algumas sanduíches e ficamos conversando de boa, até Daniel se armar em esperto.

- E hoje – Daniel anunciou, subindo em uma cadeira – Essa noite será para festejar as boas notas de recuperação que eu e o Arthur tivemos. Uma salva de palmas! – e todos aplaudimos – obrigado, obrigado – disse Daniel, fazendo vénia
- Obrigado gente – disse Arthur – Queria agradecer a todos vocês, por terem me ajudado com aqueles dias de explicações chatas. E em especial… - ele se levantou e pegou a minha mão para eu me levantar também – À minha namorada, que acreditou sempre em mim e me ajudou muito nesses dias! – e nisso, o louco me beija em frente de todo o mundo.
- O QUÊ? – alguns perguntaram

   Para além de estar os nossos amigos, estavam também outras pessoas do colégio, que nos reconheceram e ficaram admirados com o nosso namoro, que por tanto tempo era escondido. Finalmente havíamos assumido para todo o mundo!
   E para festejar, bebemos uns shots, mandamos vir umas comidinhas rápidas e num instante bateu a meia-noite. Aquela noite tinha passado voando e, neste novo ano, foi a primeira vez que me diverti tanto.

- Eu te levo em casa. – disse Daniel a Bela – Lua, vem também?
- Não, eu levo ela. – disse Arthur, respondendo por mim
- Parabéns casal. Estou muito feliz por vocês. – disse Anita, sorrindo
- Gente, eu não estou feliz. Eu estou MEGA feliz e muito espantada. Quem diria né? Lua Blanco e Arthur Aguiar. – Jhulie riu
- Estou que nem a Jhulie – disse Cassandra
- Vocês fazem um casal lindo! – disse Rute
- Obrigada gente – eu ri e Arthur me abraçou por trás
- Vamos nessa então? – perguntou Samuel – Eu vou chamar uns táxis.

   Enquanto a galera foi de táxi depois de nos despedirmos, Arthur chamou o seu motorista para nos levar até à minha casa. Fomos o caminho todo abraçados no carro. Na verdade, eu estava quase deitada sobre o colo dele, enquanto ele mexia de leve em meus cabelos. Eu adorava quando ele vazia isso.

- Chegaram. – disse o motorista
- Eu te levo até à porta. Espere um pouco, tudo bem?
- Claro. – o motorista respondeu

   Fomos de mãos dadas até à entrada da minha casa. Eu peguei a chave da minha bolsa e abri as portas. Estava tudo apagado já. Também, pelas horas que eram, todo o mundo já deveria estar dormindo.

- Adorei essa noite – confessei
- Eu também. Finalmente contamos para todos sobre o nosso namoro. Acho que ninguém se esperava. Nem sei porquê.
- Ninguém esperava que eu me apaixonasse por você, nem você por mim
- Se apaixonou é? – ele me encarou com um sorrisão nos lábios
- Arthur… - disse mais baixo, desviando o olhar do seu.
- Ei, eu amei isso. Eu amo cada bocadinho de você. Eu amo o facto de você não conseguir dizer a palavra amar tão bem como outras pessoas, mas eu vou esperar você dizer que me ama quando se sentir pronta. Porque eu sei que, quando você disser que me ama, é porque me ama mesmo, de verdade.

   Podia até chorar com as palavras dele, mas nem deu tempo. Arthur me segurou bem forte, pronto a me beijar. Aqueles beijos mexiam tanto comigo. Eu senti um calor dentro de mim, umas borboletas na minha barriga, uma sensação estranha mas agradável. A minha vontade era de ficar assim, para sempre com ele.

- Quer entrar? – perguntei, me afastando do seu beijo maravilhoso e respirando fundo
- Melhor não… o meu segurança está ali à minha espera. E também está tarde.

- Então tá… até amanhã. – o beijei mais uma vez e ele esperou eu entrar dentro de casa, para só depois ir para o carro

Está legal? Amanhã posto mais!

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