15 dias para confessar - Desejos

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Povs Narrador

     O dia começou com um certo nervosismo por parte de Lua e Arthur. Em especial a advogada que teria de usar os argumentos verdadeiros e palavras infalíveis para conseguir concluir o seu objetivo: fazer com que os inspectores que prenderam Arthur fossem punidos. 

- Não quero que fiques nervosa com estas coisas. Eu já nem quero saber muito disso. Caso não der certo, tudo bem, nós...
- Arthur Aguiar! - Lua o repreendeu. - Conheces-me muito bem e sabes que eu não gosto de perder em tribunal. Eu tive excelentes professores que me ensinaram a não perder nada. - Lua suspirou. - Nem um mísero feijão. A partir do momento em que falhas um caso importante em tribunal, és começado a ser chamado de fraco e as pessoas começam a pensar que são capazes de fazer qualquer coisa contra ti e que vão sempre vencer. E eu tenho de provar que sou boa.
- Mas eu sei que és boa. - Arthur surpreendeu-lhe quando lhe encostou contra a porta do carro, apesar de estarem à porta do tribunal, encostando o seu corpo ao dela e roubando-lhe um simples mas demorado beijo. - E és minha. - Ele deu-lhe outro beijo pequeno. - Só não quero que fiques com os nervos à flor da pele. Isso não te faz bem. - Ele agora desceu a mão do ombro dela para a barriga. - Isso não vos faz bem. - Corrigiu. 
- Deixa-me tentar. - Pediu Lua.
- É claro que te deixo tentar. - Ele soltou uma gargalhada. - Adoro mulheres que vão à luta. E caso não deixasse, não estarias aqui. Só tem cuidado.
- Eu tenho cuidado. Não te preocupes. 

     Os dois deram as mãos, subiram as passadas de encontro à porta principal do tribunal e mostraram a identificação antes de entrar. Ao passar nos corredores, passou qualquer coisa sobre os pensamentos de Lua.

- Já pensaste que quando ele nascer, vai ficar meio indeciso. Tipo, se deve ser como a mãe ou então como o pai.
- Mas e se ele não quiser?
- Bom, eu só estava a pensar... é que as nossas profissões são tão diferentes.
- E se ele quiser ser jogador de futebol? - Arthur encarou-a por segundos.
- Mas quem é que te disse que é um menino?
- Tenho um sexto sentido que mo diz... - Arthur riu baixinho.
- Sexto sentido é coisa de mulheres. Mas tudo bem. - Lua deu de ombros. 

     Entraram finalmente na grande sala onde iam proceder ao desenlace de tudo. De um lado, os inspectores responsáveis pela prisão de Arthur. À frente dos mesmos, os seus míseros advogados. Do outro lado, Lua, ficando atrás de si Arthur Aguiar. A meio, e bem diante de todos, o juíz. Este último deu início ao desfecho de todo este processo. Apresentou o que lhe foi exposto e ouviu as palavras de cada vítima. Os inspectores justificaram a prisão do Arthur com o facto de estarem em trabalho. Porém, Arthur respondeu que eles foram para além do trabalho quando lhe agrediram tanto fisicamente quanto verbalmente. Lua foi testemunha disso. 

     Para terminar, o juíz anunciou que todos saiam ilesos do processo. Porém, um dos inspectores, o mais velho que foi apontado como sendo o mais violento, acabou por apanhar suspensão do seu cargo por dois meses, ficando ainda sem receber qualquer montante durante esse tempo. 

(...)

     Para comemorar o caso, Arthur e Lua foram almoçar. Curiosamente, Lua encontrou Anna pelo caminho. Ela também ia almoçar, pois estava em serviço ainda, e Kim convidou-a a ir consigo e com Arthur para todos saborearem algo que Lua tinha como desejo: pizza de camarão com ananás. 

- Este é o teu primeiro desejo? - Perguntou Anna.
- Sim. - Respondeu Lua entusiasmada esfregando as mãos. 
- Senhor doutor, estes desejos de grávida são psicológicos ou são mesmo verdade?
- São verdade. - Arthur gargalhou. - É normal ela já os sentir. Começam a partir das oito semanas e pouco. Servem para estabilizar alterações hormonais. 
- Vais ser daqueles pais capazes de sair durante a madrugada prontos para comprar qualquer cena maluca que ela pedir?
- Bom, se for preciso... - Arthur olhou para Lua e fez um biquinho com os lábios para que ela tivesse pena dele. Lua apenas gargalhou. 

     Entraram numa pizzaria no centro da cidade e fizeram os pedidos. 
     Entretanto, Arthur recebe uma chamada.

- Então, aconteceu alguma coisa? - Perguntou Arthur ao telemóvel. - Ah, não te contamos? Fomos ao tribunal. Um dos inspectores ficou suspenso durante dois meses. Pois é, por isso viemos comemorar. Queres vir cá ter? Sim, qual é a pizza que queres? All right! Saí uma pizza vegetariana. - Arthur gargalhou. - Até já. - Arthur desligou a chamada. - Espero que não se importem, mas o Louis vem cá ter.
- Claro. - Lua sorriu. 

     Arthur foi fazer o pedido do Louis para que chegasse ao mesmo tempo que os pedidos anteriores. Passados vinte e poucos minutos, Louis chegou acompanhado de um sorriso contagiante. 

- Então! - O Arthur e Louis cumprimentaram-se. - Esta é a Anna, uma amiga da L...
- Louis?
- Anna? - O nome dos dois foi pronunciado ao mesmo tempo. 
- Vocês conhecem-se? - Perguntou Lua espantada.
- Sim... quero dizer, andamos juntos na escola. Até ao décimo segundo, certo? - Perguntou Louis.
- Sim... depois tu foste embora e eu fiquei a estudar Direito.
- A sério? Sempre seguiste direito?
- Sim... trabalho agora com a Lua. Somos advogadas. - Anna sorriu. 

     Louis puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Anna. Lua olhou para Arthur um tanto surpreendida e ele estava tal e qual. Não faziam a mínima que os dois se conheciam. 

     Passaram mais uns minutinhos e os pedidos chegaram. 

- Ah, é verdade Arthur. - Começou Louis. - O hospital sofreu um pequeno assalto esta manhã. Roubaram, sabe-se lá porquê, os resultados de análises feitas a alguma tempo. A Cecília disse que as análises da Lua foram levadas entre tantas outras.
- Oh meu deus! As análises! - Lua meteu as mãos à cabeça. - Nunca mais me tinha lembrado delas.
- A sério? - Arthur estranhou. - Que esquisito. Mas não te preocupes amor, eu faço-te outras. 
- Ai, ele faz-te outras. - Anna deu com o braço em Lua fazendo-a gargalhar.

(...)

     Ainda no mesmo dia, Arthur foi ao funeral de Britney que se realizou por volta das três horas da tarde. A capela mostrava um crescente número de entes queridos a Britney bem como outros conhecidos à mesma. Haviam amigos, família, uma quantidade de ex-namorados e outros tantos que Arthur não conhecia. 
     Mesmo assim, Arthur entrou na pequena capela e aproximou-se do caixão em que Britney estava. Observou-a ali deitada, pálida, quieta... tão o oposto do que a sua personalidade a demonstrava ser. Parecia mentira. 

     Antes de sair, ele ainda teve tempo de cumprimentar os pais de Britney. Pouco ou nada Arthur podia fazer. O mal estava feito. Ela agora havia partido. Para sempre.

(...)

Notas finais:

Hoje posso postar mais :)

5 comentários:

  1. Tomara que seja uma menina :)

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  2. Tou passada essa analise tem algo haver com o crime? Lua vai ser a procxia vitma? ai meu Deus me ajuda jjkkkkk curiosaaaaaaaaaaaaaa

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