Milagres do Amor - Cap. 76º

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Milagres do Amor
Certezas | Parte 1

Pov Narrador

Bufando, mexendo nos cabelos e batucando ou socando o volante. Arthur não parava quieto um segundo sequer. Estava na frente do orfanato, pegara o endereço no jornal que insistia em falar dele em toda edição. Parecia até um carma, além dele agora enxergar a tristeza muito bem disfarçada de sua mulher, ainda tinha o maldito jornal para lembrá-lo de algo que não fez.

Mas sinceramente, ele não achava que estava sendo egoísta… Talvez um pouco, mas não queria fazer as coisas pelo que os outros queriam, mesmo que uma dessas pessoas fosse a pessoa mais importante de sua vida.

Ele tinha suas próprias opiniões, muito bem definidas e inabaláveis, diga-se de passagem. Bem, era isso que ele pensava, mas a verdade era que não eram tão inabaláveis assim, caso contrário ele não estaria na dúvida de fazer uma burrada ou talvez… uma coisa boa para sua vida.

Deitou a cabeça no volante, tentando arrumar seus pensamentos fervilhantes. Adoção é uma coisa muito complicada e séria para ser feita do nada, teria que vir das duas partes, caso contrário não daria certo e quem sofreria mais seria a própria criança.

Que ele constatou com pesar, não se importar se ela sofresse. Ele seria pai, mas não estava preparado pra isso, foi pego de surpresa e amou a notícia. Mas não sabia como falar com uma criança, é um grosso e sem paciência para ouvir os resmungos delas.

Ele pensava em crianças como alienígenas, não que fosse verde, mas soltavam uma gosma nojenta e fedorenta pela boca ou outro lugar… Só sabiam chorar e encher o saco. Melequentos, barulhentos e chatos é sua definição.

Apertou os dentes com força. Contudo, como poderia saber as coisas boas sem tê-las? Nunca conviveu com uma e não fazia a mínima falta, até agora.

Passou as mãos nervosamente pelos cabelos.

E se sentisse que um intruso estava em sua casa caso resolvesse adotá-lo? Se não gostasse do menino? Se não suportasse sua voz calma e chata? Se não conseguisse conversar com ele? E se…

– Ah porra.

Suspirou. Tantos “e se” rondavam sua cabeça, estava se sentindo como a merda de um homem indeciso e idiota. Ele definitivamente não era assim, chegou até o orfanato para adotá-lo por Lua, mas não faria isso. Daria uma chance sim, mas para conhecer o garoto e se caso não desse certo, não iria seguir adiante com seu plano.

Faria algo melhor, que na certa iria acabar com seus problemas, arrumaria uma família boa e estruturada para o garoto. Para arrancá-lo de vez de sua vida, levaria Lua para uma viagem ou seu lá o que, para distraí-la. Talvez com o passar do tempo ela esqueça, o que achava muito difícil, ainda mais com a chegada de Nick, mas tinha fé que tudo iria melhorar. Porém, sabia que se Lua descobrisse, ela ficaria furiosa e magoada. De maneira nenhuma queria fazer uma merda dessas, até pensou em fazer isso de uma vez, mas a voz da sua consciência que definitivamente gritava para ele, não deixou.

Ele contrariado resolveu segui-la, talvez uma boa ideia ou talvez não.

Buscando mais coisas que o impedisse, ele tirou a cabeça do volante e olhou para a casa velha do seu lado. Sim ou não, rolavam ininterruptamente como bola de basquete em sua cabeça. Pelo sim ou pelo não, ele ficaria com o talvez, meio a meio, dependendo do que encontrar lá dentro sua decisão penderia para um lado.

Saiu do carro com sua postura inabalável e decidida. Acionou o alarme do carro e com passos largos chegou até a porta e bateu. Nem dez segundos depois, Madre Sara abriu a porta sorridente, o sorriso morreu aos poucos dando lugar para os olhos arregalados.

– Bom dia. – cumprimentou, após alguns minutos de silêncio completo.
– Bom dia, senhor Aguiar. – pigarreou. – É um prazer recebê-lo aqui. Sou Madre Sara. – estendeu sua mão e apertou a dele.
– Eu só queria ver o garoto, minha esposa vem aqui quase todos os dias, então a senhora deve saber de quem estou falando.
– Oh sim, claro… Entre. – deu passagem, ainda com uma cara muito surpresa. – Brandon já acordou e tomou seu café, está brincando com alguns colegas. No final do corredor a direita, o deixarei sozinho. Com licença.
– Espere, minha esposa não deverá saber sobre minha visita, ok? – lhe informou, sem chance para a mulher retrucar.
– Como o senhor quiser.

Arthur seguiu pelo caminho indicado, olhou para o imenso jardim. Bastantes crianças se espalhavam correndo, brincando ou rindo pelo pátio. Seus olhos rodaram achando a fonte de seus problemas sentado em um banco, solitário.

Bom, não mais, uma garota se aproximou e aparentemente o chamou para fazer algo, mas ele abaixou os olhos e negou, a menina deu de ombros e se afastou. Arthur deu alguns passos em direção a ele, quando sentiu algo se chocar contra suas pernas. Olhou para baixo e viu uma menina de pele morena e cabelos muito cacheados o olhar assustada. Ela era bonitinha com seus traços indígenas.

– Desculpe senhor, eu estava brincando, não o vi. – se desculpou com sua voz alta.
– Tudo bem. – ele deu de ombros e caminhou novamente, mas parou. Deveria ajudá-la a se levantar? Passou as mãos pelos cabelos e rolou os olhos, continuou andando. Olhou para trás e percebeu que a pestinha já tinha se levantando e continuava correndo e caindo por ai.

Voltou sua atenção a Brandon, ele não estava mais sozinho. Três garotos mais altos e aparentemente mais velhos, gesticulavam para ele. Arthur franziu o cenho, não pareciam amigos. O que foi comprovado quando um deles cutucou seu ombro e o outro bateu em sua cabeça, saindo andando tranquilamente em seguida. Brandon abaixou a cabeça e olhou em sua direção o reconhecendo imediatamente, para logo em seguida se endireitar e arregalar os olhos.

Arthur continuou andando e bufou, essa reação já estava o irritando. Quando chegou perto do banco se sentou e olhou para frente. Um silêncio desconfortável se fez presente, Brandon com medo e Arthur… Bom, ele não sabia o que falar, então a solução foi permanecer calado.

– Hum… A Lua está bem? – Brandon se encarregou de quebrar o silêncio e quebrar as barreiras colocadas por Arthur em sua mente e… coração.

Perguntar justamente por Lua o fez perceber que o menino se preocupava realmente, não era um jogo, crianças não sabiam jogar, não tão pequenos assim. Fechou os olhos e suspirou, ele a amava como uma mãe.

Olhou para o menino, que desfez a cara de medo que estava antes. Se transformando em um sorriso surpreso em seus lábios pequeninos, alguma coisa que ele viu no olhar de Arthur o fez sorrir abertamente.

A mesma pessoa, mas com um brilho de esperança e… carinho direcionados a ele. Arthur logo percebeu e fez uma careta, fazendo o menino rir timidamente.

– Do que está rindo? – perguntou bravo.
– Bem, você muda de careta rápido, e… Ei, isso é legal!- sorriu, não sei intimidando mais com sua cara nada animada. – Você não respondeu minha pergunta.
– Ela está bem, pelo menos eu acho.
– Você acha? – Arthur deu de ombros e não respondeu, mas alguma coisa impulsionou o garoto a ir adiante e perguntou sem hesitar:

– Você não gosta de mim, certo?

Arthur surpreso com a pergunta direta e o olhou.

– O que te faz pensar isso?
– Suas caretas quando eu ficava perto da Lua ou chegava perto de você. Eu não entendo, não fiz nada… Ou fiz? – perguntou assustado.

Arthur pensou antes de responder, precisava filtrar suas palavras com o menino. Porém, foi de supetão que a palavra brotou em sua boca e foi dita.

– Ciúmes.
– O que é Cume? Ciúes? – se embolou.
– Ciúmes. Bom é um sentimento irritante. – ele continuava o olhando sem entender nada. Arthur suspirou. – Você gosta muito de alguma coisa, quando alguém toca essa coisa ou fica muito próximo a essa coisa, cresce um sentimento estranho dentro de você como a raiva. Você não gosta nada da aproximação e quer de qualquer forma tira-la de seu caminho. Entendeu agora? – tentou explicar da melhor forma possível.
– Entendi, você tinha… hum… ciúmes de mim com a Lua?
– É. – desviou os olhos.
– Por quê?
– Eu não sei, eu simplesmente acabei de descobrir isso. – riu amargamente.

Mentira, ele sabia muito bem o porquê, quando a palavra surgiu tudo fez sentido. Ele não deixou o garoto se aproximar única e exclusivamente pelo ciúmes. Queria toda a atenção de Lua voltada pra ele, se irritava até com o Luke e com o garoto não poderia ser diferente. Sentia-se um idiota, ele era só um garoto carente. Lua não o largaria para ficar com uma criança. Ele nunca foi inseguro e aquilo foi engraçado e ao mesmo tempo irritante.

– Por que está rindo? – perguntou Brandon o acompanhando mesmo sem saber o motivo.

Quando percebeu que estava rindo em voz alta, não parou e deu de ombros. Estendeu sua mão ao garoto.

– Poderíamos começar de novo?

Brandon sorriu e assentiu, apertando sua mão grande.

– Sem medo? – arqueou as sobrancelhas pra ele.
– Sem medo. – Brandon repetiu suas palavras com certa firmeza. Parecia saber o quão importante era aquele recomeço.

Foi assim que tudo começou, Arthur deu uma chance ao garoto, que se via mais encantado pelo mundo dele. Ele não tinha em quem se espelhar e passou a gostar de Arthur, sorrir e ficar bravo com ele.

Arthur se entregou a sua decisão e não poderia deixar de estar mais feliz, pelo sim ou pelo não, ele ficaria com o sim.

Em menos de um mês, Arthur foi o visitar constantemente e o garoto se mostrou extraordinário, conversando coisas que ele jamais pensou com uma criança de quatro anos. Era impressionante, até chegou a ouvir a opinião do garoto. Deu dicas no seu primeiro beijo, depois de rir muito, mas deu. De fazer com que os meninos parassem de mexer com ele, de como arrumar seu cabelo rebeldemente como o dele…

No fim, os dois estavam cada vez mais envolvidos pela áurea invisível de pai e filho. Não havia como voltar atrás, e ninguém queria isso. Eles se gostavam profundamente, havia sintonia ali. E como não poderia ser diferente, as papeladas foram assinadas e a burocracia estava tomando conta da situação agora. Não estava mais em suas mãos.

E em menos tempo do que ele esperava, sua resposta estava em suas mãos. Talvez pelo motivo de serem famosos, mas o fato era que o garoto não se chamaria apenas Brandon Patrick Louty, mas sim Brandon Patrick Blanco Aguiar.

Continua...

Se leu, comente! Não custa nada.

KKKK Arthur tem uma visão muito distorcida do quanto as crianças são lindas, fofas e adoráveis... aaaawn! (as crianças dos outros né? Kkk) E ele deixou de ser cabeça-dura. Palmas e beijos que ele mega merece. \0/

Brandon é um Aguiar agora! Que coisa linda. Arthur é ciumento por demais, mas pelo menos fez a coisa certa.

Já sabem né? A cada 7 comentários, novo cap.

Beijos!

9 comentários:

  1. Arthur é tão ciumento que sente ciumes ate de um cachorro lol .

    Arthur quer a atenção de Lua todinha pra ele, espera só Nicole nascer ela que vai ser o centro das atenções *-*

    Ameiii !! ARTHUR MUDOU DE IDEIAAAAAAA :)

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  2. Ohhhh Gloriaaaa \O/ Arthur mudou *---* Lua vai transbordar de felicidade.
    Ameiii ♥♡♥♡♥ Lindo capitulo

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  3. Mdsss não acreditooo

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  4. Annnwttt finalmente Arthur mudou de ideia adoreeeiii

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  5. A lua vai fica meggga feliz

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  6. Omg preciso de mais dessa história elka e muiito maravilhosa ❤❤❤

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  7. Aii finalmente o Arthur deixou de ser idiota kkkkkk ,não acretito que ele estava com ciúmes de uma criança.A Lua vai amar,com certeza

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