15 dias para confessar - o tempo o dirá

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Arthur

     Fui para a casa da Lua, desta vez de autocarro porque a minha mãe levou o carro para o trabalho. Cheguei por volta das 15 horas, depois da hora do almoço. Estava entusiasmado com a volta à casa dela, para de novo estar com os seus irmãos após tanto tempo. Espero, ao menos, que se lembrem do meu nome.
     Toquei à campainha e esperei por uns segundos até ouvir:

- ARTHUR! - Vozes infantis chamavam-me e eu gargalhei. A porta abriu-se e duas criaturazinhas agarraram as minhas pernas.
- Pequenos! Que saudades! - Baixem-me para pegar-lhes ao colo e entrei na casa fechado a porta com o pé. 
- Que saudades! - Disseram os dois enquanto beijavam o meu rosto.
- Isso digo eu. - Ri e dei de caras com Lua, ainda de pijama 
- Vá lá crianças, deixem o Arthur. Ele já brinca com vocês. - Coloquei-os no chão. - Eu disse-te que eles iam gostar de te ver.
- Porra, morria de saudades. Ainda se lembram de mim. - Sorri. Abracei Lua pela cintura e juntei o meu rosto ao seu pescoço. - Cheiras bem.
- Olá para ti também! - Lua riu e afastou-se.
- Ficas linda de pijama.
- E esses elogios são para...?
- São a mais pura verdade. E agora? O que fazemos? - Mudei de assunto para não tornar o clima um tanto embaraçoso. 
- Vou trocar de roupa. Vamos aproveitar que não chove para dar uma volta com os pequenos e assim conversamos mais um pouco.

     Lua subiu para o quarto enquanto eu fiquei na sala, mais propriamente no sofá, a abraçar os seus pequenos irmãos. Eles estavam bem maiores desde a última vez que eu próprio quase já não me recordo. Eles já estavam devidamente prontos para sairem à rua, num dia em que o sol decidiu espreitar, o que é de admirar.

- Porque é que nunca mais vieste aqui? - Perguntou Edward com a voz mais bebé de sempre, exprimindo palavras que eu quase não entendi.
- Porque estou a estudar agora, numa escola muito grande e muito longe daqui. Mas agora estou de férias e por isso é que vos vim visitar.
- Tu e a mana vão dar beijinhos outra vez? - Perguntou ele com a maior das inocências.

     Desatei às gargalhadas.

- Pergunta à tua irmã se pode ser. 
- Lua! - Thiago chamou - Lua!
- Sim? Já vou! - Gritou do andar de cima.

     Eu continuava a rir. Com sorte, ainda roubo um beijo a Lua. 
     Ela chega à sala ainda a acabar de se arranjar e senta-se ao nosso lado no sofá.

- Pode ser?
- Pode ser o quê?
- Pode?
- Mas pode ser o quê? - Perguntava ela sem entender nada. - O que é que disseste a eles, Arthur?
- Nada. Eles é que perguntaram.
- Beijinhos. - Thiago meteu as mãos na cara, tapando os olhos e riu. 
- Beijinhos? Eu e o Arthur? - Ela perguntou.
- Sim. - Respondi, fazendo beicinho. 
- Não.
- Oh, vá lá Lua. É só um.
- Arthur! Não tornes as coisas complicadas e difíceis de entender para eles.
- Fica o nosso segredo. - Fiz bico a ver se colava.
- Eu já disse que não.
- Então um abraço?
- Mais um?
- Sim, mais um. - Sorri-lhe tentando parecer fofo.

     A falta de resposta dela fez-me perceber que o "sim" era a resposta, então avancei e abracei-lhe fortemente, deixando o meu rosto entre o seu pescoço e o seu ombro. Cheirei novamente. Senti ela arrepiar-se. Lua passou-me as mãos nas costas em movimentos verticais. Os seus irmãos soltavam gargalhadas. Quem me dera que fossem mais espertos ao ponto de, agora, gritarem "beijo, beijo, beijo", não tendo, Lua, escapatória possível. Mas infelizmente isso não aconteceu.
     Quando senti que ela nos separava, deixei um beijo no seu pescoço. 

- Saudades disto. Disto e muito mais. - Segredei-lhe enquanto lhe pegava na mão 
- Vamos? - Perguntou Lua aos irmãos, mudando de assunto. Ambos disseram que sim.

     Saímos de casa após todos colocarem um cachecol e, para os mais pequenos, umas luvas.
     Eles andavam à nossa frente enquanto nós íamos atrás atentos aos seus movimentos. 

- O que é que devo fazer para subir de nível?
- Não sei.
- Mas eu também não o sei.
- Deixa o tempo passar.
- Mas quanto é que saberei que subi de nível ou não?
- O tempo o dirá.
- Oh Kim, não me digas isso. - Eu ri. - A sério, estou tão desesperado. Já viste o que é me deixares com esperanças e depois, no final de tudo isto, eu ir embora sem nada? Sem ti? 
- Uma coisa é certa Arthur: tu vais sem mim.
- Tu sabes o que é que eu quero dizer. Digo, uma parte de ti. Posso levar comigo um pouco do teu amor e aí serei feliz. 
- Lembraste quando disseste para eu decidir se devias ou não deixar-me em paz?

Flash back on

- Tu decides, Lua. Se me disseres, aqui e agora, para eu te deixar em paz, eu juro que te deixo e tu não me vez mais.

- Caso contrário? - Ela perguntou.

- Caso contrário, tenho 15 dias para te reconquistar. - Sorri forçado.

Flash back off

- Lembro-me. - Respondi-lhe com um sorriso. 
- Então... se eu não te disse para me deixares em paz, é que não quero que me deixes em paz. Quero que me reconquistes. Quero sentir-me amada e sentir que realmente tu me mereces.
- Eu sei que te mereço e tenho feito de tudo para acreditares que sim.
- E se tudo der certo, vais conseguir.
- Vou conseguir fazer com que sejas minha?
- Exato. - Garantiu ela, olhando em frente enquanto eu olhava para o seu rosto.
- Adoro-te. - Mostrei um sorriso e ela riu. 

     Continuamos a andar. Passamos pelo parque, brincamos com os seus irmãos e por fim fomos até uma pastelaria para lanchar, onde bebemos chocolate quente e um comemos um bolo de chocolate igualmente para acompanhamento. 

     Restava fazer o mesmo percurso a pé para casa, onde a mãe da Lua já nos esperava. Thiago e Edward agarraram das minhas mãos e puxaram-me para mostrar-me as decorações de Natal e uma caixa de música em que um Pai Natal de lá saía a cantar com as suas renas. Eles riam-se imenso com aquilo e faziam-me rir também. 

- Mãe, a Dianna convidou-me para jantar na casa dela. Posso ir?
- Sim. Não chegues tarde e liga-me para te ir buscar. 
- Não é preciso. O Bruno vai estar lá e vem trazer-me. 
- Está bem, juízo. 
- Eu também vou andando. - Levantei do chão onde estava com os gémeos - Obrigado por esta tarde.
- Isso digo eu. - Ela sorriu. Fomos até à porta. Passei antes pela cozinha para me despedir da mãe da Lua. - Vais te encontrar com ele?
- Com o Bruno? Sim. - Ela respondeu e fez-me suspirar.
- Está bem. Até amanhã. - Sorri e saí da sua casa.
- Arthur! - Ela chamou-me ainda na porta, enquanto eu já estava no seu portão - Não desistas de mim. - Mordendo o lábio.


***

Notas finais:

À QUANTO TEMPOOOOO?!
Aqui estou eu, dia 16 de janeiro de 2016, a postar o prometido.
As minhas frequências na universidade foram uma merd* e vou ter de repetir pelo menos duas delas, mas, enquanto isso, ficarei por cá a postar, ok?

Obrigada pelos comentários no capítulo anterior. Pensei que ia chegar aqui e dar de caras com dois ou três.
Continuem a comentar assim e amanhã com um jeitinho até posto dois capítulos.

5 comentários:

  1. Estou contando os dias pra que eles fiquem juntos *-*

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  2. "Não desistas de mim" e vai encontrar o outro aff Lua bora colaborar oxi :/

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  3. Acho que ela está se fazendo de difícil para o Arthur mas logo ficarão juntos. Mais?

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  4. Cara, toda vez que leio um capítulo me surpreendo com o quão bem você escreve, capítulo sensacional, como todos, acho que a Lua podia facilitar mais o trabalho do Arthur hein hahaha posta maisss

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    1. Muito obrigada, de verdade. É tão bom ouvir isso :D

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