Little Anie - Cap. 65

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Little Anie

Pov Lua

Era cedo quando abri os olhos tentando me adaptar a claridade que entrava pela janela. Mel estava sentada lendo uma revista de moda. Passei a mão pelo rosto e suspirei baixinho. E me lembrei de tudo que passei horas atrás. Senti uma forte vontade de chorar, e até mesmo de gritar. Eu ainda me sentia enjoada.  Fechei os olhos e respirei fundo. Não adiantava mais eu chorar. Eu só queria descobrir uma maneira de como eu daria a notícia a Arthur. E a reação dele era impossível de se imaginar. Ainda mais, um assunto relacionado a um filho que ele tanto sonhava, desejava, e que eu nem sabia que estava carregando, e acabei perdendo-o. Suspirar era o que eu mais vinha fazendo. Meu braço doía onde a agulha do soro estava enfiada.

– Bom dia. – Falei calmamente e Mel me olhou sorrindo triste e logo veio até mim.
– Bom dia. Está bem? Não sente nada? – Me perguntou preocupada. E passou a mão em meus cabelos.
– Mais ou menos. E não, não sinto nada. – Respondi. – E você? Estou preocupada. Deve estar cansada. – Lhe disse e fiz um rápido carinho em sua barriga.
– Estou bem. E ah, Nice trouxe uma muda de roupa para você. E seu celular. Além das 20 ligações da madrugada, Arthur já ligou 5 vezes agora. – Me disse enquanto me entregava o celular. Nice era a empregada que trabalhava na casa da minha irmã. – Não se preocupe, Soph pediu que Nice não comentasse nada com Micael. Liguei pra ela, e disse que você tinha passado a madrugada bem. Anie dormiu a noite toda, e até na hora que liguei, ela ainda não havia acordado.
– Obrigada, amiga. Ela vai sentir minha falta. – Comentei. Desbloqueei o celular e chequei , além das ligações, tinha 8 mensagens. Arthur era um exagerado. Deve ter passado a noite em claro. Logo o celular começou a tocar. E quase que automaticamente, eu entrei em desespero. Mel me fitou.
– Fique calma. – Pediu. – Você tem que atender esse telefone. Falar com ele... Lua, conte a ele.
– Não posso, Mel. Agora não.
– Ele vai ficar louco. Não vai acreditar...
– Vou tentar ser convincente. Não se preocupe. – Lhe disse respirei fundo. Logo atendi a ligação.

Ligação ON
– Meu Deus, mulher! – Exclamou. – O que aconteceu? Tem noção que eu quase enlouqueci aqui? Te liguei tanto, mandei mensagens, liguei pra casa, pra Mel. Ninguém atendia. Vocês desmaiaram? Não é possível. Lua? Você tá me ouvindo? – Falou sem parar. E logo respirou fundo denunciando seu nervosismo e preocupação.
– Bom dia, amor... sim. Tá tudo normal. – Menti. – Eu estava dormindo. Não ouvi telefone nenhum tocando, e creio que Mel também não. – Mordi os lábios. Ela ainda me encarava. – Por que está assim tão preocupado?
– Não sei. Eu senti uma coisa estranha. E eu só me lembrava de você. Era madrugada. Nos falamos cedo, e você não estava bem quando nos vimos. Fiquei preocupado. Achei que tinha acontecido algo. Tá tudo bem mesmo? – Agora ele falava mais calmo.
– Sim. Tudo normal. – Repeti outra vez.
– Estou perguntando se está tudo bem, Lua. Bem! – Exclamou insistindo outra vez.
– Sim, está tudo bem. Não se preocupe. E como você está? – Respondi e logo tratei de mudar de assunto, ou acabaria não conseguindo sustentar minha mentira nos minutos seguintes.
– Aliviado. – Respirou fundo e logo soltou o ar. – Mas sei lá, essa sensação não me deixa. E Anie? Como está? – Me perguntou. Rezei para que ele não quisesse falar com ela.
– Anie está bem.
– Está dormindo?
– Sim.
– Vai ao médico? – Me perguntou. Segurei os lençóis com força. A voz queria sumir. – A dor passou? Lua, estou tão preocupado. Ooh, você não sabe o quanto. – Me disse. Eu não ia conseguir falar. Droga, eu estava a um fio de chorar. – Lua? Amor? Está me ouvindo? – Me chamou.
– Aham... – Murmurei.
– Lua?
– Sim... Melhorei. – Droga! Fechei os olhos com força. – Não se preocupe, eu ligo para você.
– Vou esperar. Tenho que desligar. Diga a Anie que eu deixei um beijo, e que eu a amo. Ligo a noite, tudo bem?
– Sim. Tudo.
– Amo você. E se cuide. Diga a Mel que deixei um beijo também.
– Digo sim. Eu também amo você. Muito, muito mesmo. Um beijo!
– Um beijo, meu anjo.
Ligação OF

Quando ele encerrou a ligação. Deixei o celular cair sobre a maca. E logo as lágrimas desceram. Mel se aproximou e me abraçou. Permanecemos assim por alguns minutos. Eu me sentia mais culpada ainda por ter que mentir para ele, sobre um assunto tão grave. E que ele, com toda certeza, tinha que saber, e logo. Eu só não sabia como contar. Como eu iria explicar pra ele?

– Não chore. Fique calma... – Mel me pediu outra vez.
– É difícil, ele não acreditou!
– Conte a ele... Lua, o quanto antes. Vai ser melhor. Ele vai vim. Ele vai... – Assegurou. – Ele prometeu, você não pode fazer isso.
– Só vou contar quando ele voltar. – Funguei e limpei as lágrimas. – Isso se alguém não falar antes. Ele lhe deixou um beijo. – Falei baixo. Mel sorriu ainda me encarando.
– Eu não vou falar por você. – Retrucou.
– Sophia pode falar pro Mika. – Respirei fundo. O médico logo chegou.
– Bom dia, senhoritas. – Ele sorriu caminhando até nós.
– Bom dia. – Falamos juntas e ele parou ao meu lado.
– Como passou a madrugada, Lua? – Me perguntou sério.
– Bem... Não senti mais nada.
– Isso é bom. Está se sentindo bem? Mesmo? Não minta.
– Estou. – Falei baixo. – Quando vou ter alta? – Perguntei e ele sorriu.
– Agora. Mas olhe, lembre-se que tem que repousar. Ouviu? – Me perguntou. Assenti. – Você teve sorte, tenho que te lembrar disso, embora tenha passado pelo que passou. Pedi alguns exames. E sábado você vem pegar. Quero saber se está realmente tudo bem. E se você ainda poderá ter filhos... – Cerrei os olhos franzindo a testa. Eu corria o risco de não ter mais filhos? Me perguntei. Como falaria isso a Arthur também? E se o resultado fosse não? O que eu ia fazer? Eu não escutava mais nada do que o médico estava falando. Senti uma dor tão grande no coração. Que me deu uma enorme vontade de chorar, chorar e chorar.
– Lua? Está me ouvindo? – Ele me chamou.
– Desculpe...
– Não se preocupe. Ainda não sabemos o resultado. Tente ficar tranquila. – Ele sorriu ternamente. – Não se esqueça, sábado, as 9h30. Melhoras. Tchau. – Ele sorriu para nós.
– Tá. – Falei vagamente. – Obrigado.
– Obrigado, doutor. – Mel lhe deu um aperto de mão e logo ele saiu.
– Fique calma, como ele disse. Não sabemos o resultado. É só pra saber que tudo está bem. E que em breve, você poderá engravidar novamente. – Mel tentou soar confiante. Mas ela estava tão confusa quanto eu. – Eu ajudo você a trocar de roupa.
– Quero tomar um banho antes. – Falei me sentando.

Mel me ajudou a chegar ao banheiro. Eu me sentia tão fraca. Assegurei que conseguiria tomar banho sozinha, deixei a porta encostada e tirei aquela camisola azul, típica de hospital. Liguei o chuveiro, e esfreguei com certa força meu corpo. Eu queria me livrar daquele torturante cheiro de sangue, que ainda me dava enjoos, e me obrigava a lembrar do que eu havia perdido junto com ele. Não pude impedir que as lágrimas caíssem. Terminei de tomar banho, e me enxuguei, vesti a roupa que Nice trouxe, uma saia longa azul, e uma camiseta branca, penteei os cabelos e os deixei soltos. Saí do banheiro e Mel olhava para a porta.

– Já ia ver se estava tudo bem. – Me disse. Ri.
– Tô tentando... vamos, não quero mais ficar aqui. – Falei pegando a bolsa e o celular. Mel pegou o celular e abriu a porta. Caminhamos devagar pelos corredores. Algumas pessoas nos olhavam. E de certa forma, eu me sentia incomodada. Quando sentei no banco do passageiro, olhei para trás, o banco estava sujo de sangue. Mel me olhou.
– Não se importe com isso... Depois eu levo para lavar. – Me disse começando a dirigir. O caminho só não foi de todo silencioso, pelo som do carro estar ligado. – Sabe o que eles foram fazer com essa viagem? – Me perguntou. – Arthur me falou vagamente, muito por sinal. – Fez uma careta. Ri.
– Não falei com ele sobre isso, creio que é sobre as músicas, CD, a turnê. – Respondi.
– Não podiam fazer isso aqui?
– É uma reunião, John que inventa isso...
– Você vai?
– Pra onde?
– No show. – Me perguntou baixo.
– Não sei... – Franzi as sobrancelhas. – Com certeza vai ter aqui. Arthur vai querer que eu vá. – Finalizei. – Por que?
– Por nada... – Ela disse estacionando na frente de casa. – Chegamos! – Disse. Abri a porta do carro e caminhei até a porta. Toquei a campainha, já que Mel havia deixado à chave. Sophia abriu a porta e me recebeu com um forte abraço.
– Ooh, Luh... – Disse com a voz embargada. – Retribuí o abraço, abraçando-a tão forte quanto ela me abraçava de volta.
– Está tudo certo, Soph. Não se preocupe. Você não pode. – Falei beijando seu rosto.
– Como não? Olha só o que aconteceu? Arthur ligou tanto. Eu já estava a ponto de atender o telefone. – Falou rápido andando até o sofá sem soltar a minha mão. – Ainda bem que Anie dormiu como um anjo. E ainda não acordou. – Respirou aliviada. – Já limpei o banheiro. E agora me conte o que o médico lhe disse. – Pediu. E me encarou. Nos sentamos e Mel foi até a cozinha. – Fiz café, Mel. – Soph falou um pouco alto.
– Tenho que pegar uns exames no sábado. – Falei baixo encarando minhas mãos.
– Que exames?
– Pra ver se eu posso ter ou não, outros filhos. – Respondi mais baixo ainda.
– Isso quer dizer que pode haver outra possibilidade?
– Sim.
– E você vai esperar Arthur voltar para contar a ele tudo isso? Lua, você sabe qual será a reação dele, se ficar sabendo antes. – Me avisou enquanto colocava uma das mãos em meus ombros. – Conte logo! Céus, você é louca. Como vai esperar duas semanas?
– Ele só vai saber antes se vocês contarem. – Retruquei irritada. E olhei para Sophia. – Eu posso imaginar o que ele irá falar...
– Lua, você ficou tá magoada da outra vez. Ele lhe prometeu, e até onde eu saiba, não quebrou a promessa. O que está esperando para avisa-lo?
– Soph, eles devem estar resolvendo vários assuntos. Ele não pode fazer mais nada... Quando ele voltar, eu conto.
– Você é cabeça dura! Droga! Teimosa! – Exclamou irritada. – Não vou falar mais nada. Depois você pensa nisso. Você o conhece. – Finalizou.
– Mamãe... – Ouvi Anie choramingar enquanto descia os degraus.
– Oi meu amor. – Abri os braços quando ela se aproximou de mim. Anie se aconchegou em meu colo, e passou a mão em meu rosto.
– Pensei que tinha saído. – Murmurou.
– Estou aqui meu anjo. Não vou a lugar nenhum. Sabe, seu pai ligou, deixou outro beijo e disse que ama você. A noite ele liga, e você fala com ele, tá bom? – Disse apertando-a em meus braços e beijei seus cabelos.
– Tá... Eu também amo ele...
– Eu sei... – Respondi baixo. Sophia tinha ido para a cozinha. Ajeitei Anie em meu colo, enquanto beijava sua testa repetidas vezes. Ela me abraçou forte, apertando as mãozinhas envolta do meu pescoço.
– Você tá chorando, mamãe...
– Shhh... – Sussurrei. Beijando mais uma vez sua testa. Ia ser difícil mentir mais tarde quando ele ligasse outra vez.

Já era 15h45, Anie dormia ao meu lado na cama. Ela não entenderia o motivo de eu estar chorando. Era melhor não tentar explicar, ou ela mesmo contaria a Arthur. Passei a mão pelo rosto e me virei de lado para observar Anie dormir. Levei as mãos até o rosto dela e acaricie, ela se mexeu e fez um fico fofo. Sorri e me inclinei, depositando um beijo em seu rosto. Eu agradecia a Arthur e a sua insistência em tentar me convencer a ter um filho. Me lembro de sempre falar que estava cedo, e agora vejo que essa foi a melhor decisão que tomei na vida. Se fosse só agora, ia ser pior, eu realmente não saberia como contar a ele. Se não tivéssemos tido uma filha antes, e se eu não pudesse ter mais filhos, não saberia como dizer a ele. Nenhuma explicação adiantaria. Eu tinha certeza, ele não entenderia.

O sonho dele era ter filhos, um menino, me lembro de quando lhe disse que estava grávida. Ele quase não acreditou, queria tanto, já tínhamos tentado tanto, e nada. Foram 3 longos meses. Chegamos até a fazer exames para saber se um de nós tinha algum problema. E não. Não tínhamos. Ele ficou tão nervoso com a possibilidade de ter algo errado, e quase se recusou a fazer os exames. E quando o resultado saiu. Ele ficou tão aliviado, que eu posso ter quase certeza que Anie foi feita naquela mesma semana. Sorri ao me lembrar. Depois do breve choque inicial, ele me abraçou e agradeceu tanto, que me lembro que chorei. Beijou tanto meus lábios, minha testa, minha barriga. Eu sorria que nem boba, ele estava tão feliz, que era impossível ter outro sentimento além de amor e felicidade. Uma imensa felicidade.

Lembro da ansiedade dele para saber se era menina ou menino, ele não escondia a preferência. Não queria esperar até o terceiro mês, queria que eu fizesse outro exame para saber o sexo do bebê. Claro que discutimos, uma pequena discussão devido a ansiedade dele. E ele teve que esperar até o terceiro mês, sim. Quando a médica nos disse que seria uma menina, não vou mentir, embora ele morra negando, uma pequena frustração cruzou aqueles olhos tão vidrados na tela do computador. Durou segundos suficientes para quem o conhecesse, percebesse. E eu percebi. Depois ele beijou minha testa ternamente e apertou minha mão enquanto a médica falava mais algumas coisas e nos dava parabéns pela filha que estava a caminho.

Fazia um tempo que eu não recordava desses detalhes. Mas depois de ontem, foi quase automático que eles viessem à tona, tão claros como água. Olhei novamente para Anie. E sua respiração estava tão calma. Seus lábios estavam levemente curvados em um sorriso. Um pequeno sorriso.

Durante a gestação de Anie, Arthur parou de tocar no assunto do filho, do menino. Ele falava que estava sim feliz com a notícia, quando eu o questionava por ele quase não dar palpites nas coisas que eu escolhia para ela. Ele jurava que ela seria loirinha e teria os cabelos tão cacheados, quanto os meus. E que seria assustadoramente parecida comigo. E quando ela nasceu, quase 24h depois de todo o sufoco, e sem ele lá, eu a vi. E ela não tinha nada haver comigo, ela era assustadoramente parecida com ele, os poucos fios de cabelo pretos, lisos, os lábios, os olhos. Tudo lembrava ele. Eu quase liguei para lhe dizer que ele estava completamente enganado, mas lembrei que eu estava muito magoada com ele.

Horas depois me perguntei, e se fosse um menino, ele estaria ali? Mas logo tratei de esquecer isso, ele não faria uma coisa dessas com a filha. Não faria. E quando ele a viu, eu tive a certeza de que ele realmente não faria isso. E como se fosse para provar que eu estava completamente enganada mesmo. Anie e Arthur construíram uma incrível e absurda cumplicidade, que até hoje, eu morro de ciúmes. E sei que ele só estava esperando por ela. Agora eu sei que estava. Embora ainda lhe faltasse um sonho, que eu acabei perdendo. Anie é tudo que nós precisamos. Olhei para o lado sentido ela se mexer. Se espreguiçou e abriu os olhos lentamente, me chamando para um abraço. Sorri ao me aproximar ainda mais dela e a envolver com meus braços, e trazê-la para meu colo.

– Uhm... – Murmurei depositando um beijo em seus cabelos. – Dormiu bem? – Perguntei acariciando seu rosto.
– Sim, mamãe. – Respondeu se ajeitando em meu colo e colocando a cabeça sobre meus seios. Passei a mão em seus cabelos. – Quero falar com meu papai. – Disse baixo.
– Ele vai ligar a noite, filha. – Lhe disse.
– Por que não podemos ligar agora?
– Porque ele deve estar ocupado.
– Rapidinho, mamãe. – Ela se sentou na cama e me lançou um olhar pidão. – É sim. É sim.
– Anie... Não faz essa cara.
– Tô com saudades.
– Eu sei. Também estou. – Sorri lhe acariciando outra vez o rosto.
– Então liga, mãe. Ele não vai brigar.
– Eu sei que não.
– Liga?
– Filha.
– Só vou falar que amo ele e que tô com saudade. – Ela fez um bico.
– Tudo bem, amor. Vou ligar. – Falei pegando o celular. Arthur amaria essa ligação. Eu só esperava que ele atendesse a ligação. Disquei o número e esperei que chamasse quatro vezes. Até que eu ouvi sua voz um pouco apressada do outro lado da linha.

Ligação ON
– Alô? Luh, aconteceu alguma coisa? – Perguntou preocupado. Acho que ele estava andando – quase correndo.
– Não. Anie me pediu para ligar. Ela quer te dizer algo. – Falei baixo enquanto a observava ainda sustentando um bico. – Está muito ocupado? Posso ligar depois. – Completei.
– Mais ou menos. Falei que ligaria a noite. – Me lembrou. – Só um momento. – Pediu.
– Tudo bem. – Respondi. – Falei que ele estava ocupado. – Disse a Anie. Ela fez uma careta. Era impossível de entender o que eles conversavam. Era um barulho só. Minutos depois ele falou "Só mais alguns minutos. Já estou indo".
– Luh?
– Atrapalhei muito? – Mordi os lábios receosa.
– Se todo atrapalho fosse como você. – Ele soltou um riso. – Eu não reclamaria. Eu queria estar aí... – Finalizou.
– Eu também queria que estivesse... – Suspirei. – Anie quer falar. – Disse e ele riu.
– O que ela tá aprontando hein? – Perguntou divertido.
– Você precisa ouvir. – Respondi. – Vou passar o celular pra ela.
– Tá bom.
– Papai! – Ela exclamou feliz. Seus olhos brilhavam.
– Oi amor... Estou morrendo de saudades, sabia?
– Eu também, papai. Você vai demorar? A mamãe não queria ligar.
– Logo estarei aí, amor. Eu disse a ela que ligaria a noite. Não fique zangada.
– Eu estou com saudades. E amo você. – Falou fazendo um bico enorme, tentando não chorar. – Papai... – Chamou já chorando. Me aproximei dela e a abracei, beijando seus cabelos.
– Ooh, Anie, meu anjo. Também amo você. Não chore. Não vou demorar, prometo. Eu amo você, filha. – Anie me entregou o celular.
– Sou eu...
– Luh, o que Anie tem?
– Nada, Arthur. Só tá morrendo de saudades, assim como eu. – Falei.
– Estou preocupado. – Me disse. – Eu preciso desligar. Amor, à noite eu ligo. – A voz dele estava embargada. – Diga a ela outra vez, que a amo muito, muito, muito. E que logo eu estarei aí. E eu amo você. – Finalizou. E respirou fundo, assim como eu. – Eu preciso saber a verdade.
– Eu preciso ter falar uma coisa. – Falamos juntos. E ficamos em silêncio por alguns segundos.
– Eu sabia. – Disse baixo.
– Eu espero você ligar. – Falei.
– Tudo bem. Eu tenho que desligar. Um beijo, até a noite. Dê um beijo na pequena.
– Dou sim. Um beijo também. Amo você.
Ligação OF

Respirei fundo ainda abraçada a Anie. Ela ainda chorava baixinho. Eu tinha que contar. Mas não ia ser por telefone. E eu já estava ficando nervosa com a possibilidade de vê-lo no outro dia.

– Não chore. Olhe pra mim. – Pedi virando-a de frente para mim e segurando em seu rosto. Enxuguei suas lágrimas com a ponta dos dedos. – Seu pai pediu para que eu a lembrasse, que ele a ama muito, muito, muito e que logo vai estar aqui. – Sorri lhe beijando na testa. – E lhe deixou um beijo.
– Ele não vai demorar?
– Não. – Assegurei. – Que tal irmos merendar? Não está com fome?
– Estou. – Respondeu. Me levantei da cama e Anie ficou em pé esperando que eu a carregasse.
– Hoje não, filha. Vem, não posso carregar você. – Falei segurando em suas mãos.
– Por que não, mãe? – Me perguntou enquanto descia da cama.
– Estou com dor na costa. – Falei rápido. – Só isso. – Menti.

Depois de comermos uns biscoitos de chocolate que Mel havia feito, como de costume, assistimos um filme infantil com Anie. Sophia já tinha ido embora, ela trabalharia a noite. E precisava descansar. Na segunda eu falaria com Ryan, e depois da semana que ele tinha nos dado de folga, eu pediria minhas férias, e mais um mês que ainda tinha lá, das férias passada que eu não havia tirado. E agora eu estava precisando. Olhei para o relógio, e o mesmo marcava 20h45. E Arthur ainda não havia ligado. E eu já estava rezando para que ele não ligasse mais. Eu tinha desistido de lhe contar o que tinha acontecido. Anie já bocejava deitada em meu colo.

– Amor, vamos dormir? Estou cansada. – Falei fazendo carinho em seus cabelos.
– Papai ainda não ligou.
– Quando ele ligar, eu chamo você.
– Promete?
– Prometo. – Assegurei e me levantei. – Quer beber água?
– Quero. – Disse caminhando comigo até a cozinha. Mel estava lá bebendo um chá.
– Lua, não aguento mais. – Ela fez uma careta.
– Enjoos?
– Muitos. Meu Deus, não para nada. – Disse. Lhe lancei um rápido sorriso.
– Eu sei, já passei por isso... Vá deitar. Você precisa descansar. – Avisei.
– Falou com Arthur? – Me perguntou.  E eu já sabia sobre o quê.
– Não. Eu tô esperando ele ligar. Disse que ligaria a noite, e até agora nada. – Falei.
– Uhm... tudo bem. E conte mesmo. Boa noite. – Ela jogou vários beijos. – Durma bem, meu anjo. E Luh, qualquer coisa, é só me chamar.
– Tudo bem. Boa noite. – Lhe joguei um beijo também.

Depois de dar água a Anie. Subimos os degraus. Ela dormiria comigo de novo. Vesti o pijama nela e depois vesti a minha camisola. Deitamos na cama e eu a embrulhei. Ela me abraçou, colocando a cabeça sobre meu peito. Acariciei seu rosto enquanto sussurrava uma música. Ela não demorou a dormir. E eu permaneci acordada. Era quase 23h e nada de Arthur ligar. Embora eu estivesse com uma vontade absurda de ouvir a voz dele. Ao mesmo tempo, eu estava com um medo absurdo de contar a ele o acontecido. Respirei um fundo, e de olhos fechados, agradeci pela ligação que ele não tinha feito. Mesmo que eu não soubesse o motivo. Eu me senti um pouco aliviada de não ter que lhe contar. Pelo menos, nessa noite. Já que amanhã, eu sabia que ficaria ainda mais difícil de ficar escondendo a verdade.

Continua...

Se leu, comente! Não custa nada.


Hey? E aí, tudo bem? Resolvi atualizar a fic porque já tinha esse capítulo pronto. E aí, o que estão achando?

Confesso que fiquei triste com a falta de comentários no ultimo capitulo que eu postei de Little Anie. Teve mais de 400 visualizações e não chegou nem a 10 comentários. Não estão gostando da história? Porque se for esse o caso, eu paro de postá-la.

Próxima atualização, só dia 27/10, vocês já sabem o motivo. E espero que tenha mais de 10 comentários nesse post. Podem dizer o que estão achando. Gosto de saber.

Um beijo.

26 comentários:

  1. Extremamente anciosa para o próximo .
    Coitadinha da Lua.

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  2. Amei, amei, amei! Preocupada com o que o Arthue tem pra dizer, mas quero que ele ligue logo e que a Lu conte tudo!!! Ansiosa!

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  3. To triste coitada da lua e do thur espero que ela possa ter filhos

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  4. Ansiosa pelo proximo capitulo!!

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  5. Tadinha da Lua ninguém merece passar por isso, ela tem que contar pro Arthur logo
    Já quero que chegue dia 27 haha

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  6. Tomara que ela conte logo a ele

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  7. Obrigada por voltar a postar. Agora só esperar para o dia 27. Adorei, estou ansiosa para saber o que Arthur vai dizer..
    Eles não vão zagar por isso ela n sabia.
    By sofiaxc

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  8. Tomara que o arthur entenda e não fiquei brava com ela

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  9. Ansiosa para o próximo.. Ela tem q contar logo a verdade e ele vai voltar td lindo e fofooo

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  10. Amoooo essaaa web de maisssss!! Tadinha de Lua, ela tem que contar logo para o Arthur !! Pena que só dia 27,esperando anciosamente!!!

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  11. Cara essa web e muito boa amoo de paixão

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  12. Aaah to com medo do q Arthur tem pra contar :-\ Lua precisa falar a verdade pra ele logo,e espero q Thur entenda e a apóie :-(

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  13. Amo essa web! Estou com medo do que o Arthur tem pra contar e com dó da Lua :( mais?

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  14. NOSSA, PARABÉNS VOCÊ TEM MUITA CRIATIVIDADE PRA ESCREVER ESSA FANFIC, VOCÊ É MUITO BOA MESMO... A FANFIC É ÓTIMA E NÃO TEM NENHUM ERRO DE PORTUGUÊS. PARABÉNS MESMO ESTÁ MUITO BOA, ESTOU ANSIOSÍSSIMA PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO ....BJS bye: Clara

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  15. Porfavor me diz , tem como alguém não amar esaa web ? Eu comecei a ler ela , e já não suporto saber que a próxima atualização está tão longe . Porfavor , não demora tanto . Eu não quero ter que me aguentar , sou muito chata e curiosa intt kk , olha parabéns , e dá um jeito de publicar um livro logo , eu virei sua fã , e espero de coração que seus sonhos se realize . Porque você tem MUITO talento e creio que não vai faltar leitores . Obrigada por me dá essa maravilhosa oportunidade de ler essa web . Eu já te adoro sem nem conhecer , um beijão Amr ❤

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  16. Porfavor me diz , tem como alguém não amar esaa web ? Eu comecei a ler ela , e já não suporto saber que a próxima atualização está tão longe . Porfavor , não demora tanto . Eu não quero ter que me aguentar , sou muito chata e curiosa intt kk , olha parabéns , e dá um jeito de publicar um livro logo , eu virei sua fã , e espero de coração que seus sonhos se realize . Porque você tem MUITO talento e creio que não vai faltar leitores . Obrigada por me dá essa maravilhosa oportunidade de ler essa web . Eu já te adoro sem nem conhecer , um beijão Amr ❤

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  17. Este comentário foi removido pelo autor.

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  18. Tomara que Arthur entenda ela.. Sério.
    Próximo pfvr nunca te pedi nada

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  19. Nammm num pare de postar ñ :/
    Ohh acho que Arthur vai bater na porta de casa qnd amanhecer. Ai Lua da logo um peteleco e conta a verdade e espera a reação.
    Tomara que ela possa sim ter outros filhos nam ñ pode ter ficado esteria ñ por favor.
    Adoraaaandoooo *----*
    Beijuu Milly ♡♥

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  20. Esperando ansiosamente pela reação do Arthur, mal posso esperar!!!

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  21. Posta eu na gento mas esperar

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