Amor de Tribunal - Capítulo 9

|



Capítulo 9 :

 Arthur= Te venço no cansaço. – sorriu e continuou a mirá-la.
Lua= É, você vence. – revirou os olhos. – Mas vejamos, o que me atrai em você… – pensando. – Talvez sua beleza… física.
Arthur= Talvez? – vendo que ela fazia um charme.
Lua= Pode ser. – olhando-o de soslaio. – Seu sorriso também, com certeza. – ele então sorriu. – Mas não esse, falo do seu sorriso despojado, meio lateral, sabe? Aquele estilo “eu não ligo para nada”.
Arthur= Eu tenho um sorriso assim? – rindo.
Lua= Você tem. – riu também. – E é muito bonito, por sinal.
Arthur= Agora me sinto um máximo, estou até recebendo elogio seu. – pincelou o dedo no nariz dela, que riu.
Lua= Como se um elogio meu fosse grande coisa. – sorriu para ele. – Mas então, já disse tudo.
Arthur= Só isso? – fez bico. – Já sei por que estou demorando tanto pra ganhar pontos contigo.
Lua= Não, Thur. – ela corou, e aproximou-se dele. – Não é que eu não goste de mais coisas em você, mas fico sem jeito de falar.
Arthur= E por quê? – encarando-a.
Lua= Não sei bem. – encostou a cabeça no ombro dele, que acariciou o braço dela. – E você, do que gosta em mim?
Arthur= Não se importa de passar a noite toda escutando? – ela riu.
Lua= Não. – negando com a cabeça. – Se você achar o que falar a noite inteira. Enfim, pode começar.
Arthur= Gosto do seu corpo. – ela deu um tapa de leve na perna dele, mas permaneceu encostada nele. – Calma. Também gosto do seu rosto, principalmente dos seus olhos.
Lua= E por quê? – curiosa.
Arthur= Eles são muito expressivos. – ela suspirou. – Às vezes você não fala nada, mas só de vê-los já se pode imaginar em que esta pensando. Gosto muito disso em você.
Lua= Não sabia que era tão transparente assim. – franzindo o cenho.
Arthur= Você é, pelo menos pra mim. – entrelaçando sua mão com a dela. – Gosto do modo como você ri, do jeito como trata as pessoas, do seu toque, do seu cheiro… – se perdendo em pensamentos. – Gosto de tudo em você. – sussurrando pra ela.
Lua= Sabe de uma coisa que eu gosto muito em você, e que me atrai demais? – desencostando-se dele e ficando frente a frente a ele.
Arthur= O que? – colocando uma das mãos no rosto dela.
Lua= Sua voz. – beijou o canto dos lábios dele. – Principalmente quando sussurra.
Garçom= Com licença. – chegando com o sushi, o que fez o casal se afastar.

Depois de dizerem o que gostavam um no outro, o clima havia ficado mais descontraído. Comeram o sushi em clima de romance, e seguiram assim até a chegada do prato principal, quando depois, ele quis saber da vida dela.

Arthur= E seus pais? – dando um gole na bebida. – Também são chatos como os meus?
Lua= Não sei. – deu de ombros.
Arthur= Como não sabe? – rindo. – Eles moram muito longe?
Lua= Não sei, Thur. – disse, e ele franziu o cenho. – Eu vou explicar.
Arthur= Que bom, porque eu não estou entendendo nada. – sorriu sincero.
Lua= Não vejo meus pais desde os dezesseis anos. – disse de modo bem simples. – Não sei onde moram, o que fazem, se estão bem, aliás, nem sei se estão vivos.
Arthur= Como assim, Luinha? – pasmo.
Lua= Quando estava no terceiro colegial, disse que faria direito, e bem, eles não queriam uma advogada na família. – ela revirou os olhos.
Arthur= E porque não? – confuso.
Lua= Meus pais são médicos. – explicou. – Quando estava no terceiro ano, eu tinha uma irmã fazendo veterinária, e uma mais velha, quase terminando medicina. – suspirou. – Elas eram a alegria dos meus pais; estudiosas, inteligentes, e faziam faculdade do que eles queriam.
Arthur= Vocês são em quantas? – curioso com a historia dela.
Lua= Três, e eu ainda sou a mais nova. – revirando os olhos.
Arthur= Quantos anos de diferença? – olhando-a.
Lua= A Ana tem vinte e sete, a Bianca tem vinte e seis, e depois eu. – sorriu abertamente.
Arthur= E você tem vinte e… – curioso.
Lua= Tá muito folgado, hein? – rindo. – Vinte e quatro, mas em dezembro eu já faço vinte e cinco.
Arthur= Tem mais três meses ainda. – riu. – Mas… Luinha, você é muito nova.
Lua= Você achava o que? – rindo.
Arthur= Você tinha dito que fazia mestrado. – pensando.
Lua= Eu faço. – riu. – Não acabei ainda. Mas é isso mesmo, eu sai da faculdade com vinte e três.
Arthur= Direito são cinco anos? – pensativo.
Lua= Cinco. – sorriu. – E você?
Arthur= Eu o quê? – gargalhou.
Lua= Ora, quantos anos você tem? – curiosa. – Já descobriu minha idade mesmo.
Arthur= Eu sou mais velho que você. – coçou a cabeça. – Vou fazer vinte e seis mês que vem.
Lua= Não brinca que você é de outubro. – ela riu. – Que dia?
Arthur= Vinte e um. – achando graça nela. – E quando é o seu aniversário? Quer dizer, que dia de dezembro?
Lua= Dia seis. – ele pareceu pensar. – O que foi?
Arthur= Sagitariana? – ainda pensativo, ela assentiu. – Já entendi porque é tão curiosa e tão…
Lua= Tão? – arqueando as sobrancelhas.
Arthur= Provocante. – sussurrou, e ela lhe roubou um beijo.
Lua= Pode ser. – dando um selinho nele.
Arthur= Luinha! – ele riu diante das provocações dela, e segurou suas mãos, roubando um demorado beijo dela.

Ela não hesitou e correspondeu a ele, que depois de um tempo, liberou as mãos dela, para que pudesse colocar as suas no rosto da morena.
Lua já havia percebido que ele adorava tocar o rosto dela durante o beijo, e isso a deixava extremamente contente, uma vez que demonstrava um lado romântico de Arthur, e que poucos homens lembravam atualmente.

Lua= Fofo. – beijando-o uma ultima vez.
Arthur= Linda. – sorriu e a abraçou. – Mas acaba de me contar sobre sua vida, estou curioso.
Lua= Você é folgado, isso sim. – rindo. – Bem, eu contei aos meus pais que queria fazer direito, e eles simplesmente me colocaram pra fora de casa. – Arthur arregalou os olhos, sem acreditar no que ouvia. – Disseram que eu era a aberração da família, que eu viraria uma corrupta e que nunca teria uma vida honesta. Então, se eu quisesse mesmo ser uma advogada, que deixasse a família naquele momento. – suspirou. – E foi o que eu fiz.
Arthur= Saiu de casa? – espantado.
Lua= Sai. – sorriu. – Acho que foi a época em que mais precisei das minhas amigas, e sinceramente, se não as tivesse, não seria nada do que sou hoje. – suspirou. – Fui morar com a Sophia, mas depois que passamos na faculdade, passamos a dividir um apartamento.
Arthur= Você e ela? – interessado.
Lua= E a Mel também. – lembrou. – Depois de uns dois anos, a Mel ganhou um apartamento de aniversário, e dois meses depois, Sô ganhou um também. – riu. – Conclusão: fiquei sozinha.
Arthur= E o que fez? – deu um gole na bebida, mas continuou abraçado a ela.
Lua= Fui até a faculdade e disse a verdade. – riu. – Ou eu morava no campus, ou não ia fazer mais nada. Como eu era uma aluninha muito exemplar, e eles precisavam das minhas excelentes notas, rapidinho me arranjaram um lugar pra morar.
Arthur= E sobrevivia de que? – alisando o braço dela
Lua= Consegui um estágio. – orgulhosa de si mesma. – E quando acabei a faculdade, fui promovida para funcionaria mesmo.
Arthur= Que sorte. – riu.
Lua= É… – concordou. – Dois meses depois eu consegui mais um trabalho. Bom, e nesse segundo emprego, eu tive um caso de uma mulher que não tinha absolutamente nada, e tudo que podia ganhar no processo, seria só pra ela usar. Resumindo, ela ganhou a maior grana, mas não podia me dar nada, porque ia usar tudo pra reconstruir a vida.
Arthur= E você? – espantado. – Exigiu sua parte, não é?
Lua= Como, Thur? – dando de ombros. – Ela não tinha onde cair morta. O que ela podia me dar, era um terreno, que ela não iria usar. Bem, pra quem não tem nada, um terreno já é lucro.
Arthur= Não vai dizer que você aceitou? – rindo de lado, ela assentiu.
Lua= Claro que aceitei. – rindo. – Era uma casinha pequena, e durante muito tempo nem mexi nela. Acontece que, dois meses depois de eu me mudar, ganhei um vizinho.
Arthur=Estava demorando. – enfezou-se.
Lua= E desde então, esse vizinho passou a frequentar minha casa todos os dias, até o dia em que dormiu lá… – sorriu ao lembrar-se. – Depois disso, tudo ficou mais frequente. Ele ia lá todos os dias, e dormia, tomava banho, usava minhas roupas, enfim.
Arthur= Lua! – espantado e bravo.
Lua= Tanto foi que, quando eu consegui um caso milionário em um dos meus empregos, ganhei uma boa grana, e reformei a minha casinha. – suspirou e levou algum tempo até que continuasse a contar. – Fiz um quarto pra ele. Afinal, ia tanto lá em casa, que já era da família.
Arthur= Cara folgado! – bravo. – Ainda o vê?
Lua= Todos os dias. Quer saber o nome dele? – perguntou, e ele rapidamente negou. – Queira. – sorriu, e virou-se de frente para ele.
Arthur= Não, Luinha. – irritado. – Chega disso.
Lua= Luiz Davi. – segurando o rosto dele, enquanto sussurrava pra ele. – Esse é o nome do meu vizinho folgado.



6 comentários: