Mini fic: Difícil escolha - 2º Capítulo [NOVA]

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P.O.V.'s Narrador


Naquele dia, antes de Lua sair do consultório, Larissa, a médica, lhe pediu que ela voltasse a fazer os exames para rever o resultado deles. Afinal, como diz Larissa “os erros existem”, e o facto do resultado estar a dar que há possibilidade de existir uma pequena massa formada, pode ser, afinal de contas, um erro. Ou não.
Desnorteada, Lua saiu do consultório e em vez de ir para o carro, diretamente, foi passear no jardim. Ela queria ar puro. Tira que digerir as ideias e ganhar foras para, quando chegasse a casa, mostrar um sorriso largo a Arthur e dizer-lhe que estava tudo bem. 
Não adiantava de nada contar tudo a Arthur, pensava Lua. Para quê preocupá-lo? Pode ser que se trate de um erro. Pode ser que tenham confundido os exames de Lua com outra pessoa… tanta coisa pode acontecer. 

No jardim, passeava até ser atingida por uma bola de plástico verde, cor da esperança. Uns garotinhos bem pequenos se aproximaram e pediram desculpa, fugindo aos risos logo de seguida. Lua ficou a olhar para eles e imaginou mil coisas. Futuramente, o filho ou filha de Lua poderá ser como eles.

- Desculpe, crianças. – ela gargalhou. Aparentava ter uns 30 anos e estar grávida de uns 6 ou 7 meses.
- Eu entendo. – Lua sorriu – Eu adoro. Não tem como se irritar.
- É. Você tem filhos?
- Não. mas estou à espera de um. – Lua colocou a mão sobre a sua minúscula barriga.
- Parabéns. É uma dádiva, não é mesmo?
- Sim, eu acredito que sim. Parabéns a você também. menino ou menina?
- Na verdade são gémeos.
- Nossa. Alegria em dobro.
- Muita mesmo. – a mulher simpática riu.
- Bom, felicidades.
- Igualmente. – trocaram um sorriso e Lua andou em frente na calçada. 

Parou numa esplanada para almoçar qualquer coisa bem rápida e depois foi para a empresa, onde Helena, a sua chefe, já a esperava, provavelmente.

- Atrasada, como sempre! – Helena suspirava aborrecida – quantas vezes eu tenho que te dizer que…
- Sim, eu sei. Eu tenho horários e eles servem para serem cumpridos.
- Então se sabe porquê não o faz? E vem cá… a sua consulta não era só de manhã?
- Atrasou… - mentiu Lua.
- E como foram os resultados?
- Bons.
- Bons? – Helena encarou Lua – Bons e está com essa cara de morta?
- Você não queria que eu fosse trabalhar? Então é o que eu vou fazer! – Lua pegou na sua bolsa e foi para a sua sala.

Passou as semanas ignorando o óbvio. Se dedicou ao trabalho como não tinha feito nos últimos dias e depois do horário de serviço passava por uma loja de bebés para ver as novas coleções de roupa ou carrinhos e sapatinhos. 
Arthur estava radiante com a vida que levava com Lua. Ela estava mais dedicada e aparentava estar muito feliz. 

- 8 anos juntos? É isso mesmo produção? – ironizava Arthur antes de levar a taça de vinho à boca.
- Parece que sim. Parece mentira. – Lua riu – Parece que foi ontem que conheci o garoto mais baixinho do grupo popular do liceu.
- Parece então que foi ontem que conheci a mais tímida da claque.
- Que saudades desse liceu.
- O que será feito dele?
- E eu é que sei? – Lua encarou o marido – Já passamos por tanto.
- E apesar disso, eu vejo um futuro cada vez mais. Mas do seu lado.
- Bobo. – Lua sorria encantada – Eu quero viver para sempre do seu lado, também.
- Vamos dançar?
- Vamos.

Arthur foi mais rápido a se levantar da mesa, para ajudar a amada a fazer o mesmo. Foram para o centro da sala e ligaram o rápido com as músicas do predilecto Ed Sheeran. 

- A primeira dança dos três. – disse Arthur, olhando para a barriga de Lua – Primeira de muitas. Futuramente, vamos querer dançar aqui nessa sala mas não vamos poder porque terá um reguila de um lado para o outro tentando atrapalhar o romance. Certo?
- Certíssimo! – Lua gargalhou. Só Arthur a fazia sentir assim.

Darlin' I will be lovin' you
(Querida, eu te amarei)

Till we're seventy
(Até que tenhamos 70 anos)

Baby my heart could still fall as hard
(Amor, meu coração ainda se apaixonará tão fácil)

At twenty three
(Quanto quando tínhamos 23)

Arthur levantou a sua mão direita junto com a de Lua, enquanto esta pousava o rosto sobre o ombro dele. As cabeças estavam encostadas e o balançar da dança era o mesmo e bem coordenado. Arthur sempre foi bom na dança. Lua se sentia nas nuvens. Que mais poderia querer? Tinha trabalho, um marido que a amava mais do que ela o amava e um bebé. É o suficiente para uma mulher se sentir realizada nesta vida.

Mas de repente: uma dor. Uma coisa absurda, repentina e dolorosa. Nenhuma dor é boa, mas esta quase a impediu de respirar por segundos. 
Lua fechou os olhos e baixou um pouco caindo imediatamente no sofá. Arthur ficou sem reação e mais pálido que uma folha de papel. Só conseguiu sentar ao lado dela e apoiá-la. Ele estava desesperado e não sabia o que fazer para ela ficar melhor.

- Me conta a verdade. Eu te conheço e sei que você está me escondendo alguma coisa…
- Eu realmente… - gemeu de dor – Não te consigo esconder nada.
- Me conta. – ele implorou, segurando bem forte a mão dela
- Eleele voltou.
- O câncer?
- Sim… - assentiu triste
- Eu estou aqui.
- Ele veio atormentar as nossas vidas. Eu estou cansada. – choramingou – Quanto mais eu tento ser feliz, mais algo me puxa para trás.
- Isso é só uma maneira de… de a vida te fazer entender que você tem de lutar.
- Mas ainda mais?
- Sempre mais. E eu vou estar aqui, como sempre. tudo será mais fácil.
- E ele? – já se sentindo minimamente melhor, Lua sentou no sofá apoiada em Arthur e colocou a mão sobre a sua barriga.
- Ele… - suspirou – Ele é forte e irá se aguentar.
- Espero que sim… - lacrimejou novamente – Eu não quero perder ele.
- Você não vai perder. – Arthur a garantiu, mesmo não tendo total certeza.

Os novos resultados estavam prestes a sair e Lua andava em outro mundo de pensamentos devido a isso. Só o trabalho a fazia esquecer minimamente o assunto que tanto a atormentava.

- Mas vamos falar de algo que você gosta. – disse Helena, com um pouco de ironia, sua chefe e amiga.
- Trabalho?
- Bom, não. você não gosta tanto do trabalho como eu.
- Pois claro. Mas entenda que o trabalho não ficará para sempre com você. Ao contrário da família. Você devia casar Helena.
- Eu não tenho tempo para isso. Para mim, relações sérias não passam de sexo
- Sexo não é tudo!
- Para mim é! – Helena deu de ombros – Mas não vamos discutir isso. Eu quero te dizer que notei você empenhada nestes dias. Seguramente o bebé está te dando mais forças para trabalhar, não é mesmo?
- Sim… - Lua suspirou e por fim sorriu – Ele me dá forças para tudo.
- Ele? Já sabe o sexo e nem me contou?
- Não… é só maneira de dizer – Lua gargalhou – Mas fico feliz por se preocupar.
- É… Eu tenho sentimentos, sabe?
- Ainda te irei convidar para madrinha desse bebé.
- Não. – Helena riu forçado – Eu não me dou bem com crianças.


06 de Novembro, pelas 9h20 da manhã. 
Lua já estava no hospital e esperava impacientemente no corredor ao lado de Arthur, que havia faltado à faculdade de propósito para receber os novos resultados dos exames que Lua havia feito.
(Lembrando que os últimos tinham dando especulações de uma nova massa, câncer provavelmente).

- Lua Blanco?
- Aqui. – Aquela pergunta e resposta já era hábito de Lua. Apesar de não ser a primeira vez naquela posição, Lua ainda sentia um frio na barriga.
- Tudo vai dar certo! – disse Arthur antes de entrar no gabinete
- Eu sei. – Lua sorriu forçado. Antes de entrarem, deram um beijo de esperança.

No gabinete, Larissa, a médica, tinha os olhos cobertos de lágrimas. Não era a primeira vez que ela dava tal notícia a uma pessoa doente como Lua mas esta ia lhe custar devido à gravidez tão desejada.
Os resultados não eram os melhores e fizeram Lua ter uma crise de choro. Arthur, apesar de aparentar ser tão macho como é, chorou. Sim, os homens também choram quando sentem que a sua felicidade é ameaçada. E Lua, na vida de Arthur, é tudo!

- Eu só peço que se juntem neste momento tão doloroso quanto para um quanto para o outro. Eu sei que é difícil, mas se vocês forem fortes…
- É fácil falar. O câncer vai dar cabo da minha vida. Novamente. 
- Muitos doentes lidam com essa dor uma vida inteira e a você, Lua, teve a sorte de ter uma vez e curar. Porém, voltou. Mas você sabe que é forte e irá conseguir lutar… porém, terá de fazer uma escolha.
- Uma escolha?
- É… - Larrisa respirou fundo – Ou os tratamentos ou o bebé. 

Aqui a primeira parte para quem não se lembra leia aqui.
Amanhã eu finalizo. O que vocês acham que ela irá fazer? Optar pelo bebé ou os tratamentos do cancêr? 

10 comentários:

  1. o bebé,quando tiver perto de fazer o parto ela começar com um tratamento para ser forte na hora do parto, que poderia ser cesario, depois do bebê nascer, ela começar o tratamento se for possível.

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  2. Nem sei oq falar, estou sem chão. Muito emocionante, parabéns amor
    Sou sua fã baby
    Xx Mila Mozart

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  3. Acho q ela vai optar pelo bebê , e o thur vai ficar louquinho da vida , só de pensar em Perde ela Xx adaline

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  4. Olha,eu acho que a Lua devia escolher os tratamentos,que durariam uns 5 meses,ai,quando terminasse,um milagre aconteceria,o bebê não havia partido,só que com um porém,o bebê nasceria primaturo,e,depois de um tempo,voltaria a vida normal de uma criança

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  5. Chorosaaaaaa :'(
    Owm ela poderia fazer o trabamento e não perder p bebê.. É um presente que a vida lhes deram e se vai por conta desse mal q voltou :/
    Adoreeeeii amadona :D

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