"Certezas" - 1º Capítulo

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POV LUA

No capitulo anterior…

- NÃO DIZ ISSO! – Arthur gritou comigo – Quantas vezes eu tenho mais que te dizer que você é forte? Você aguenta isso e muito mais. – ele abraçou as minhas pernas – Eu não quero pensar num mundo sem Lua Blanco.
- Mundo sem Lua Blanco? – ri dele

- Sim, sem você. – Arthur olhou para mim – Minha marreta, minha doida, minha lerda. Você é forte e vai conseguir superar isso.
- Você me deixa tão iludida. – levantei – Eu não posso ficar assim. Eu tenho que me mentalizar que tenho 17 anos e que dentro de meses vou morrer. Tenho de me mentalizar que não vou poder fazer metade dos meus sonhos. – sem eu querer, comecei a chorar – Tenho que me mentalizar que nunca vou namorar, nunca vou ir para uma balada, nunca vou casar e, muito menos, ter filhos. Nunca vou ser feliz… - comecei a chorar sem parar.

Não que eu quisesse, mas o sentimento triste naquele momento era mais forte. Eu sentia o meu coração pulsar tão rápido e a minha respiração ficar tão descompassada, que por um momento eu vi tudo branco e logo depois vi alguns momentos marcantes da minha vida. Vi a chegada da minha irmã mais nova a casa; vi o momento em que conheci o Arthur; o momento em que fui a aluna mais brilhante da escola em três anos seguidos; vi momentos de família…

(…)

Minha cabeça ficou tonta. O negocio no meu braço estava me incomodando também. O meu corpo estava totalmente dormente. Eu queria abrir os olhos de uma vez, mas o efeito daqueles medicamentos eram mais fortes. O que tinha acontecido comigo?

- Ela vai acordar. Eu sei que vai. – dizia a minha mãe – Foi só um mau estar. O Arthur me falou que ela estava chorando e de repente caiu no chão. Os médicos dizem que ela vai acordar dentro de instantes. É só esperar.
- O Arthur disse que vinha para cá. – avisou a minha irmã
- Ele tem sido um óptimo amigo.
- Talvez o único. – Estrela suspirou
- De facto, como ele, a Lua nunca teve nenhum.
- Espero que fiquem juntos para sempre. – minha irmã acariciou a minha mão e aos poucos eu fui despertando.

A luz daquele quarto de hospital era mais forte do que qualquer coisa. Bom, na verdade, não era a luz do quarto e sim a luz reflectida de lá de fora, do sol. Este verão tem feitos temperaturas quentíssimas, um sol radiante… e eu aqui, fechada nesse quarto de hospital.

- Lua. – minha mãe soltou um sorriso escancarado quando me viu abrir os olhos – Minha linda. – ela passou a mão sobre os meus cabelos
- Dorminhoca, em maninha! – eu sorri de leve, mesmo sem vontade
- O Arthur? – foi a primeira coisa que eu disse
- Ele está vindo, não se preocupe. O médico daqui a pouco também vem até aqui, explicar melhor a razão do seu desmaio.
- Eu vou morrer. Aceitem de uma vez! – disse irritada
- Não volta a falar isso Lua Maria! – ordenou a minha mãe, com lágrimas nos olhos

Olhei para outro lugar que não elas. Odiava ver elas chorarem por mim.
Bateram duas vezes à porta e olhei pensando que era Arthur. Mas não, era o médico. Ele vinha com um rosto péssimo em nossa direção e com uma capinha de folhas na mão. Quando ele entrou, tivesse a sensação de ver mais alguém na porta.

- Precisamos de conversar. É sério e grave! – avisou ele

Ele começou a falar seriamente com a minha mãe, enquanto a minha irmã tentava me distrair com uma conversa boba sobre garotos. Eu não estava nem ai para a minha irmã nem para as suas conversinhas idiotas. Eu queria saber o que eu tinha. Eu tinha esse direito, pelo menos. O meu coração apertou quando ouvi o choro intensivo da minha mãe. Ela deu fortes passos largos até à porta e foi alcançada por alguém que lá estava. Conheci pelos braços, era Arthur. Agora, ambos choravam.

- Eu quero saber o que eu tenho, eu quero saber! – gritei, em modo de desespero – Eu estou farta dessa vida. Eu não aguento mais. Me dê algo para eu morrer de uma vez e acabar com todo esses desespero. Por favor, eu não aguento mais, eu não aguento… - comecei a tentar me soltar de todos aqueles fios, que nem uma louca.

Duas enfermeiras chegaram na sala de hospital em que eu estava agora, agarraram os meus braços e voltaram a me picar com algo para eu adormecer. Eu detestava quando me faziam aquilo. Mas diziam que era apenas para o meu bem. Antes de eu voltar a adormecer, me lembro de ver Arthur me olhando na porta, com o rosto todo vermelho de soro.

Era difícil viver certas cenas na minha vida. Quando descobri esta maldita doença, cheguei a fazer coisas doidas que podiam muito bem me ter levado para longe. Talvez tivesse sido melhor, do que ficar neste mundo de dor, fazendo sofrer as pessoas que mais amo.
Me cortei diversas vezes. Teve uma vez inclusive que tentei sofrer um atropelamento de propósito. Já comi o que não devia comer e já deixei de tomar medicamentos que eram a fonte da minha vida. Também já tomei em excesso, mas nada deu resultado.
Há cerca de dois meses, prometi ao Arthur que não ia voltar a fazer aquilo. Até hoje, não quebrei essa promessa.

De volta a casa. O médico me havia passado mais centenas de medicamentos para controlar a minha pressão, o nível médio do sangue e mais uma quantidade de coisas. Pedi à minha mãe que não gastasse dinheiro com coisas desnecessárias, mas ela foi mais teimosa do que eu realmente sou.

- Vem Lua, vem comer. Depois tenho de te dar algo para a tua febre baixar. Isso não é normal. – avisou a minha mãe
- O que não é normal é o facto de eu ter apenas 17 anos e tomar medicamentos como uma velha de setenta.
- O que você tem contra às velhas? – Arthur em encarou, quase me fazendo rir – Deixa de ser teimosa. Se a sua febre baixar, nós dois vamos sair hoje.
- Como se a minha mãe fosse deixar – dei de ombros
- Eu conversei com ela. Ela vai deixar. – Arthur sorriu pra mim, enquanto olhei pra ele confiante do que dizia.

Olhei pra minha mãe que concordou também e, pela primeira vez no dia, sorri verdadeiramente. Me levantei rapidamente para dar um abraço à minha mãe, mas acabei ficando um pouco tonta e caí no colo de Arthur. Ele me segurou, com os seus fortes braços e perguntou se eu estava bem.

- O que você acha? – o encarei

Estão achando legal? Amanhã tem mais!

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