Foi apenas obra do destino - 25º Capítulo

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POV ARTHUR

Eu e a Raquel estávamos a ser atacados com perguntas feitas por todo o mundo presente naquela sala. 
O pai de Lua não sabia se tacava com o vazo de flores em mim ou me jogava mesmo do terceiro andar da casa. Dona Blanco estava pálida, apenas olhando para mim, com a mão sobre a boca espantada. A dona da casa, amiga da mãe da Lua, estava sem entender nada. Isabel, estava chocada, mas com um sorriso de “vai ter briga? Eu quero!” no rosto. Lua, não estava calma, mas também não demonstrava raiva. Seus olhos estavam cobertos de lágrimas e mantinha os punhos fechados, enquanto mordia os lábios.

- Arthur, o que é isso? Vocês se conhecem? – Dona Blanco fez pergunta atrás de pergunta
- Mas ela não é a sua ex-namorada? – perguntou Isabel
- O quê? Ex-namorada? Como assim?
- Desculpem… vocês se conhecem mesmo?
- Calma… - pedi – Eu conheço sim a Raquel. Nós fomos namorados.
- Do verbo…? – Isabel queria que eu completasse
- Do verbo, não somos mais! – me afastei de Raquel
- E qual é a razão desse abraço tão longo e apertado? Olha aqui rapaz, se você pensa que vai… - ele já veio para cima de mim, apontando o dedo indicador na minha cara
- Pára pai! – Lua gritou – Chega de você se meter na minha vida. Que droga!
- Mas Arthur, o que você faz aqui? – Raquel me abraçou novamente – Você conhece eles? O senhor é meu patrão. São donos da clínica em que eu trabalho. Você veio atrás de mim, meu amor? – ela me abraçou novamente, mas eu tirei os seus braços de cima dos meus ombros
- Como é que é? – Lua a encarou, colocando os braços na cintura – Meu amor?
- Arthur, quem é ela? – Raquel pegou a minha mão e ficou do meu lado
- Ela é a Lua, filha do seu patrão… 
- Não esqueceu de nada não? – Lua me encarava, com cara de má
- Ela é também minha namorada
- Entendeu? Sou namorada dele! – Lua disse, encarando Raquel – Por isso, tira a mão de cima dele. – Lua me puxou para perto dela – A noite para mim, acabou. Vamos embora?
- Não, por favor, não. Eu tenho tanto para conversar com você… - disse Raquel, com um grande sorriso. – Eu tenho que te pedir desculpa meu amor. Naquele dia, eu não queria vir para cá sem nada te dizer, mas…
- Querida, você não entendeu não? – a interrompeu a Lua – Eu é que sou a namorada dele. Ele é que é o meu amor e eu sou o amor da vida dele. A gente se ama muito e não tem razão para você estar ai pedindo desculpas. 
- Querida – ela deu um passo em frente – Eu e o Arthur tivemos uma historia linda e essa historia, não acabou! – Raquel gritou, fazendo Lua se irritar. Eu peguei a mão dela
- Chega disso! Vamos embora. – pedi
- Agora você quer sair, é? Deixa primeiro eu acabar com…
- Acabar com anda! – a interrompi – Raquel, depois nós falamos, ok?
- Claro lindo! – ela sorriu para mim
- Com licença, estava tudo lindo, mas temos de ir embora.
- Mas Arthur…
- Não se preocupe dona Blanco. Nós vamos de táxi. Boa noite! – demos e saímos

Lua ia na frente toda irritada. Seu salto alto fazia um barulhão na calçada. 
Fazia um frio danado. Eu ia atrás dela, de mãos nos bolsos, de passo apressado, tentando acompanhar o passo dela. estava difícil!
Chegamos a uma praça de táxis e ela entrou no primeiro. Eu entrei também, me sentando ao seu lado. Depois de ela dar o destino dessa viagem, eu tentei conversar com ela, porém, foi tudo em vão. Ela me ignorava, dizia que conversávamos em casa e que precisava de pensar.

Chegando em casa, subiu para o seu quarto, trancando logo a porta. Eu fiquei uns 10 minutos batendo à porta, sem obter resposta do outro lado.

- Lua, não tem nada de mais! Eu juro! Eu não sabia que ela estava cá. Você conhece a minha historia e a dela, sabe como acabou e…
- Historia? Que historia? – percebi que a sua voz falhava. Ela estava chorando
- Lua, abre a porta, não chora, por favor. É natal amor!
- Vai chamar ao a ela. Não a mim! – Lua gritou
- Abre essa porta ou eu deito ela a baixo
- Meu pai vai adorar saber! – eu fiquei calado, mas ainda não me dava por vencido – Vai embora Arthur. Eu preciso de pensar 
- Eu não vou embora. Se você não abrir essa porta, eu durmo aqui. – sentei no chão e encostei a cabeça na porta – Está mó frio. Isso aqui é desconfortável, mas por você, acredite, eu faço tudo.
- VAI EMBORA AGUIAR! – ela gritou novamente, me fazendo assustar
- Pode gritar o que quiser. Enquanto você não abrir essa porta, eu não vou embora. – ela não disse nada – As noites são frias e o homem não foi feito para passa-las sozinho. – reclamei, ouvindo um risinho baixo do outro lado da porta – A nossa química é única. Se não for unida, vai causa destroços ao mundo como furacões e tempestades… você tem de abrir essa porta, agora!

Lua continuava sem abrir a porta. Eu estava sentindo o ventinho entrar por aquela blusa de malha vermelha, me causando frio. Eu me encolhi junto à porta, tirei do bolso a caixinha e cruzei os braços.

A minha noite de natal, foi passada na porta do quarto da Lua. 
Ela saiu discretamente, sem eu me aperceber, mas ao menos deixou uma manta para mim. Depois de acordar e abrir os olhos como deve de ser, reparei que a caixinha não estava mais ao meu lado.
Peguei a coberta e entrei no quarto da Lua. A porta estava entreaberta. Lua passava um creme no rosto, sentada da cama, de frente para o seu espelho. Eu me contorci com dores nas costas. 

- Viu o que eu faço por você? – continuava dobrando as costas e esticando os braços para aliviar aquelas dores
- Se você me ama como diz, é isso que tem de fazer. – ela continuava seria, sem me olhar – Estou desiludida com você.
- Eu? O que eu fiz? – sentei ao seu lado na cama, mas ela se levantou. Pegou o meu celular e jogou para o meu colo
- "Bom dia amor, podemos conversar hoje? Feliz natal! Espero poder falar o mais depressa possível com você, eu sei que a gente vai voltar!" – Lua fez um voz irritante, supostamente imitando a Raquel, que me enviava mensagens no whatsapp a manhã inteira – Ainda para mas, você trocou mensagens com ela ontem. Você é um traidor, você é uma desilusão! – ela bateu no meu braço
- Lua, por favor…
- Era isso que você me escondia ontem. Não era? 
- Eu não te escondia… não queria apenas que você visse, para não ficar nesse estado. – me levantei e levantei também a voz com ela – É o nosso primeiro natal juntos e sabe como eu passei esse natal? Triste! Triste, porque pensei que ia ser diferente e não está sendo. Pensei que a gente ia voltar da casa da amiga da sua mãe e eu ia te pedir em namoro e logo você ia aceitar. Pensei que íamos fazer amor a noite inteira e no dia seguinte, eu te acordava com beijos. Mas não! Você preferiu não me ouvir, não me entender e fazer essa merda toda! – peguei o meu celular
- Arthur…
- Cara, vou tomar banho! – bati com a porta do seu quarto

Hoje tem mais um!!
Era suposto eu postar este ontem, mas a minha mãe desligou o wi-fi -.-

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