Little Anie
Parte Cinco
!!!! (s.f.)
[...] é o tom da saudade que sinto de você.
[...] é o som que faz meu coração quando
lembra que logo mais eu vou te ver.
é ser amado(a) em voz alta.
– akapoeta
Pov Lua
Londres | Sábado, 21 de outubro – 8h30 da manhã
– O meu papai ainda não ligou... – Anie disse mais uma vez. Faz uns trinta minutos que acordamos e essa foi a primeira coisa que ela perguntou.
– Ele mandou mensagem, filha. Eu já li para você. – Respondi em meio a um bocejo.
– Lê de novo, mamãe... – Pediu se aproximando de mim. Sorri.
Ainda era madrugada quando Arthur me enviou uma mensagem avisando que eles já haviam chegado em Bruxelas e que era para eu ligar assim que acordasse.
– O que você acha de visitarmos os seus avós em Bibury? – Mudei de assunto.
– Sem o meu papai?
– Sim, meu amor. Só nós duas. O seu pai está viajando. Não tem como ele ir com a gente.
– Mas... – ela se aproximou ainda mais de mim – o meu papai já sabe?
– Por que você acha que o seu pai sempre tem que saber de tudo? – Indaguei curiosa.
– Porque ele é o meu papai e o seu namorado. – Disse simplesmente. – Quando ele sai, ele sempre diz pra gente.
– Ai meu Deus, que garotinha mais puxa-saco do papai... – Zoei.
– Eu amo o meu papai. – Ela disse toda carinhosa.
– Eu sei e ele também te ama muito, meu anjo. – Afirmei. – Mas o seu pai já sabe da nossa ida a Bibury.
– Ele deixou?
– Querida, eu não pedi a ele para irmos. Eu apenas avisei. Pedir e avisar são coisas totalmente diferentes. – Expliquei calmamente. – Eu também sou sua mãe. Você pode viajar comigo tranquilamente.
– Mamãe... eu sei.
– Não está parecendo. – Semicerrei os olhos. Anie riu e me deu vários beijos no rosto.
– Eu amo você, mamãe...
– Eu também te amo, filha. – Retribui o carinho dela. Anie se afastou um tempo depois e pegou o meu celular.
– Mas a gente pode ligar. O meu papai vai gostar... ou será que ele ainda tá dormindo?
– Acredito que não, filha. Lá também já é de manhã. – Contei.
– Então a gente já pode ligar. Eu tô ansiosa!
– Eu vou ligar, mas eu não quero que você fique chateada caso ele não atenda. Ele pode estar ensaiando agora. Já são quase dez horas da manhã lá.
– Tá bom, mamãe. Eu vou entender.
– Tudo bem… eu vou ligar.
Eu peguei o celular da mão dela e cliquei no número de Arthur. Chamou umas três vezes até ele atender a ligação.
Ligação ON
– Uuhm… então agora que a minha esposa resolveu ligar? Não me diz que estava dormindo até essa hora? – Posso imaginar que ele está segurando o riso.
– Engraçadinho… mas sim, me permiti dormir até agora. – Confessei. Ele soltou a risada.
– Você tem esse direito, gatinha. Está tudo bem? Dormiram bem?
– Estamos bem. – Respondi.
– Mesmo? – Ele insistiu.
– Sim.
– Uuhmm… – Pareceu não acreditar, talvez por conta do meu tom de voz.
– Tem uma garotinha querendo muito falar com você… já acordou querendo que eu te ligasse. Vou passar para ela que, segundo ela mesma, está muito ansiosa.
– Só a minha filha mesmo para sentir saudades de mim…
– Ai que drama! – Falei antes de entregar o celular para a nossa filha. – Já pode falar com o seu papai.
– Meu papai! – a pequena exclamou. – Sabia que eu já tô com muita saudade?
…
– É de verdade, papai!
…
– Eu também. Um montão!
…
– Sabia que eu dormi com a minha mamãe aqui na cama?
…
– É. Eu vou dormir aqui até quando o senhor voltar de viagem. – Contou.
…
– Não. A minha mamãe deixou. Ela também gosta de dormir comigo. – Disse. – Comigo e com o bebê. – Acrescentou.
…
– Eu amo dormir com a minha mamãe. Mas, papai, eu tô contando os dias… faltam só três. – Ela disse e mostrou os dedos como se ele pudesse ver.
…
– É, só três. Eu sei.
…
– Papai!
Se Arthur ganhasse algum dinheiro a cada “papai” que Anie chama, ele não precisaria fazer shows por um bom tempo.
…
– A minha mamãe disse que nós vamos visitar o vovô John e a vovó Emma. O senhor já sabia?
…
– A minha mamãe falou mesmo. O senhor deixou?
Questionou e eu a encarei de cenho franzido.
– Eu já expliquei que o seu pai não precisa deixar eu ir visitar os meus pais. – Repeti. Anie me encarou. Talvez Arthur tenha escutado.
…
– Eu sei, papai. A mamãe já me explicou.
…
– Tá. Eu vou passar pra ela. A gente pode ligar depois?
…
– Tá. Eu vou ligar! Eu vou ligar todo dia! – Prometeu. – Duas vezes, papai! – Riu.
…
– Eu te amo, meu papai.
…
Anie me entregou o celular.
– Não sei o que a faz pensar que você precisa da minha autorização para fazer as coisas. – Se justificou.
– Eu acredito que ela confunda com o fato de que é ela quem precisa da sua e da minha autorização para fazer qualquer coisa. – Expliquei. Arthur riu.
– Sabe que é isso mesmo, loira.
– Você pode tentar conversar com ela novamente sobre esse assunto. Já falei bastante. – Revirei os olhos como ele estivesse me vendo.
– Quando eu chegar em casa, nós conversaremos. – Afirmou. – Mas sobre a viagem… você decidiu mesmo que vai?
– Sim. Não quero ficar aqui sozinha com ela. Se ao menos as meninas estivessem aqui.
– Elas já foram?
– Não. Só depois do almoço.
– Uhm… entendi. – Disse. – Amor, eu quero te pedir uma coisa, mas não quero que fique chateada. É só preocupação mesmo… – Começou a explicar. Já até imagino o que seja. – Não quero que você vá dirigindo para Bibury. Eu sei que não é uma viagem muito longa. Mas é final de semana, essa rodovia fica tão movimentada, Luh e você não é acostumada a dirigir assim. Eu prefiro que você peça para o John vir buscar vocês.
– Eu sei, amor…
– Não é que eu não confie em você no trânsito. Não é isso.
– Eu entendi, amor. – Assegurei. – Pode ficar tranquilo. Eu vou ligar para o meu pai. Eu tenho certeza de que ele virá nos buscar.
– Eu também tenho certeza, meu amor. E isso me deixará mais despreocupado. – Afirmou. Ri.
– Eu te aviso assim que tiver a resposta dele.
– Vou ficar esperando. Agora… quero saber como o meu garotinho está. – Disse.
– Está bem. Me deixou dormir tranquilamente ontem à noite. – Contei e passei uma das mãos sobre a barriga. – Acho que me levantei só umas duas vezes para ir ao banheiro.
– Estou com tanta saudades de vocês, Luh. Meu Deus! Parece que fazem semanas que não nos vemos.
– Nós também estamos com saudades de você. – Confessei. – A primeira coisa que Anie perguntou, foi se você já tinha ligado. – Contei. Arthur riu.
– O voo foi bem tranquilo. Na verdade, pra mim, a maioria dos voos noturnos são tranquilos.
– Você sabe que eu não gosto de voos noturnos.
– Você é medrosa, gatinha.
– Como foi a recepção de vocês aí em Bruxelas?
– Digamos que calorosa. – Começou. – Não estávamos esperando fãs na frente do hotel, amor. Nem avisamos o horário do voo e eles acabaram descobrindo. Eles descobrem tudo!
– Vocês gostam!
– É, isso eu não posso negar. – Confessou. – E eles foram bem carinhosos. Não teve nenhuma situação fora do normal.
– Isso é melhor ainda, meu amor. Te ver e sentir você feliz também me deixa muito feliz.
– Eu sei, Luh e eu te digo o mesmo. A tua felicidade sempre será a minha. – Declarou. Sorri. Eu o amo tanto.
– Você não tem esse direito… – Sussurrei e ouvi um riso.
– Claro que eu tenho. Você sabe que é verdade!
Nós ficamos um tempo em silêncio. Se eu falar algo, vou começar a chorar e ele sabe disso.
– Ei, quando você falar com o John, eu quero que me avise, tá? – Mudou de assunto. – Assim vou ficar menos preocupado com vocês. Não esquece do Bart.
– Eu não vou esquecer, Arthur. – Garanti.
– Eu preciso desligar, Luh. Daqui a pouco temos uma entrevista na rádio.
– Tudo bem. Uma boa entrevista para vocês e um excelente show.
– Obrigado, meu amor. Eu te amo, Luh.
– Eu também te amo.
Ligação OF
– Agora o que nós vamos fazer, mamãe?
– Vamos levantar, tomar banho, tomar café da manhã…
– Só isso?
– E você acha muito pouco? – Indaguei me sentando na cama.
– Sim, mamãe. Eu quelo fazer coisas divertidas! – Exclamou me seguido até o banheiro.
– Coisas divertidas? E que coisas seriam essas? – Entrei no banheiro.
– Ora, pode ser no shopping, no parque de correr, mamãe… ou de binquedos!
– Um parque de diversões? Filha, estamos em outubro. – Ri e Anie ficou sem entender.
– Eu vou ligar para o seu avô e perguntar se ele pode vir nos buscar, para irmos a Bibury, que tal?
– Pode ser, mamãe. – Ela concordou, embora não parecesse tão animada. – O meu papai vai nos encontrar lá?
– Não, filha. Ele está trabalhando. Não vai nos encontrar. E se formos, voltaremos amanhã. – Expliquei.
– Por que, mamãe?
– Porque eu trabalho e você estuda na segunda-feira.
– A gente pode faltar!
– Hahaha… não, não podemos não. – Neguei. – Tira o pijama, vamos tomar banho.
Nós tomamos banho, escovamos os dentes, nos vestimos e fomos para a cozinha tomar café.
Horas depois…
Nos arrumamos para ir a Bibury. Já almoçamos e as meninas já foram visitar a família delas. Mais cedo eu liguei para o meu pai para saber se ele poderia vir nos buscar. A resposta foi sim. Já avisei o Arthur e já separei as roupas que vamos levar e, também, a ração e alguns brinquedinhos do Bart. Não é a primeira vez que ele viajará, já o levamos para Brighton, mas desta vez o Arthur não estará conosco.
– Mamãe?
– Sim, filha.
– A gente pode levar mais esse brinquedo do Bart?
– Não, meu amor. Já estamos levando três. Amanhã voltamos para casa. Ele não vai precisar de tudo isso.
– É que ele gosta muito de brincar.
– Eu sei, querida. – Sorri. – Mas não vamos levar.
– Tudo bem. Então que horas nós vamos?
– Mais tarde – olhei para o relógio em meu pulso –, em menos de uma hora.
– É mais legal quando o meu papai tá aqui… – Disse enquanto se sentava no sofá. – Tudo é mais legal. – Afirmou.
– A é? Então quer dizer que comigo tudo é chato?
– Não, mamãe. Eu não falei isso. – Ela sorriu e se jogou no meu colo. – É legal também, mas é difelente, mamãe.
– Ok. Talvez eu tenha entendido… – Respondi.
– O bebê me chutou, mamãe! – Anie se afastou um pouco espantada. Ri.
– Filha – passei a mão onde o bebê havia chutado –, ele não te chutou. Ele chutou a minha barriga. É assim mesmo. Bebês fazem esses movimentos.
– Dói? – Ela ainda está confusa. É a primeira vez que ela o sente.
– Não, filha. Ele não tem tanta força assim. Ele só está se mexendo. Bebês se mexem bastante. – Expliquei e olhei novamente para o relógio.
– Todos os bebês?
– Digamos que a grande maioria. Na verdade, todos os bebês que são saudáveis, meu amor. – Sorri. – Você mexia muuuitooo mais que ele. – Apertei uma de suas bochechas. Anie riu alto.
– Doía?
– Não, filha. Não dói. Às vezes é só um pouco desconfortável. – Assegurei. – Mas está tudo bem. Você não precisa se preocupar. – Acrescentei. – Que tal você chamar o Bart? – Mudei de assunto. – Já, já o seu avô está chegando.
– Tá bom! – Ela correu até a cozinha. – Tem que colocar a coleila, mamãe?
– Ainda não, filha!
*
A campainha tocou. Me levantei do sofá para abrir a porta. Anie está brincando com Bart perto da escada. Há alguns minutos, Arthur me mandou uma mensagem perguntando se já havíamos saído de casa. Respondi que não e que o meu pai já estava a caminho.
Eu caminhei até a porta e a abrir, encontrando meu pai sorridente diante dela.
– Boa tarde, meu amor! – Disse ao abrir os braços e me abraçar. – Como você está linda, filha. – Disse carinhosamente logo em seguida.
– Boa tarde, pai. Obrigada! – Eu também sorri. – Entre… eu estava com saudades…
– Eu também, filha. – Ele sorriu outra vez. – E você, meu anjinho? – Disse ao avistar a neta. Anie veio correndo para os braços dele. – Hahaha… o vovô também sentiu saudades de você. – Lhe deu um beijo na testa.
– Eu senti um montão. Parece que fazem muitos e muitos dias que a gente não se vê… – A pequena respondeu me fazendo sorrir da maneira fofa que ela havia falado.
– Tenho a mesma sensação, pequena. – Meu pai concordou.
– A gente já vai?
– A hora que vocês estiverem prontas!
– Nós já estamos, não é, mamãe? – Ela me olhou.
– Sim. Só vamos pegar as bolsas. – Avisei.
– Deixa que eu ajudo você. – Meu pai se dispôs. – Se o Arthur souber que eu deixei você carregar alguma mala, ele nunca mais confia em mim para viajar com vocês. – Completou. Comecei a rir.
– Aaaah, pai…
– Estou mentindo?
– Não é bem assim. – Defendi o meu marido. Meu pai pegou a mala com as minhas coisas e a da Anie – estamos levando apenas uma. Peguei uma sacola com a ração e os brinquedos do Bart. Anie está com a coleira e a guia dele em mãos.
– Já precisa colocar a coleila nele, mamãe? – Me perguntou. Meu pai levou a mala para o carro.
– Sim. Vem aqui, Bart. – O chamei.
Ele não dá tanto trabalho para colocar a coleira, porque sabe que vai sair quando a colocamos nele.
– Bom garoto! – Fiz carinho em suas orelhas assim que coloquei também a guia. – Eu espero que você também seja um bom garoto durante a viagem.
– Ele vai ser, mamãe. Ele é obediente! – Anie assegurou.
– Tudo bem. Vamos ver…
Eu fui até a cozinha e verifiquei se a porta estava fechada e depois voltei para a sala. Peguei a minha bolsa e as chaves de casa.
– Precisamos pegar a sua cadeirinha no carro. – Avisei enquanto saímos de casa. Meu pai está nos esperando na garagem. – Já pode colocar o Bart no carro, pai. Só vou pegar a cadeira da Anie aqui… – Apontei para o carro do Arthur.
– Tudo bem. Vamos lá, Bart! – Meu pai chamou o cachorro que o seguiu.
Eu destravei a porta do carro, abri, peguei a cadeirinha, depois fechei e ativei o alarme do carro. Carla e Carol só voltarão na segunda-feira de manhã.
Coloquei a cadeirinha no carro do meu pai, Anie entrou, coloquei o cinto e depois entrei, me sentando no banco do passageiro ao lado do meu pai e rumamos para Bibury.
Duas horas e meia depois…
Mais de duas horas de viagem, três mensagens do Arthur e uma ligação. Parece que os londrinos resolveram passar o final de semana em Bibury ou em distritos próximos. Nunca demoramos tanto para chegar aqui.
Anie dormiu durante a viagem. E Bart se comportou muito bem. Fizemos duas paradas para dar água a ele e levá-lo para fazer xixi.
– Pronto! Agora você já pode ligar para o Arthur e avisar que já chegamos em segurança. – Meu pai comentou enquanto terminava de estacionar o carro.
– Sim. Ele vai ficar aliviado. O conhecendo, já deve estar preocupado.
Fui terminando de falar e o meu celular começou a tocar. Sorri ao olhar para a tela.
Ligação ON
– Oi.
– Já chegaram? Espero que você não fique chateada por eu estar ligando tanto.
– Eu conheço o marido que eu tenho, querido. – Respondi e ouvi sua risada. – Nós acabamos de chegar. Ainda nem saímos do carro. E o meu pai já tinha falado para eu te ligar e avisar que chegamos. – Contei.
– Graças a Deus, querida. Eu já estava preocupado, não vou negar. Nunca demorou tanto… e olha que já fomos a Bibury incontáveis vezes. – Lembrou. Concordei.
– Sim. Eu pensei a mesma coisa. Mas já chegamos. Você já pode ficar despreocupado…
– Só quando eu estiver do teu lado. – Pontuou.
– E às vezes nem assim… – Lembrei.
– É que eu tenho uma esposa diferenciada. – Brincou.
– Engraçadinho!
– Mas que eu não troco por nenhuma outra nessa vida. – Acrescentou. Sorri como se ele pudesse ver, mas ele deve imaginar. – Eu vou deixar você aproveitar a sua viagem, meu amor. E você também pode me ligar a hora que quiser, tudo bem?
– Tudo bem, Arthur. Só não quero atrapalhar.
– Não vai, Luh. Não pensa assim. Pode ligar. Qualquer coisa mesmo. Fico tão mais preocupado quando estou longe assim. – Confessou. E eu imagino o porquê.
– Vai ficar tudo bem dessa vez. Eu prometo. Você não terá nenhuma surpresa.
– Meu pensamento está em você o tempo inteiro. Eu só quero que saiba disso.
– Eu sei. – Assegurei. – Eu te amo!
– Eu te amo! – Arthur também se declarou. – Vou desligar. Vou aproveitar e tirar um cochilo. Daqui a mais ou menos duas horas vamos passar o som.
– Tudo bem. Desejo que façam um excelente show. Eu sempre estarei torcendo por vocês.
– Eu sei que sim, meu amor. Um beijo. Um beijo para a Anie e um beijo para o nosso garotinho.
– Muitos beijos, meu amor.
Ligação OF
Bibury | 17h20 da tarde.
– Você quer comer alguma coisa, filha? – Minha mãe me perguntou. Anie está brincando com Bart e o Luck – o cachorrinho dos meus pais.
– O que tem para comer, querida? – Meu pai perguntou à minha mãe.
– Fiz crumpets. Tem geleia de uva, de morango e também tem manteiga, se você preferir – minha mãe se voltou para mim –, tem chá e suco de uva.
– Eu vou comer com geleia de uva e um pouco de suco. – Respondi.
– Vamos até a cozinha. – Minha mãe nos convidou.
– Você vai querer comer alguma coisa, filha?
– O que tem, mamãe?
– Crumpets com geleia de morango, que você adora. – Contei. Anie sorriu animada.
– Eu adolo mesmo! – Afirmou. – Eu vou queler! – Disse e caminhou conosco até a cozinha. – Tem válios, vovó?
– Filha, por favor. – Chamei a atenção dela. Meu pai riu. Mas quando era eu e a Sophia, ele fazia o mesmo que eu.
– Tudo bem, Luh. Você pode comer quantos quiser, meu anjo. – Ele autorizou.
– Mas eu não fiz nada de mais, mamãe. – Ela se defendeu.
– Você não pode fazer esse tipo de pergunta. Você vai comer dez? – Perguntei e ela negou. – Então não importa a quantidade. Você não está em casa. – Expliquei.
– Você não precisa brigar com ela por isso.
– Pai, eu não estou brigando. Estou conversando. Anie sabe quando estou brigando com ela.
– John, o que você fala para mim? “Emma, não se meta.” A mesma coisa eu te digo. Deixa que Lua sabe como educar a Anie.
– Mas o que foi que eu falei de mais? – Meu pai perguntou.
– Uuuhm… – minha mãe resmungou e colocou os crumpets sobre a mesa. – Vou pegar as geleias.
– O meu papai não briga assim…
– O seu pai falaria a mesma coisa. – Falei. – Não venha dizer que não.
– Você fazia do mesmo jeito quando tinha a idade dela, filha. Quando era eu que brigava ou quando era o seu pai. Então, Anie se parece mais com você do que você pode pensar. – Minha mãe disse e eu revirei os olhos. Embora saiba que Anie é uma mini cópia minha. Ela colocou as geleias e o suco sobre a mesa. Começamos a nos servir.
Pov Arthur
Ancienne Belgique (AB) | Bruxelas – Bélgica
A casa de shows está lotada. Fazia pouco mais de um ano e meio que não fazíamos shows aqui. Os fãs parecem empolgados. Isso nos deixa felizes. Nós estamos em um momento muito bom da banda e conseguir retribuir todo esse carinho é muito gratificante.
– Vocês já viram como está lotado? – Nick veio nos perguntar. – Não era para ser surpresa. Os ingressos foram esgotados em três dias. Ainda sim, estou surpreso. – Ele sentou-se em uma poltrona e sorriu. – Vocês estão gatos demais!
– Sai fora, Nick. – Chay jogou uma toalha de rosto nele.
– Onde você passou essa toalha?
– Se eu te contar…
– Olha que eu vou cheirar…
– Cara, que nojo! – Exclamei.
– Vocês são mais frescos do que eu. Não sei como ainda transam! – Ele levantou-se da poltrona. – E ainda fazem filhos. – Completou.
– Eu não! – Harry ressaltou.
– Você e mais um pouco de insistência eu te pego! – Nick afirmou e Harry riu alto.
– Eu sinto muito em te decepcionar, mas isso jamais vai acontecer, pode ter certeza absoluta! – Harry garantiu.
– E o que uma coisa tem a ver com a outra? – Micael perguntou.
– Vocês são cheios de “ai, isso”, “ai, aquilo”... Meu Deus! Eu que sou o gay aqui! Têm nojo de tudo como se não fizessem coisas piores, que eu sei!
– Coisas piores tipo? – Instiguei. Certamente sairá alguma baixaria.
– Sem tipo! Dez minutos para a entrada de vocês. – John chegou cortando o clima.
– Mas pai…
– Harry, eu só acho que é cedo demais pra você começar a testar a minha paciência. – John o avisou e Harry foi abraçá-lo.
– Cara, eu sei que você me ama!
– Eu não tenho tantas alternativas.
– Hahaha… pode negar a vontade. – Ele acabou beijando no rosto do John.
– Harry! – Começamos a rir quando John tentou revidar com um soco. – Você me paga!
– EU TE AMO! – Ele gritou.
– Você já gritou assim para a Marie? – Nick provocou.
– Você parece um eterno adolescente. – John reclamou.
– Parece? – Micael insistiu.
– Cinco minutos! – John chamou a nossa atenção. – Espero que todos estejam prontos.
– Estamos. – Todos nós falamos juntos.
Nós já conseguimos ouvir os fãs gritando o nome da banda e também os nossos.
Eu estou empolgado e, ao mesmo tempo, com muitas saudades da Lua, dos meus filhos, de casa. Estar com eles me faz perceber que tudo faz mais sentido e os momentos se tornam ainda mais especiais.
Peguei o celular, mas não tem nem uma mensagem ou ligação da Lua. Espero que elas estejam aproveitando, se divertindo e que Emma não faça nenhum comentário que entristeça ou aborreça a própria filha.
– Dois minutos! – John voltou a nos lembrar.
– Vou subir! – Nick avisou. – Já colocaram aqui tudo o que vão precisar?
– Sim. – Respondi.
– Eu também. – Chay disse em seguida.
– Harry, já colocou os fones?
– Tudo ok, caro, John. – Harry bateu continência.
– Então vamos subir.
Chay e Micael foram na frente. Deixei o meu celular com o John. Já o avisei, se caso Lua ligar, que ele poderá atender.
Os primeiros acordes de All About You foram tocados. Sorri. É incrível como o frio na barriga não passa. É como se fosse a primeira vez e já faz mais de dez anos que subimos no palco.
– BOA NOITE, PESSOAL!
Nossa empolgação é quase palpável. Harry pegou as baquetas e bateu nos pratos e depois nos tambores. Os fãs começaram a gritar e entoar as primeiras letras de All About You.
É tudo sobre você ( é tudo sobre você)
It's all about you (it's all about you)
É tudo sobre você
It's all about you
Ontem você me perguntou
Yesterday you asked me
Algo que pensei que você sabia
Something I thought you knew
Então te disse com um sorriso
So I told you with a smile
É tudo sobre você
It's all about you
[...]
– É SEMPRE UM PRAZER ESTAR AQUI COM VOCÊS!
– OBRIGADO POR TUDO! VOCÊS SÃO INCRÍVEIS!
Os acordes de No Worries foram iniciados.
No Worries foi uma música que escrevi para a Lua – o que não é surpresa, já que mais da metade de todas que já escrevi na vida, são para ela –, não é a mais recente. Eu escrevi antes de nos separarmos e cheguei a pensar que não teria mais a oportunidade de cantar para ela.
Todas as vezes que eu a canto nos shows, me lembro da primeira vez que cantei. Foi um dos dias mais tristes da minha vida. De fato, pensei que seria a primeira e a última vez. Lua não queria saber de mim, evitava qualquer assunto sobre nós dois. Só falávamos sobre a nossa filha. Foi uma fase muito incerta. E chegar aqui hoje, cantando essa música, nem sei quantas vezes depois de termos nos reconciliado, me faz ter a certeza de que valeu demais não ter desistido do meu casamento. Mesmo quando todos os acontecimentos não eram favoráveis para mim.
Sorri antes de começar a cantar a primeira frase da música. Às vezes chego a pensar se realmente mereço tudo o que estou vivendo.
Nós corremos por campos de morango e cheiramos o verão
We ran past strawberry fields and smelt the summer time
Quando ficar escuro eu vou abraçar seu corpo perto do meu
When it gets dark I'll hold your body close to mine
Então nós vamos achar madeira e como vamos construir uma fogueira
And then we'll find some wood and hell we'll build a fire
E então vamos achar corda e fazer um violão
And then we'll find some rope and make a string guitar
Cativado pelo jeito que você está essa noite a luz está dançando em seus olhos
Captivated by the way you look tonight the light is dancing in your eyes
Seus doces olhos
Your sweet eyes
Tempos como esses nós nunca esqueceremos
Times like these we'll never forget
Ficar fora para assistir o pôr-do-sol
Staying out to watch the sunset
Estou contente que compartilhei isso com você
I'm glad I shared this with you
Porque você me libertou
You set me free
Me mostrou quão boa minha vida podia ser
Showed me how good my life could be
Como isso aconteceu comigo?
How did this happen to me?
[...]
Não só eu como os outros caras, nos sentimos vivos quando subimos no palco. A emoção é real e grande. É difícil pôr em palavras.
Depois de No Worries, seguimos com Star Girl. Que outra vez, eu não poderia ter escrito para outra pessoa. Lua é a inspiração da minha vida.
Hey, eu estou procurando minha garota estrela
Hey, I'm looking up for my star girl
Eu acho que estou preso nesse mundo maluco
I guess I'm stuck in this mad world
As coisas que eu quero dizer
The things that I wanna say
Mas você está a milhões de quilômetros de distância
But you're a million miles away
E eu estava com medo quando você me beijou
And I was afraid when you kissed me
[...]
Fazer shows sempre foi o segundo motivo da minha felicidade. Porque o primeiro é a Lua. Depois veio a Anie e agora o Ravi. E ainda sim, não me importo com a posição que a minha profissão tem na vida. Eu sempre entrego o meu melhor. A minha felicidade e a minha gratidão não conseguem ser medidas quando estou fazendo o que eu amo. Eu jamais conseguiria pôr o meu trabalho acima da minha família e me sinto tão culpado quanto penso que muitas coisas fugiram do nosso controle quando eu estava longe.
Meu medo ainda permanece o mesmo: está longe outra vez se acontecer algo.
A noite está linda. Estou me sentindo tão feliz. Eu precisava recarregar as minhas energias desse jeito que só os shows e os fãs podem proporcionar.
*
Nós terminamos o show há alguns minutos e descemos para o camarim. Estou muito cansado e feliz na mesma proporção. Nunca serei grato o suficiente por viver o sonho que eu sempre quis. E melhor ainda, ao lado dos meus amigos.
John me entregou o meu celular assim que saí do palco.
– Lua ligou?
– Não. Apenas enviou uma mensagem. Li, porque você pediu, mas não respondi. Não era urgente. – Ele explicou. Assenti e agradeci em seguida.
– Obrigado!
Me afastei um pouco para ler a mensagem.
Mensagem ON
“Boa noite, amor. Eu sei que você deve estar no show. Não quero atrapalhar. Me liga assim que puder.”
“Desejo que tenham feito um excelente show.”
“Eu te amo!”
“Estou com saudades…”
“Anie está esperando você ligar.”
“Não se preocupe. Estamos todos bem.”
Mensagem OF
Sorri. Espero que elas ainda estejam acordadas. Não é tão tarde assim e Bruxelas está adiantada apenas uma hora do horário de Londres.
Ligação ON
– Oi. Torci para que estivesse acordada. – Confessei e Lua soltou um riso baixo.
– Eu já estava cochilando. – Contou.
– Anie dormiu?
– Sim. Faz mais ou menos meia hora. Ela está cansada. Brincou bastante.
– Vocês estão bem?
– Sim. Está tudo ótimo. Na verdade, só falta você.
– Em mim também falta você. – Falei. Lua riu. Ri junto. – É estranho, Luh… porque a cada viagem a tendência era nos acostumarmos. Mas eu sinto cada vez mais a falta de vocês, de casa…
– É porque nós somos felizes, Arthur. Mesmo com muita coisa acontecendo… – Disse e eu concordo. – Você já está no hotel?
– Não. O show encerrou há alguns minutos. A primeira coisa que fiz foi ver se você tinha ligado. – Contei. – Mas já, já vamos para o hotel. Estou tão cansado. O show foi incrível, Luh. Perfeito!
– Que bom, Arthur. Eu fico tão feliz de saber e sentir que você também está. Vocês merecem!
– Obrigada, meu amor. – Ficamos alguns segundos em silêncio. – Luh, eu preciso desligar. Já vamos voltar para o hotel. E eu quero que você descanse. Vocês vão voltar para casa amanhã que horas?
– Logo depois do almoço. Não quero que seja no final da tarde. Não quero chegar à noite em casa. – Ela bocejou.
– Você faz bem, amor. E vou ficar menos preocupado quando souber que vocês já estarão em casa. – Confessei. – Quando Anie acordar, diz que eu deixei um beijo. Que eu estou com muitas saudades e que quando eu chegar, nós vamos fazer o programa que ela quiser. – Promenti. Lua riu.
– Você sabe que ela vai cobrar.
– Sim. – Eu também ri. – Vou fazer o que você quiser também.
– Uuuhm… eu gosto dessa parte!
– Hahaha… eu te amo tanto. E, eu não esqueci do meu garotinho. Estou com saudades de senti-lo chutar. Ele já deve ter crescido.
– Não tanto assim, amor. E eu tenho certeza de que ele também está sentindo a sua falta.
– Amanhã eu quero uma foto de vocês. Uma foto do Bart também.
– Pode deixar. Vamos te atualizar.
– Vou esperar. Fica bem, meu anjo. Qualquer coisa sabe que pode me ligar. Não importa a hora. Não esqueça disso.
– Eu sei, amor.
“Vamos logo, Aguiar!”
“Já estou indo.”
– Meu amor, boa noite. Eu te amo, te amo, te amo.
– Arthur, você tem o meu coração. – Lua declarou. Sorri emocionado.
Lua não precisa dizer que me ama com todas as letras. Ela já me deu o coração e sei que não entregaria a qualquer pessoa.
– Eu não preciso de mais nada. – Falei. Sei que ela sorriu. – Um beijo.
– Um beijo. Me manda uma mensagem quando chegar no hotel.
– Aviso sim.
– Tchau!
– Tchau!
Ligação OF
Pov Lua
Nos despedimos e eu guardei o celular. Bart está dormindo conosco no quarto, do lado da cama. Me levantei e peguei o creme para passar na minha barriga. Tenho hidratado-a com muita frequência. Quero evitar ao máximo as estrias. Eu sei que elas podem surgir, que é normal, mas se eu posso evitar, vou me empenhar para isso.
Há algumas semanas Arthur comprou um creme específico para evitar estrias na gravidez, depois de eu ter reclamado que já estava enjoando o cheiro de amêndoas. Esse novo tem um fundo de abacate e maracujá. Eu ainda não consegui identificar qual aroma predomina mais. Mas a sensação de enjoo cessou.
Terminei de passar o creme na minha barriga e nas minhas coxas e fui me deitar. Anie está dormindo profundamente. Ela brincou bastante com os cachorros. Na verdade, os três terminaram o dia exaustos.
De manhã…
– Acorda, meu amor… – Sussurrei. Acordei há alguns minutos. Anie está se mexendo na cama, mas ainda está de olhos fechados. Daquele jeito mais manhoso que ela consegue fazer. – Se você continuar com preguicinha, nós não vamos passear.
– Eu ainda quelo dormir maaaaais um pouquinho… – Ela ainda está de olhos fechados.
– Você pode dormir mais tarde. – Tirei alguns fios de cabelos que estavam caídos sobre o seu rosto. – Aaah… sabe quem te deixou um beijo?
– O meu paaapaaaii! – Ela abriu os olhos e um sorriso. – Ele ligou agora?
– Não, meu amor. Ele ligou ontem à noite depois do show. Você já estava dormindo. – Expliquei.
– Mas eu queria falar com o meu papai.
– Você pode falar com ele daqui a pouco. Ele também pediu para eu te dizer que quando ele chegar, vocês dois farão o programa que você escolher. – Contei e Anie sorriu abertamente.
– Mamãe, eu gosto muuuuitoo mais dessa parte! – Exclamou muito empolgada e essa resposta lembra muito a que eu falei para ele ontem à noite, na hora da ligação. Sorri.
– Eu sei que sim… – tentei fazer cócegas nela. – Hahaha sua sapeca! Vem, vamos levantar, tomar banho, tomar café e depois podemos ligar para ele. O que você acha? O Bart também precisa comer.
– Tá bom… – Ela se aproximou de mim e me abraçou. – Bom dia, mamãe!
– Bom dia, meu amor. – Lhe dei um beijo carinhoso na bochecha e depois na testa. – Eu te amo tanto.
– Eu também te amo, mamãe. – Me disse e eu lhe dei novamente um beijo na testa.
– O que você acha de tirarmos umas fotos para enviar para o seu papai? Ele disse que quer nos ver.
– Eu vou adorar! – Anie sentou-se na cama. – Ele também quer ver o bebê?
– Sim. Eu, você, o bebê e o Bart. – Contei. Anie alargou ainda mais o sorriso. Peguei o celular e cliquei na câmera.
– Mamãe?
– Sim.
– A senhora vai mostrar a barriga?
– Só para o seu pai ver que o bebê cresceu mais um pouquinho. – Expliquei cuidadosamente. – Depois vou tirar de nós duas.
– No jardim!
– Sim. No jardim é muito mais bonito. Amei a ideia.
Eu tirei algumas fotos da barriga, uma da Anie tocando a minha barriga com as duas mãozinhas. E uma do Bart deitado, me olhando, com uma patinha de cada lado da minha barriga. Sim, eu o deixei subir em cima da cama. Arthur nem vai acreditar.
– Vamos levantar? – Falei depois de colocar o celular sobre a mesa de cabeceira.
– Vamos! Vem, Bart. Você também! – Ela desceu da cama e chamou o cachorro.
– Vamos tomar banho primeiro, filha.
– Precisa mesmo, mamãe?
– É claro que precisa. Vem, que a senhorita não vai conseguir me enrolar. – Avisei e caminhei para o banheiro. Anie riu baixinho, mas me acompanhou.
*
– Bom dia, querida! – Meu pai me abraçou de lado e me deu um beijo no topo da cabeça. – Dormiram bem?
– Bom dia, pai. Dormimos. E o senhor?
– Foi uma noite tranquila, filha. Eu estou feliz que vocês estejam aqui.
– Eu também estou, pai.
– Eu também, vovô! – Anie disse contente e meu pai abriu os braços para abraçá-la.
– Bom dia, meu anjo!
– Bom dia, vovô!
– Vamos ver o que a sua avó preparou para o café da manhã… – Caminhamos para a cozinha.
– Vaaamooos! – Anie correu. – Bom dia, vovó!
– Bom dia, meu amor! Acordou bem?
– Muito bem, vovó. Só com saudades do meu papai…
– Aaah, eu imagino que sim, querida. – Minha mãe lhe deu um beijo na bochecha. – Fiz tortinhas com massa de batatas para o café da manhã. Você gosta?
– Eu adoro batatas, vovó! Eu amo! – Anie se sentou à mesa.
– Tem chocolate, chá e suco. O que você quer beber?
– Suco, vovó. Eu prefiro suco.
– Tudo bem. – Minha mãe foi pegar a jarra de suco e eu me sentei à mesa junto com o meu pai. – E você, querida?
– Aaah, eu pensei que não fosse me perguntar. – Fiz um pouco de drama. Meus pais riram.
– Mamãe, a senhora já é grande. Não pode sentir ciuminho. – Anie comentou.
– É claro que eu posso. Você tem ciúmes de mim e do seu pai com outras crianças.
– Mas eu ainda sou pequena. – Ela justificou.
– E você acha que essa é uma justificativa plausível?
– O que é plausível, mamãe?
– É algo aceitável, verdadeiro, filha.
– Aaaaaaah! Agora eu entendi! – Ela pegou uma torta de batata para comer.
– Você poderia já ter perguntado se era uma justificativa aceitável. – Meu pai comentou distraidamente. O olhei e ele prosseguiu. – Plausível é uma palavra muito difícil para ela.
– Pai, por favor. – Neguei com um gesto de cabeça. – Como ela vai aprender palavras novas se não as escutar? Sabe que Arthur fala a mesma coisa? Ele já tem um discurso pronto e sempre pontua que uso a minha profissão para fazer isso.
– E usamos, filha. Nós que não percebemos.
– Não tem nada a ver. – Continuei me defendendo.
– Se torna quase um código.
– Um jargão?
– Está vendo como você sempre faz tudo parecer mais difícil? – Ele pontuou. Ri.
– Pai, eu só estou brincando. – E de fato estou. Eu já sabia que ele teria essa reação. Minha mãe se sentou à mesa junto conosco.
– Agora o assunto é trabalho? – Ela perguntou.
– O meu pai quem começou. – Dei de ombros e lembrei que Anie sempre faz isso.
– Vovó!
– Sim, meu anjo.
– As tortinhas de batatas estão uma delícia. – A pequena elogiou. Peguei uma para provar.
– Oh, meu amor. Muito obrigada! – Minha mãe sorriu toda alegre.
– Anie tem razão. – Afirmei. – Estão deliciosas. A senhora podia passar a receita para a Carla fazer lá em casa. – Falei.
– Posso passar sim, filha. – Minhã mãe respondeu e eu agradeci com um sorriso.
Nós tomamos o café da manhã em meio a conversas. Anie é muito falante, porém hoje, ela está demais. Óbvio que meus pais dão confiança. Eles fazem tudo o que ela pede ou respondem a todas as suas perguntas.
Agora estamos no jardim. Bart e Luck correm de um lado para o outro. O sol não está tão forte, o clima está mais fresco por conta do vento.
– Filha, venha aqui, por favor! Deixa eu tirar uma foto sua para enviar para o seu pai. – Falei e Anie correu até a mesa e sentou-se.
– Mamãe, a gente pode falar com o meu papai?
– Daqui a pouco, meu amor. Talvez ele esteja ocupado agora. – Peguei o celular e olhei. Arthur ainda não mandou mensagem.
– Mas o meu papai disse que a gente podia ligar.
– Eu sei, filha. Podemos ligar mais tarde, ok? Depois do almoço.
– Tudo bem. Eu quero uma foto aqui!
Anie colocou os braços sobre a mesa e me olhou. Não sorriu. E nem precisava. Que criança linda! O sol está batendo em seu rosto, o reflexo da claridade nos seus olhos o fez mudar de cor.
– Que linda, meu amor! – A elogiei.
Eu fiquei emocionada. Ela é minha filha. Tenho certeza de que Arthur falará que ela é tão linda quanto eu, embora ela seja a cara dele.
– Mamãe, eu posso ver? – Me pediu o celular.
– Olha aqui… – Mostrei para ela.
– Mamãe, tira uma foto do Bart assim também…
– Uuuhm… – peguei o celular da mãe dela. – Será que ele vai deixar?
– Deixa! Ele é muito comportado. – Ela riu e eu ri junto. – Bart, vem aqui! – Ela o chamou e bateu com as mãozinhas na cadeira. – Sobe aqui, galotão! – O chamou do jeito que o Arthur chama. Ri. Bart a obedeceu. Subiu na cadeira e colocou uma das patas sobre a mesa, a língua está para fora de tão cansado que ele está. Não parou de correr com o Luck desde que viemos para o jardim. – Ele parece um cachorro modelo. – A pequena comentou depois que eu tirei a foto.
– Sim, ele gosta de flashes. – Concordei.
– O meu papai vai gostar dessa foto.
– De vocês dois. – Afirmei.
– Mamãe, da senhora também. O meu papai vai amar. Deixa eu tirar. Eu sei!
– Hahaha… vamos ver… – Entreguei o celular para ela e fiz uma pose.
– A senhora é mais bonita, mamãe. – Me elogiou ao entregar o celular.
– Você que é linda, minha filha. – Sorri com carinho para ela. Estou tão sensível. Não quero chorar na frente dela.
– Já enviou para o meu papai as nossas fotos? Todas elas, mamãe!
– Já vou enviar.
Abri o aplicativo de mensagem, selecionei as fotos e enviei. Não sei que horas Arthur vai responder. Mas sei que ficará muito feliz quando as ver.
Link das fotos para o Arthur | Clique aqui e veja.
Mensagem ON
“As fotos que você pediu, meu amor. <3”
“Agora eu quero uma sua. Eu também estou com saudades do meu marido.”
“Ps: Eu quero uma foto exclusiva só para mim.”
Mensagem OF
Eu coloquei o celular sobre a mesa assim que enviei as mensagens.
Meu pai voltou para o jardim com um copo de suco para mim e outro para a neta.
– Suco de morango com hortelã para vocês. Está bem gelado. – Meu pai ofereceu.
– Obrigada, pai.
– Mamãe, eu nunca provei. – Anie disse baixinho.
– Prove. Você vai gostar. – Entreguei o copo para ela.
*
Nós almoçamos há alguns minutos. Arthur ainda não respondeu às minhas mensagens. Sei que hoje eles pegariam um voo logo pela manhã. Não quero ficar pensando que pode ter acontecido algo.
– Você vai querer ir que horas, querida.
– Umas três e meia, pai. Não quero chegar à noite em casa. O senhor vai dormir lá ou vai voltar?
– Vou voltar. Sua mãe não vai querer dormir sozinha aqui.
– Mas a senhora pode ir junto. – Olhei para ela. – Eu vou ficar mais tranquila. – Confessei. Eu também não quero dormir sozinha em casa com a Anie e o Bart.
– Tudo bem. Assim aproveito para visitar a Sophia. – Minha mãe respondeu. – Você trabalha amanhã?
– Sim. E Anie tem aula.
– Arthur chega quando?
– Na terça. Mas amanhã a Carla e a Carol já estarão em casa. – Expliquei.
– Você vai trabalhar até quando? Já estamos no final de outubro. Você já está com quantos meses?
– Hoje completo vinte e sete semanas. – Contei. – Início do sétimo mês. – Acrescentei.
– Como você tem se sentido?
– Estou bem, mãe. A senhora não precisa se preocupar. Vou trabalhar até quando estiver me sentindo bem.
– Eu só vou ficar despreocupada se você garantir que não trabalhará quando entrar no oitavo mês.
– Mãe, não precisa de tudo isso. Se houvesse algum risco, Eliza já teria me dito. E eu seria a primeira a concordar com tudo o que ela sugerisse.
– Lua, eu não sei… eu sinto que você pode ficar chateada com qualquer comentário que eu fizer.
– Só se a senhora me ofender. – Deixei claro.
– Não, não pense assim. Só quero dizer que me preocupo. Eu realmente não quero, não desejo que você passe pelo o que passou da última vez. – Explicou cautelosamente.
– Emma, não sei se é um bom momento. – Meu pai tentou interromper o assunto.
– Está tudo bem, pai. Não tem nenhum problema. – Assegurei. Sei que a minha mãe ainda tem muita coisa para falar, só não sabe como. Porque sempre acabamos brigando. Ainda mais depois de tudo o que aconteceu.
– Filha, eu não quero que você se estresse. Não quero que passe mal. Arthur não vai gostar nadinha se isso acontecer.
– O que vocês acham que ele faria? No que ele se tornou? Parece que não o conhecem mais. – Às vezes fico muito chateada com esse assunto.
– Mas é porque o conhecemos, querida. – Meu pai afirmou. – E não quero que entenda que eu acho isso errado, porque não é. Ele é o seu marido. É muito importante que ele a defenda mesmo. – sorriu com carinho. – Me sinto mais tranquilo sabendo que você e Sophia encontram bons parceiros.
– Arthur realmente é um marido muito bom e atencioso. – Concordei. – Não vai acontecer nada. Não vou passar mal. Não vou ficar irritada. – Garanti. – Eu e ele estamos bem. Estamos curtindo essa fase. Com o bebê segue tudo tranquilo. Graças a Deus! Não tem porque vocês ficarem preocupados.
– Eu tenho certeza que sim, minha filha. – Minha mãe afirmou. – Meu receio não tem nada a ver com o cuidado e o amor que o Arthur tem por você. Eu sei que são verdadeiros. Todos nós sabemos.
– Que bom que sabem! Porque estamos felizes. Ainda mais felizes agora. Eu estou feliz por esse bebê. – Acariciei a minha barriga. – Não o esperávamos mais, isso é um fato. Mas ele veio. E é o que o Arthur sempre quis. Sei que ele está mais feliz do que consegue admitir. Eu o conheço.
– É claro que está. Eu não vou julgá-lo. Eu estaria feliz do mesmo jeito se fosse pai de um menino. Agora serei avô de um garotinho. Minha querida, eu jamais pensei que isso fosse acontecer. – Meu pai foi bem sincero. – Isso não quer dizer que eu já não era feliz antes, só com a Anie e a Lívia. – Deixou claro. – São as melhores netas que vocês duas poderiam nos dar. Duas princesas lindas e inteligentes.
– Seu pai tem razão, filha. Nós também estamos felizes, porém, não deixamos de ficar preocupados.
– Eu entendo, mãe. Mas você não precisa se preocupar assim. Já está tudo muito bem conversado entre eu e o Arthur. É claro que nós dois também não queremos que as coisas aconteçam como no nascimento da Anie – olhei para a pequena que estava brincando com os cachorros –, mas também sabemos que muitas coisas estão fora do nosso controle. O bebê pode querer vir antes do dia dez de janeiro, que é a data prevista para o parto. E embora essa possibilidade me assuste, eu tenho que começar a pensar nela. Arthur já estará em casa. Eles farão shows até a segunda semana de dezembro. Eu não estarei sozinha. – Garanti, ainda que me sinta insegura em relação a isso.
– Mas você não estaria sozinha, mesmo que Arthur não estivesse aqui. – Minha mãe garantiu.
– Eu sei, mas vou me sentir mais segura com ele por perto. – Afirmei. Todos sabem disso.
– Nós sabemos, filha. E que bom que eles vão conseguir essa pausa com quase um mês de antecedência, já que da última vez não foi possível. – Ela voltou a lembrar algo que nunca foi esquecido.
– Sim. – Concordei. – Mas não é um assunto que eu queria falar. Nunca foi esquecido por nenhum de nós, principalmente por mim e pelo Arthur. Então eu prefiro que evitemos falar sobre isso. Não quero ficar chateada. – Avisei.
– Tudo bem. – Minha mãe concordou. E logo o meu celular vibrou.
Mensagem ON
“Oi, meu amor. Eu espero que você ainda queira uma foto exclusiva minha. Porque as que eu recebi, me fizeram ficar ainda mais apaixonado por vocês.”
“São as fotos mais lindas que eu poderia receber. Estou com muitas saudades de vocês.”
“Desculpa não ter te respondido mais cedo.”
“Posso ligar pra você agora?”
Li as mensagens e não pude fingir que não fiquei chateada por ele ter me deixado sem notícias a manhã inteira.
“Oi. Agora não. Estou conversando com os meus pais.”
Respondi e segundos depois ele enviou outra mensagem.
“É só isso mesmo? Você está chateada?”
“Não fica chateada, Luh. Nosso voo acabou atrasando. Foi uma manhã bem estressante.”
Ele começou a explicar. Mas não quero conversar agora.
“Depois nós conversamos.”
Respondi.
“Você vai ligar?”
Ele quis saber.
“Pode ser.”
…
“Vou ficar esperando.”
Mensagem OF
– Você quer ir que horas? Preciso arrumar algumas roupas para levar. – Minha mãe mudou de assunto.
– Eu também preciso arrumar as minhas, já que vamos dormir lá…
– Falei para o papai que umas três e meia. – Respondi.
– Já é mais de uma hora… – Minha mãe comentou após olhar o relógio. – Vamos logo separar as roupas, John. – Ela chamou o meu pai. – Você vai entrar, querida?
– Sim. Vou logo ajudar Anie no banho. – Avisei e me levantei. – Vem, filha. Vamos entrar! – A chamei. – O Bart e o Luck também. – Acrescentei.
– Nós já vamos, mamãe! – Anie correu para dentro de casa e os cachorros seguiram ela.
*
– Outro dia a gente pode voltar de novo? – Anie perguntou assim que saímos do banho.
– Claro que podemos, filha.
– O meu papai também pode vir?
– Pode, se ele quiser.
– É que agora o meu papai não gosta mais de vir aqui como antes…
– Você pode convidá-lo e se ele quiser vir, a gente vem. – Expliquei enquanto separava as nossas roupas para vestirmos.
– O meu papai ainda tá chateado com a minha vovó?
– Não, claro que não. O seu pai dificilmente fica chateado por muito tempo com uma pessoa. Está tudo bem. E só para lembrar, não é um assunto que você precise se preocupar. – Deixei claro.
– Eu sei que é assunto de adulto. – A pequena assegurou e eu assenti. – Ou é a minha vovó que está chateada com ele? A gente pode falar com ela? Porque o meu papai é muito bom…
– Ninguém está chateado com ninguém, filha. – Tentei fazê-la entender. – Sua avó sabe que o seu pai é bom. Não se preocupe. – Pedi novamente.
Anie não insistiu mais. Vestimos nossas roupas, calçamos os nossos sapatos, arrumei as nossas roupas na mala e organizei o quarto que ficamos.
Em casa…
Eu não liguei para Arthur mais cedo. Ele deve pensar que eu ainda estou muito chateada. Mas agora eu não estou mais. Eu até estive, não vou mentir e ele sabe muito bem disso. Ele me conhece.
Nós chegamos em casa há algumas horas. Meus pais decidiram ir visitar a minha irmã e levaram a Anie. Estou em casa sozinha com os cachorros. Eu não quis ir. Preferi descansar. A viagem de volta foi até mais rápida que a ida. Mas estou me sentindo cansada e um pouco sonolenta.
Peguei o celular para ligar para o Arthur.
Ligação ON
– Oi.
– Oi, Luh. Eu pensei que você não fosse ligar. – Contou. – Você ficou muito chateada?
– Não estou mais chateada, Arthur. – Respondi.
– Mas ficou?
– Sim. Você sabe que sim. Você não deu notícias. Fiquei preocupada e depois chateada. Não custava nada ter avisado que estava tudo bem.
– Eu já te pedi desculpas, Luh. Mas peço novamente. Me desculpa, meu amor. Eu não fiz de propósito. Foi uma manhã muito estressante por conta do atraso do voo. – Explicou novamente. – Não liguei porque não queria falar com você assim…
– Tudo bem, Arthur. Não precisa explicar novamente. Eu já entendi.
– Não quero que continue chateada com isso.
– Não estou mais chateada. Estou falando a verdade.
– Eu vi as fotos, Luh. Muitas vezes desde que abri as mensagens. – Me disse. – São as fotos mais lindas e especiais que você poderia me enviar. – Confessou. – Eu amo tanto vocês, meu amor. – Declarou.
– Eu também te amo, Arthur.
– Luh, a Anie é tão linda quanto você, querida.
– Eu sabia que você falaria isso. – Sorri. – Amor, ela é a sua cara. – Acrescentei e Arthur riu.
– Mas é linda como você! – Insistiu. – O sorriso é seu. E eu percebi que o meu garotinho cresceu. – Não estou vendo-o, mas consigo imaginar que ele esteja com um sorriso nos lábios. – Quero encher você de beijos. – Sussurrou.
– Já estou ansiosa. – Confessei.
– Eu imagino que sim… – Ele riu.
– Você percebeu algo de diferente?
– Hahaha… Bart e você. Você deixou ele subir em cima da cama? – Perguntou desacreditado.
– Só dessa vez. Não é para ele se acostumar. – Deixei claro e ele riu ainda mais. – E nem para você se sentir no direito de permitir que ele faça isso. – Avisei logo em seguida. Arthur continuou rindo.
– Loira, se ele fizer isso outras vezes, com certeza não fui eu quem ensinei. – Pontuou ainda entre risos.
– Uuuhm.. mas eu estou te avisando.
– Já está tudo entendido, Luh. – Afirmou.
– O que você está fazendo agora? – Mudei de assunto.
– Estamos no hotel. Estou aqui no quarto. Daqui a pouco vamos para o local do show, para a passagem de som. – Me contou.
– Só mais um dia, meu amor.
– Sim, querida. Estou contando os segundos. – Confessou. Sorri. – Cadê a Anie? Quero falar com ela.
– Anie não está em casa. Ela foi com os avós para a casa da Sophia.
– Seus pais ainda estão aí?
– Sim. Eles vão passar a noite aqui comigo.
– Aaah, que mimada! – Ele exclamou. – Foi você quem pediu?
– Hahaha… parcialmente…
– Lua, está com medo de dormir sozinha em casa?
– Talvez sim. – Dei de ombros mesmo que ele não estivesse vendo.
– Aaah, meu amor… já, já estarei aí com vocês. – Prometeu. – Você não quis ir com eles?
– Não, amor. Estou me sentindo cansada e sonolenta. Preferi ficar em casa. Bart e Luck estão aqui comigo.
– Está no quarto?
– Sim.
– E eles estão com você?
– Claro. – Pontuei e ele riu. – Aaah, Arthur!
– Você já foi mais destemida! – Brincou.
– A gravidez fez isso comigo.
– Estou achando que esse garotinho não vai ser tão corajoso quanto a mamãe.
– Ele será manhoso igual a você. – Falei e Arthur riu.
– Hahaha… Eu sou manhoso, Lua Blanco?
– Muito e você sabe que sim. – Afirmei.
– Só com você. – Sussurrou. Ri. – Luh, você podia considerar a ideia de deixar os teus cabelos do jeito que estão. – Começou.
– Claro que não, Arthur.
– Loira, eles estão lindos! – Elogiou. Arthur sempre amou os meus cabelos assim.
– Obrigada, querido. Mas você sabe que me dá tanto trabalho que eu prefiro ele menos volumoso.
– Eu prefiro ele mais volumoso. – Sussurrou.
– E eu prefiro você de barba e às vezes você tira. – Retruquei o fazendo rir.
– Você é demais, Luh! Não quer perder nem uma.
Ficamos conversando por mais alguns minutos até nos despedirmos. Eu estava com tanto sono, que queria aproveitar para descansar.
Ligação OF
Continua…
SE LEU, COMENTE. NÃO CUSTA NADA!

Que capítulo incrível, não esperava por essa surpresa amei, anie sempre esperta, cara o amor que Arthur sente pela lua é indiscutível vey
ResponderExcluirÉ simplesmente lindo
Estou ansioso para nascimento do pequeno
ResponderExcluirAcredita que eu vou ter um sobrinho que se chama ravi tbm
Bom vamos lá, Milly a história é muito boa porém está sendo postergada demais , na minha opinião você deveria já por um fim pois já está para fazer 11 anos que se iniciou, e você como todos nós os adultos temos obrigações na vida, e não vejo motivo para continuar assim.
ResponderExcluirA história vai chegar em algum ponto? Gosto bastante e vira e mexe eu releio mas tenho a impressão que está dando volta, enrolando além do necessário. Tirando os pontos que ficam muito solto, como a traição porque eu achei que da mesma forma que todo mundo soube que ele "traiu", era pra todo mundo saber que foi uma armação contra ele.
ResponderExcluirEnfim, é só uma dúvida real para tentar entender o que esperar da fic ainda
Amei o capítulo
ResponderExcluirQue surpresa boa , ansiosa pelo nascimento desse baby
E tbm querendo saber se essa web já tem data pra acabar.