Little Anie - Cap. 74 | Cont.² 4ª Parte

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Little Anie | Cont.² 4ª Parte

Pov Lua

Dezenove horas e vinte minutos – School Of Dance Royal.

– Chegamos! – Arthur exclamou quando estacionou do outro lado da rua, em frente à escola de Anie.
– Quelo vesti minha saia. – Anie pediu e eu sorri.
– Você vai querer vestir aqui? Vamos entrar na escola primeiro. – Tentei sugerir.
– Não, mamãe. Quelo aqui! – Exigiu. Arthur pegou o tutu que Carla o entregou antes de sair do carro junto com Mel e Carol.
– Vamos lá né?!  Acho que pai é para essas coisas também.  – Comentou ajudando Anie a tirar a bermuda, enquanto eu tentava fazer com que ela permanecesse com as sapatilhas nos pés.
– Sim, ou você acha que só as mães tem o dever de ajudar os filhos a se vestirem? – Perguntei.
– Vocês levam mais jeito. – Arthur explicou, me entregando o tutu e enfiando a bermuda de Anie na bolsa que eu tinha entregue a ele. Vesti a peça nela que ficou toda feliz quando saiu do carro.
– Vamos lá, garota... Arrasar! – Arthur comentou dando um suave beijo nos cabelos da filha.
– Vamos! – Ela segurou a mão dele e sorriu para mim. – Segula a mão do meu papai, mãe. – Arthur estava com o celular na outra mão e o colocou rapidamente no bolso da calça, deixando a mão livre para que eu segurasse.

Estávamos tentando dizer que estávamos bem.

– Ok.

Segurei na mão de Arthur e senti um calor familiar percorrer meu corpo. Eu estava sentindo falta disso. Ele acariciou o dorso da minha mão com o polegar. E a apertou mais forte.

Atravessamos a rua e ficamos na calçada da escola, já que Harry caminhava em nossa direção. Já vinha de braços abertos esperando Anie correr para o colo dele, e foi o que ela fez, fazendo Arthur revirar os olhos – ainda estávamos de mãos dadas.

– Que traíra! – Arthur brincou.
– Que pai ciumento. – Harry retrucou. – Boa noite. – Ele disse em seguida.
– Boa noite... – Foi quase – se não – um coro.
– Que saudades, meu anjo. Tudo bem?
– Tudo, titio.
– Você está tão linda. – Ele passou o polegar pela bochecha da afilhada. – Estou ansioso para vê-la dançar. – Completou.
– Obrigada, titio. Eu também.
– Vem aqui... – Ele a pegou no colo. – Tire uma foto minha com essa boneca aqui. – Pediu entregando o celular para Carol. Que tirou a foto.
– Tá, agora solta a minha filha. Que eu que sou o pai, e ainda nem tirei foto com ela. – Arthur reclamou.
– Vou postar para todos ficarem sabendo que a melhor afilhada do mundo se tornou uma bailarina. – Ele sorriu.
– Olha... você terá que explicar isso para a sua segunda afilhada. – Ouvimos a voz de Sophia.
– Como assim? Já sabem que é uma menina? – Ele olhou de minha irmã para Micael.
– Sophia enfiou isso na cabeça, não tem quem tire... Mas dizem que mães sabem dessas coisas. Vai saber... – Micael respondeu. Depois de abraçar a irmã e lhe sussurrar algo. Ele também abraçou rapidamente Carla e Carol.
– Eu também quero uma foto com essa boneca. – Micael pegou Anie no colo e lhe deu um beijo na bochecha.
– Você está tão linda, meu amor. – Sophia encheu a sobrinha de beijos.
– Obrigada, dinda...
– Aaawn... Já disse que amo quando você fala assim? – Perguntou e Anie assentiu.
– Devolvam a minha filha. – Arthur pediu chamando Anie.
– Que egoísta! Passa vinte e quatro horas grudado nessas mulheres... agora ainda nem deixa a madrinha paparicar a afilhada?! – Soph mostrou língua e Arthur repetiu seu gesto.
– E nem solta a mulher... detalhe. – Harry apontou para nossas mãos. E eu senti meu rosto esquentar. Arthur a apertou discretamente.
– Ora, é tudo meu. – Ele deu de ombros e Anie correu abraçando as pernas de Arthur.
– Vamos tilar fotos? – Pediu ela.
– Vamos, sim meu anjo.
– Eu, você e minha mamãe. – Disse.
– Sim, nós três. – Arthur assentiu.
– Cadê a dinda, o tio Mika, o Harry, a Carol, a Carla, uhm... uhm? – Sophia cutucou.
– Primeiro com os pais lindos, que fizeram essa garota linda. – Arthur respondeu.
– Com toda modéstia do mundo. – Ela retrucou.
– Sempre! – Ele comentou.

Tiramos várias fotos e Anie tirou mais um pouco ainda, já que todos queriam fotos com ela. Demos nossos nomes na entrada e depois fomos procurar nossos lugares. Fui falar com a professora de Anie e ela disse que alguns minutos antes da apresentação, ela chamaria todos. Vi, Isla. E ela sorriu cinicamente para mim. O que me deu raiva – muita raiva –, ainda bem que Arthur não estava comigo.

Voltei para o lugar onde Arthur, Anie, Soph, Harry e o resto do “nosso pessoal” estavam. Ficamos sentados umas três filas a frente do palco principal. Anie falava sem para e apontava para todos os lados. Os alunos chegavam a todo momento, não seria só a turma de Anie a se apresentar. E o local estava começando a ficar cheio e barulhento. Uma música baixa tocava ao fundo. Não consegui decifrá-la.

O tema do Espetáculo que a turma de Anie apresentaria, era: “A Encantada Fábrica de Bonecas”. Confesso que eu estava bastante ansiosa para ver como tudo ficaria no final. Tudo bem feito, elaborado e organizado – também... é a comemoração dos dez anos da escola –. Elas não seriam as primeiras a se apresentarem. O modelo do vestido das pequenas era o mesmo, só mudava a cor, foram divididas em quatro cores: lilás, amarelo claro, rosa e branco – a cor da roupa de Anie –. Todas tinham o mesmo acessório nos cabelos e no tutu.

A menina estava sentada no colo do pai, e ao lado dele estava o meu lugar. Carol estava sentada do outro lado de Arthur. Mel ao meu lado e Sophia, Mika, Harry e Carla, atrás da gente, respectivamente. Harry estava com os braços apoiados no encosto de nossas cadeiras, e mexia com a afilhada no colo de Arthur. Ele não a deixaria em paz até a hora da apresentação.

– Maaamããee... Tio Harry tá me pentumbando... – Anie me disse, colocando as duas mãozinhas sobre o rosto, cobrindo-o.
– Para de pentumbar minha filha, Harry! – Arthur exclamou divertido e afastou a mão de Harry, para que ele não fizesse cócegas em Anie.
– Meu amor? – A chamei. – Senta que nem mocinha. Por favor, Anie... – Pedi tirando as mãos dela de seu rosto. – Vai borrar a maquiagem. – Falei. Ela estava praticamente deitada no colo de Arthur, com a cabeça encostada no peito dele. E os pés apoiados na borda da minha cadeira.
– Senta que nem mocinha, filha. – Arthur repetiu rindo, fazendo a pequena negar balançando freneticamente a cabeça de um lado para o outro. Ele tentou ajeitá-la em seu colo e Anie riu.
– Ai! Mas que coisa... – Reclamei dando um tapa na mão de Harry quando ele tentou puxar um dos pés de Anie. – Você parece mais criança que ela, eu hein!
– Aaaaii... – Ele reclamou balançando a mão. – Para de me agredir... gosto de ouvir minha bonequinha rindo. – Falou.
Minha... minha... – Arthur frisou. – Ok? Nada seu aqui... – Ele completou beijando a bochecha de Anie. – Fui eu que fiz. – Finalizou e Harry revirou os olhos, fazendo Micael segurar o riso.
– Você está muito possessivo, precisa se tratar. – Harry disse enrolando ainda mais uma das mechas do meu cabelo.
– Só estou esclarecendo algumas coisas. Só isso... – Arthur se defendeu.
– Sei... – Harry fez uma careta e depois me encarou. – Você está chateada comigo? – Murmurou próximo ao meu ouvido.
– Não... Mas é melhor você se aquietar aí. – Ressaltei. Ele riu baixinho.
– Para de perturbar a minha mulher também. – Ouvi Arthur dizer e Harry o encarou.
– Tá, dono de tudo... Possessivo. Ciumento. O que mais é seu aqui? A cadeira? As babás? O ar? – Retrucou irônico.
– Sim, tudo meu... Inclusive a cunhada, o amigo, a amiga. – Ele apontou para Mel também. – Fica quieto aí...
– Aaah... vai se foder, Arthur! – Harry exclamou. E eu dei um beliscão no braço dele quando Anie encarou Arthur.
– O que é isso, papai? – Perguntou e Sophia riu.
– É uma coisa muito feia e que você não precisa saber... – Ele olhou feio para Harry.
– E por que meu titio falou? – Ela continuou.
– Porque ele é um adulto muito malcriado. – Arthur respondeu me fazendo prender o riso. Não só eu, mas todos nós.
– É... Eu sou um adulto bem malcriado. Todo adulto ama esse tipo de malcriação. – Ele reconheceu e Arthur revirou os olhos.
– Para de instigar a curiosidade da minha filha. Ela não vai parar de fazer perguntas! – Arthur disse.
– E por que... – Arthur a interrompeu.
– Anie? Não já está na hora da sua apresentação? – Perguntou apontando para a lateral, que dava acesso a corredor que levava ao palco, onde a professora de Anie fazia um sinal, nos chamando.
– Salvo pelo gongo! – Harry riu. – Adoro suas explicações. – Comentou. Arthur mostrou o dedo do meio para ele disfarçadamente.
– Boa sorte, princesa do tio. – Harry beijou carinhosamente a bochecha de Anie. Me levantei e andei para espera-los no corredor.
– Obrigada, titio.
– Boa sorte, linda...

Agora Arthur tinha colocado Anie no chão e ela estava abraçando Carol. E ele caminhou em minha direção. Sophia, Mika e Carla também desejaram boa sorte, a Anie. Lhe jogaram beijos e pediram para a pequena relaxar e se divertir. Mel a abraçou, quando Anie passou por ela. E também lhe desejou boa sorte e lhe deu beijos na bochecha.

Anie segurou a mão de Arthur e depois a minha. Caminhei na frente, seguindo algumas mães que também levavam as filhas para se organizarem antes da apresentação começar. O auditório já estava cheio e as pessoas começavam a procurar seus respectivos lugares, para se acomodarem. Uma mulher já estava testando o microfone. Acho que perderíamos a apresentação inicial – porque sei que Anie vai querer que a gente fique com ela, até a hora da sua apresentação.

Arthur parou um pouco antes de chegarmos até a professora e colocou a mão em um dos bolsos, tirando de lá: o colar de bailarina, que ele tinha comprado para a filha. Se abaixou para ficar do tamanho da pequena e eu os observei. Anie o olhou curiosa, seus olhinhos brilhavam.

– Tenho um presente para você... – Comentou ele. Anie abriu um sorriso.
– Um plesente?
– Sim, e espero que goste. – Ele respondeu. E estendeu o cordão para ela.
– De bailaina? – Perguntou eufórica, segurando o pingente.
– Sim, meu amor. Igual a você... para você. – Disse ele sorrindo.
– Obrigada, papai... – Ela o abraçou.
– Lembra daquele meu chaveiro que você é louca para ganhar?
– Lembo... o que tem?
– E eu falo que é da sorte?
– É... fala... Quelo ele... – Pediu outra vez. – É lindo.
– É... mas eu também gosto dele. – Arthur riu. – Esse colar é igual a ele... é da sorte. – Falou e Anie alargou o sorriso.
– Da sorte?
– É. – Arthur afirmou e colocou o colar na filha. – Não fique nervosa, está bem? Eu e sua mãe vamos estar bem ali... – Apontou na direção dos nossos lugares e Anie assentiu. – Vendo você... e garanto, já estamos muito orgulhosos de você, meu amor. – Ele estava bastante emocionado. E sei que estava nervoso também. – É sua primeira apresentação, e terão outras... e você melhorará a cada uma delas.
– Tá, papai... Te amo. – Ela o abraçou, enterrando o rosto no pescoço dele.
– Também te amo muito, filha... – Arthur sussurrou. – Quando a apresentação acabar, vou te encher de beijos. – Ele a cutucou, fazendo Anie se encolher, rindo baixinho.
– Táá...

Arthur se levantou e segurou novamente na mão da filha. Não falei nada, e voltei a caminhar, segurando na outra mão de Anie também.

– Está tudo bem, anjinho? – Perguntei segurando o rosto dela, quando chegamos próximo a entrada de acesso ao palco, onde a turma que faria a primeira apresentação, começava a caminhar em direção ao mesmo. Já a turma de Anie, ainda estava se arrumando ali. Todas estavam tão lindas.
– Tá, mamãe. – Ela garantiu.
– Que bom, meu amor... – Lhe dei um beijo na bochecha.

Logo uma mulher começou a falar:

Boa noite a todos! Sejam bem-vindos a School Of Dance Royal. Que hoje está completando dez anos. Estamos muito orgulhosos de fazermos parte dessa história e de contribuirmos para a dança. Obrigada ao alunos, aos pais, aos responsáveis e professores, por toda dedicação e por fazerem essa noite, mais especial ainda.

Agora chamarei ao palco, o espetáculo que abrirá a comemoração do aniversário de nossa escola: Dançando Sob as Estrelas. Uma salva de palmas!

Pediu e o auditório explodiu em aplausos e assovios. A apresentação começou e as luzes apagaram, deixando apenas a iluminação do palco.

– Vamos Anie, aqui na frente da Meg. – Leny falou. Meg também estava de branco e atrás dela, a filha de Isla, ela vestia rosa.
– Vai lá, amor... – A abracei e lhe dei um beijo na testa e outro na bochecha. – Boa sorte, filha... acho que seu pai já disse tudo. – Ergui o rosto para olhá-lo e Arthur riu baixinho. – Quando acabar... estaremos te esperando aqui... amo você.
– Amo você, mamãe... – Anie me abraçou forte e eu retribui, lhe dando mais um beijo.

Ela se afastou e eu segui atrás de Arthur de volta aos nossos lugares. Quando sentamos, Harry jogou um dos braços ao redor do pescoço de Arthur que o encarou erguendo uma sobrancelha.

– O que foi? Agora vai querer me agarrar? – Ele murmurou.
– O quê? Antes você não reclamava... – Harry comentou tentando conter o riso.
– Vai se catar, Judd. Não enche meu saco. – Arthur retrucou.
– Silêncio vocês dois. Não me façam passar vergonha, ou mato os dois. – Avisei tirando a mão de Harry do pescoço de Arthur.
– Outra possessiva. – Harry pontuou.
– Deixa de ser ridículo. – Retruquei.
– Aqui – Arthur apontou para si e depois para mim. – cada um cuida do que é seu. – Disse convencido e fazendo um gesto ao levantar a mão, para que Harry não falasse mais nada. Eu me calei também e olhei para a frente.

*

– Você vai gravar, Carol? – Arthur perguntou quando a garota pegou o celular.
– Sim... – Ela sorriu de lado. – Depois quero mostrar para ela. – Completou o fazendo assentir.
– Pode postar vídeo da pequena dançando? – Harry me cutucou no ombro.
– Melhor não... – Respondi. Eles sabiam que eu não gostava de expor Anie. Tanto que preferia não ficar postando fotos dela o tempo todo. Arthur concordava comigo.
– Nem foto?
– Foto pode, Harry... Vídeo melhor não. – Esclareci.
– Tá ok. – Ele aceitou e voltou a ficar quieto.

Outra vez a mulher tornou a falar:

Agora, chamarei ao palco o segundo espetáculo da noite: A Encantada Fábrica de Bonecas. Uma salva de palmas!

As pequenas entraram em fila indiana. Leny e Liz, colocaram todas em seus devidos lugares. Elas também dançariam junto com as crianças.

Arthur procurou minha mão e entrelaçou nossos dedos, não recusei o contato. Ele estava bem ansioso e eu não estava tão diferente. Harry soltou uma risadinha baixa, mas não fez nem um comentário, quando Anie levantou o olhar para a plateia e nos procurou. Sorri e Arthur fez o mesmo. Ela não desviou o olhar e sei que estava muito nervosa, e com medo de errar. Uma coisa que eu não queria que ela sentisse: medo.

– Ela está nervosa, Lua. – Arthur comentou baixo, mas não desviou os olhos do palco e sei que Anie não olhava para mais ninguém ali, que não fosse ele. Entretanto, eu não sentia ciúmes, não era hora para isso.
– Eu sei... – Murmurei apertando a mão dele, sem me importar. – Ela está olhando só para você... – Comentei.
– Shh... Não seja boba.
– Não estou com ciúmes. – Falei sincera. Arthur esboçou um sorriso.
– Já vai começar. – Avisou.

A música começou a tocar e meu coração se encheu de mais amor ainda, ao ver que Anie fazia exatamente como as professoras. E sempre que tinha a oportunidade, ela olhava para onde estávamos. A respiração de Arthur estava um pouco acelerada, seus olhos tinham um brilho diferente. E ele não deixou de sorri desde que a música começou a tocar. Sei que estava nervoso e que estava tentando controlar as lágrimas, tamanho o orgulho que sentia da filha nesse momento. Arthur não sabia disfarçar seus sentimentos quando o assunto era Anie. Ou ele estava chateado e irritado com ela... Ou ele estava literalmente morrendo de amor pela filha, e quando isso acontecia, ele ficava bem emotivo.

As garotinhas rodavam, corriam e faziam expressões de acordo com a história que era contada e estava tudo tão lindo, perfeito. Que eu não via a hora de pegá-la no colo e enchê-la de beijos, mas ao mesmo tempo que eu queria fazer isso, eu queria vê-la dançar mais. Anie estava feliz e muito mais segura do que quando pisou no palco no primeiro momento. E isso me deixava feliz.

Eu não ouvia nem a respiração de Harry, levando em conta que ele estava praticamente no meio de Arthur e eu. Uns minutos atrás, ele levantou o celular para tirar uma foto de Anie, a aproximação e o posição da pequena favorecia para que ele tirasse uma linda foto.

O final foi lindo, e disfarçadamente vi Arthur enxugar uma lágrima rapidamente. Ele não me olhou... Harry soltou o ar pausadamente e sorriu, me empurrando de leve pelo ombro. Sophia era a mais empolgada ali, porque juro que escutei um grito dela na hora que estávamos de pé aplaudindo. E depois disso, Arthur enfim me olhou. Não chorei, mas eu estava bastante emocionada por ver minha filha em sua primeira apresentação. Era mais que especial, sei que Anie nunca esqueceria.

– Ela foi... linda... – A voz dele falhou e Arthur ergueu os ombros.
– Foi... – Concordei e Arthur segurou rapidamente uma de minhas mãos e me puxou, me pegando de surpresa e depositando um beijo em minha testa. Não demorou muito e ele se afastou.
– Vou busca-la. – Me disse um pouco alto.
– Vou com você... – Respondi. Ainda teria outras apresentações.

*

– Paaapaaai... – Anie veio correndo para o colo dele.
– Meu amor... – Ele a pegou no colo. – Você foi tão linda... estou tão orgulhoso de você. Tão feliz por você. – Falou enchendo a filha de beijos. Fazendo a menina rir, abraçando-o mais forte.
– Não fiquei mais com medo depois que vi você e minha mamãe. – Ela olhou para mim e eu sorri acariciando seu rosto.
– Foi? – Perguntei.
– Foi... – Ela respondeu.
– Para quem era que a Anie estava só olhando mesmo? – Arthur comentou distraidamente. Não falei nada e ele me entregou a pequena. Rindo em seguida.
– Parabéns, minha linda. Você arrasou e a mamãe está muito orgulha... e feliz por você, filha. – Lhe dei um beijo demorado na bochecha. Anie me abraçou pelo pescoço e descansou a cabeça em meu ombro.

Voltamos para os nossos lugares antes da próxima apresentação começar. Carla pegou Anie no colo e depois passou a menina para Harry que não queria larga-la e ficava perturbando-a o tempo todo. Sophia pegou a sobrinha, e Anie ficou no colo dela até a terceira apresentação acabar. Depois ela voltou para o colo do padrinho e Arthur já estava começando a ficar irritado, porque Harry fazia Anie falar e soltar gritinhos o tempo inteiro.

– Anie, faça silêncio. Não pedirei mais. – Falou sério, sem olhar para trás e Anie colocou um dedo sobre os lábios e soltou um “shhh” para que Harry não fizesse barulho também.
– Você está muito estressado, Arthur. – Harry reclamou.
– Você que está fazendo minha filha parecer uma mal-educada. – Ele encarou Harry. – Ela já gosta de bagunça, e você não colabora. – Completou.
– Mesmo assim... você está... diferente.
– Silêncio os dois aí! – Sophia exclamou e eu agradeci. – Até você, Anie.
– Tá, titia... Pai?
– Oi.
– Quelo ficar no seu colo. – Pediu se debruçando sobre os ombros de Arthur que não segurou o riso.
– Vem... – Ele se levantou e carregou a filha, se sentando logo em seguida.
– Não bliga mais comigo...
– Não briguei com você. – Ele falou.

Anie não falou mais nada e ficou comportada até o final de todas as apresentações. Tudo acabou por volta das vinte e uma hora e quarenta e cinco minutos. Estávamos esperando o auditório esvaziar mais um pouco, quando Isla se aproximou. Arthur estava encostado na parede ao lado das fileiras de cadeira. Anie estava o colo de Carol vendo o vídeo que ela tinha gravado da apresentação. E eu estava junto de Mel, Soph e Carla, próximo a ele. Harry estava falando com Mika, ambos não haviam se levantado de seus lugares.

Isla me olhou e sorriu cinicamente ao colocar uma das mãos no ombro de Arthur. Que estava bem alheio a tudo, mexendo no celular. Ele ergueu a cabeça, virando o rosto para ver quem era, e quando a viu, se afastou, tirando a mão dela de seu ombro. Ela continuou próxima a ele e Sophia me encarou.

– Quem é essa aí? – Perguntou puxando meu braço. – Você vai ficar só olhando? Eu já tinha ido lá arrancar a mão que ela tocou nele. – Falou me encarando.
– Menos, Sophia... menos... – Pedi sem tirar os olhos dos dois.
– Menos? – Minha irmã perguntou incrédula.
– Soph... ele nem tá dando bola para ela. – Mel comentou baixo.
– É por isso que... – Eu virei o rosto e encarei Sophia séria.
– É por isso que...? – Mel indagou.
– Que nada. Que nada... nada. – Ela abanou o ar. E eu voltei a olhar para Arthur.

Ele continuou mexendo no celular, e quando Isla se aproximou mais, ele levantou a mão até a cintura e a encarou.

*

– O que você quer, hein? Não tem noção de espaço? – Perguntou um pouco irritado.
– Achei que... – Ela começou, mas ele interrompeu.
– Que ia fazer ciúmes na minha mulher? – Ele perguntou e me encarou. Arthur não falava alto, mas eu estava próxima o suficiente para escutar a conversa muito bem. Ele voltou a olhá-la e negou com um manear de cabeça. – Precisa de muito mas, Isla. – Finalizou e guardou o celular em um dos bolsos.
– Não quero fazer ciúmes nela. Seria injusto. – Ela riu.
– Com você? – Ele ergueu uma sobrancelha.
– Com ela. – Respondeu e Arthur riu alto.
– Você é muito engraçada. – Ele disse ainda rindo. – Temos uma perspectiva muito diferente das coisas.
– Por que diz isso? – Ela indagou sem entender.
– Achei que você fosse uma mulher mais inteligente. – Arthur comentou se afastando.
– Foi um prazer, Arthur. – Isla disse um pouco mais alto. Achei que Arthur fosse fazer um comentário pervertido ou coisa do tipo, mas ele apenas negou balançando a cabeça.

*

– Vamos? – Ele convidou. – Estou morrendo de fome.
– Quelo comer pizza! – Anie bateu palmas.
– Vamos comer pizza então... – Ele pegou a filha pela mão e os dois saíram andando em direção a saída do auditório.
– Luh... – Ouvi Harry me chamar e o esperei se aproximar. Sophia e Mika seguiram atrás de Arthur e Mel, Carla e Carol, seguiram mais atrás. – A gente nem conversou direito. – Ele disse colocando um dos braços envolta do meu pescoço.
– Pois é...
– Você está chateada comigo?
– Tenho a leve sensação de que já me fez essa pergunta mais cedo. – Comentei erguendo a cabeça e encarando-o.
– E fiz, mas você não me convenceu. – Ele fez um barulhinho com a boca. – E aí?
– Só fiquei irritada porque vocês beberam bastante e voltaram dirigindo. – Respondi.
– Seu problema comigo era esse?
– Não tenho nenhum problema com você.
– E com Arthur?
– Isso é coisa minha e dele, queridinho... – Íamos andando devagar atrás dos outros.
– Vamos lá, diga algo convincente... Há algo a mais? – Insistiu.
– Não há nada, Judd. Pare de fazer perguntas. – Falei.
– Vocês estão estranhos... Pensa que não percebi?
– Por que você não pergunta para ele então?
– E você acha que ele vai me contar? – Harry me encarou erguendo uma sobrancelha. – Você sabe que pode confiar em mim, Luh.
– Não é isso, Harry... É só que... que... eu ainda não falei com Arthur sobre isso direito. – Tentei explicar e meus olhos se encheram de lágrimas.
– Não chora, Luh... – Ele abraçou, passando as mãos pelas minhas costas, num gesto de carinho. – Eu não sabia que era algo tão grave... – Comentou.
– Não é... q-que... seja grave... Só é delicado e ele... Arthur não conversou comigo. – O olhei. – Você entende?
– Eu entendo, Luh... eu entendo. – Ele garantiu depositando um beijo em minha testa.
– Lua? – Ouvi Arthur me chamar e funguei, enxugando meu rosto em seguida. Harry passou as mãos em meus braços. – Vamos lo... – ele parou de falar e nos encarou. – O que está acontecendo aqui? Por que você está chorando?
– Arthur a Luh só...
– Não estou falando com você, Harry. Não se meta! – Disse sem paciência e eu o encare tentando achar um misto de diversão ou algo assim, mas ele estava muito sério.
– Arthur você não está falando sério, não é? – Perguntei.
– Por que você fala as coisas para ele e não fala para mim, que sou seu marido? Qual é, Lua? Harry não precisa saber de tudo. Que saco! – Exclamou com raiva.
– Não dê showzinho aqui. Harry não sabe de nada. – Lhe disse. – Esqueceu que somos amigos?
– Como posso esquecer? – Ele apontou para nós dois. Harry ainda me abraçava pelo ombro.
– Não me diga que está com ciúmes? – Harry provocou. – Que coisa estupida, Aguiar.
– Se eu realmente estivesse com ciúmes, eu já tinha dado um soco nessa sua cara. – Avisou ríspido. E isso me assustou, porque Arthur estava muito irritado com Harry desde cedo.
– Arthur, pode parar! – Pedi me afastando de Harry.
– Qual é, Arthur? Somos amigos, sabe disso. Não há motivos para ciúmes. – Harry falou calmo.
– Não estou com ciúmes porra! – Exclamou tentando se controlar. – Estou com raiva, sacou? – Perguntou irônico.
– Não seja ridículo. – Harry revirou os olhos sem acreditar.
– Cala sua boca!
– Arthur, para! Estou pedindo. – Falei outra vez. – Vamos logo... ou... – Tentei agarrar em uma das mãos dele. Mas Arthur se afastou. Suspirei.
– Por que não conversa comigo? Por que tem que ser sempre com ele?
– Não falei nada para ele. Deixa de asneira... – Abanei o ar.
– Eu sou o...
– Agora você cale a boca! – Mandei. – É meu marido, ponto. Não meu dono, entendeu? Não quero discutir por causa das bobagens que você pensa.
– Bobagens? Estou tentando te entender. – Justificou.
– Não está nada. Você está tirando suas próprias conclusões. – Explodi. – O que foi isso? Achei que estava brincando. – Falei sem acreditar.
– Hoje eu não estou para brincadeiras. – Respondeu seco. – Vou para casa. – Avisou quando nos aproximamos do carro.
– A gente não ia comer pizza? – Perguntei.
– Por que não vai com Harry? Seu melhor amigo. – Disse sarcástico e eu senti vontade de socar Arthur.
– Se é isso que você está sugerindo... – Dei de ombros.
– Vamos logo, papai!
– Vou para casa, Anie. Estou com dor de cabeça. – Arthur disse entrando no carro.
– Quelo comer pizza. – Ela fez um bico.
– Vai com a sua mãe... – Arthur respondeu.
– Quelo que o senhor vá também.
– Já disse que não vou.
– Mas o senhor disse que ia...
– Eu sei o que eu disse, só que agora não vou mais.
– Mas...
– Chega, Anie. Se quiser ir, acho que a Lua vai com o seu titio... – Ele frisou a última palavra. – Assim ele aproveita e fica logo com tudo. – Completou deixando todos que estavam no carro chocados.
– Do que você está falando, Arthur? – Mel ousou perguntar.
– Eu costumo pensar alto. E aí, quem vai voltar para a casa comigo? – Perguntou e todos se olharam.
– Quelo ir pra casa... – Anie encostou a cabeça em meu peito.
– A gente vai para casa, Arthur.

Eu já tinha me despedido de Sophia e Mika antes de entrar no carro. Harry estava com eles, acho que iam sair para jantar. Embora eu quisesse irritar mais ainda Arthur, preferi voltar para casa com ele, porque sabia que Anie não iria sem o pai a lugar nenhum.

Pov Arthur

Talvez eu tivesse exagerado um pouco – mas só um pouco mesmo – nessa história. A verdade é que eu já estava irritado e ver Lua falando com ele, não ajudou em nada. Sim, ele é meu amigo. Meu melhor amigo e melhor amigo da minha mulher também. Isso não chega a ser um grande problema. Embora eu conheça Harry a mais tempo que a Lua, os dois se tornaram amigos quando eu ainda nem era nada para ela, e vice-versa.

Eu tenho ciúmes sim, não dos dois como homem e mulher – ai dele se um dia se engraçar para o lado dela... mas sei que isso nunca vai acontecer. – eu tenho ciúmes deles como amigos. Porque Lua as vezes acaba contado as coisas para ele e não para mim. Isso me deixa chateado. Apesar de saber que ela confia em mim, as vezes chego a pensar que não é tanto assim. E sem contar que tem coisas no casamento, que pessoas de fora não precisam ficar sabendo.

Agora ela estava emburrada ao meu lado no banco do carro e Anie quase dormindo no colo dela. Acho que nossa conversa de hoje à noite depois da apresentação, foi por água abaixo. O silêncio no carro estava me incomodando, era como se todos estivessem me observando.

Quase meia hora depois, chegamos em casa. Lua chamou Anie e a menina saiu do carro sem fazer birra. Todos saíram do carro. Eu o estacionei e logo entrei em casa. Carol estava preparando mingau para a Anie e Lua provavelmente estava banhando a pequena.

Subia escada e fui para o quarto depois de beber um copo com água. Tirei a roupa e entrei no banheiro. Nem de longe imaginei que nossa noite terminaria dessa maneira. Pensei em um final mais alegre – eu e Lua fazendo as pazes, estava incluído também.

Não demorei muito no banho, quando saí, me enxuguei e vestir uma boxer preta. Eu tinha perdido a fome, e era verdade que eu estava com uma puta dor de cabeça. Meu celular começou a tocar e um número desconhecido começou a piscar na tela. Ignorei a chamada e me deitei, sem me embrulhar. Coloquei um dos braços sobre os olhos e os fechei.

Um serzinho pulou em cima de mim quando eu já estava praticamente dormindo. Anie estava com uma mamadeira nas mãos.

– A segunda mamadeila. – Me disse.
– O que foi agora, hein mocinha? Isso é jeito de chegar aqui?
– Não me bliga...
– Não vou brigar com você. – Falei colocando Anie deitada na cama e ouvi a água do chuveiro caindo.
– Minha mamãe tá tomando banho. – Ela colocou a mamadeira na boca e virou para o outro lado. Ela vestia um pijama rosa com um cupcake estampado na frente e uma frase com um coração embaixo: “I Cupcake”.
– Você vai dormir aqui? – Perguntei.
– Não. A mamãe disse só até eu acabar o gagau... vou tomar devagar. – Anie riu, me fazendo rir também.
– Tá bom...


Quando Lua saiu do banho, foi para o closet e quando saiu de lá, vestia uma camisola vinho, de alcinha, com um laço no meio, e rendas acima dos seios e na barra da camisola. Ela sabia como provocar. Mas tinha escolher logo essa camisola?


Golpe baixo!

Bom, pelo menos não era uma de cor branca. Não consegui disfarçar e meus olhos acompanharam cada movimento dela. Lua se sentou na poltrona e destampou o vidro de hidratante, passando nas pernas em seguida.

O quê? Desde quando Lua se passava essas coisas antes de ir dormir?

Ela sempre disse que a pele precisava respirar. Eu nunca entendi muito bem isso. Agora ela vem achar de se lambuzar de creme na minha frente, quando eu não posso nem triscar um dedo nela. Igual fazia quando estava grávida de Anie, o último mês foi uma tortura. Só de lembrar que fiquei três meses sem sexo... faz eu querer nunca mais passar por isso. Não que eu não consiga me aguentar, não sou nenhum insensível. O fato era que Lua não colaborava. Ela me provocava sempre que podia, porque sabia que eu nunca tentaria nada, com medo de machuca-la, já que ela tinha sido operada. Me lembrar disso, me faz rir agora.

– Acho que ela dormiu. – Comentei. Lua me olhou, ela estava lendo um livro.

Quem lê: Política e Direito Constitucional a uma hora dessas, onze e quinze da noite? A Lua.

– Vou leva-la para o quarto. – Disse ela.
– Eu a levo, Lua. Quero conversar com você quando voltar.
– Olhar, Arthur. Não estou nem afim de voltar a discutir com você mais hoje.
– Vamos conversar e não discutir, prometo. – Falei carregando Anie e saí do quarto.

*

Quando voltei, Lua estava sentada na cama. Andei até o meu lugar e me deitei, ela me encarou.

Primeiro: Eu quero ter uma conversa civilizada com você. Segundo:  Quero que me diga tudo o que eu falei quando cheguei bêbado. Terceiro: Peço desculpas por hoje mais cedo.
– Espera que eu te desculpe assim, tão fácil pelas barbaridades que disse? “Assim ele aproveita e fica logo com tudo.” Que ridículo. – Me disse irritada.
– Você sabe o que significa: Civilizado?
– Você não está colaborando muito para isso, fazendo esse tipo de gracinha. – Ela avisou.
– Ok... Vamos tentar. Comece a falar... – Suspirei.
– Sem contar que ainda tem sua cena de hoje. Não consigo acreditar.
– Não vou pedir desculpas para o Harry. Pode esquecer... – Falei. – Agora não mude de assunto.
– Arthur... eu só queria que você realmente falasse comigo sobre tudo o que está sentindo. De como está se sentindo. – Começou. Franzi o cenho completamente confuso.
– Do que você está falando? Eu conto as coisas para você, sabe disso. – Ela negou.
– Não conta, e sabe disso. Fica guardando as coisas para você. Não pode cobrar de mim, o que nem mesmo você faz.
– Lua? Do que você está falando? – Perguntei e ela suspirou. – O que eu te disse?
– A verdade... – Ela parou e seus olhos se encheram de lágrimas. Me sentei na cama. O que eu tinha dito a ela? Merda! – a verdade é... é que você... você me culpa pelo o que aconteceu. Você não quer que eu me culpe, mas você me culpa! – Exclamou deixando as lágrimas caírem.
– Luh... eu... eu não...
– Você, sim! Você me disse... estava bêbado, mas disse tudo o que não tem coragem de falar quando está sóbrio.
– Eu não a culpo!
– Culpa, sim! Você falou, droga! DISSE QUE EU TENHO DEFEITO! – Gritou.

Não. Eu não falei uma besteira dessa.

– E QUE... QUE... que não queria me culpar. Falou que esse é meu único defeito que você sem importa. – Ela fungou, e mordeu os lábios. Estava tremendo e eu não sabia o que fazer.
– Luh... eu não falaria uma coisa dessa.
– Você falou, Arthur. E não sabe... o quanto foi difícil ouvir... e fingir que estava dormindo. Eu chorei... eu chorei muito.
– Me perdoa, Luh... eu te amo, você sabe. – Eu não sabia o que falar. Como me defender. Eu nem acreditava que tinha falado essas coisas.
– Eu sei... – Ela assentiu. – Você também disse isso. – E assegurou que não estava bêbado... disse que só estava triste, por isso saiu e bebeu, disse que... precisava. – Ela tentou buscar ar. – Você não precisa disso, Arthur.
– Eu não preciso, Luh... – Concordei.
– Você não queria que eu soubesse da sua tristeza. – Lua me olhou. – Mas agora eu sei que você me escondeu ela o tempo todo.
– Eu não te culpo, Luh... Eu te culpei, admito. Te culpei quando me contou... e me... me arrependi. Você estava tão triste, eu tive tanto medo de te perder... não de perder porque achei que ia morrer, mas de perder... perder... porque pensei tantas coisas... Não queria que você se afastasse... eu queria que ficasse bem, eu... eu tentei... – Balancei a cabeça lentamente. – Eu estou tentando fazer com que você fique bem. Não quero que fique pensando nisso e se sinta mal.
– E você? Como você fica? Não vê que não é sou eu? – Ela continuou chorando.
– Luh...
– Você precisa falar comigo também, Arthur. Não é só eu quem está sofrendo. Tem você... Por que fica me escondendo seus sentimentos? Se não conversarmos, não vamos nos entender.
– Não quero falar sobre isso... – Falei baixo.
– Tá vendo? Nunca vamos nos entender se você continuar ignorando esse assunto... não vê?
– Acho que já falei tudo... por que quer ouvir de novo?
– Você estava bêbado. – Me disse irritada, batendo com as duas mãos no colchão.
– Eu queria poder me lembrar das coisas que te disse. – Suspirei derrotado.
– Só você sabe das coisas que está sentindo, Arthur... por que não começa a me falar? Quero te ouvir, te entender... – Pediu baixo, suspirando.
– Fiquei muito triste... talvez eu ainda esteja, não sei direito...
– Como não sabe? – Perguntou e eu me deitei na cama, Lua permaneceu sentada.
– Não quero estar...
– É uma escolha, Arthur.
– Eu sei... E não quero estar, mas... ao mesmo tempo, fico pensando que sou insensível, porque você está triste, sei que está. – Falei e virei o rosto o para olhá-la.
– Você não é eu, Arthur.
– Como posso pensar em ser feliz, se vejo que você não está?
– Não quero ser a responsável por privar você de se sentir bem... entende?
– Não, Luh... Não quis dizer que a culpa é sua. Eu sei que você não quer, eu só não consigo, querida. Quero ser feliz com você... voltar a ser feliz... – Consertei. – Entende?
– Sou feliz com você, Arthur... achei que soubesse disso.
– Agora você não está feliz.
– Estamos conversando, Arthur...
– Fui estupido hoje mais cedo. – Admitiu.
– Não terminamos de falar sobre o que aconteceu de madrugada. – Me disse eu suspirei.
– Ok. Mas eu não sei mais o que falar. Não quero te magoar... acho que já fiz isso, não quero fazer de novo. – Lhe disse.
– O intuito dessa conversa, é esclarecer as coisas... Colocar os pontos nos “is”. Se você não me falar a verdade, não vamos ficar bem.
– Eu não queria que essas coisas estivessem acontecendo. E nem queria estar tendo essa conversa agora com você, a verdade é que eu nunca pensei em tê-la. Eu não pensei tantas coisas que nesse último mês acabaram acontecendo. – Falei calmamente. Eu estava tentando me controlar. Eu não queria chorar, mas estava ficando cada vez mais difícil ao ver o rosto de Lua coberto pelas lágrimas que ela derramava desde o início da conversa.
– Essas... essas coisas também nunca... nunca passaram pela minha cabeça. – Ela falou mexendo nos dedos. Lua não me encarava mais. – É verdade que eu nunca pensei em ter um filho, ou mais filhos... mesmo namorando, noivando com você. – Contou. No fundo eu sabia disso, e para mim, não importava mais. Fora eu quem sempre insistir para termos um filho. – Mas aí... a gente casou... eu sabia que queria uma família... queria filhos... um menino. – Um soluço escapou de seus lábios e eu fechei os olhos.

Droga! Por que ela tinha que ficar lembrando disso?

– E eu comecei realmente a pensar nisso... no dia do nosso casamento... Lembra? Quantos filhos quiser? Quantos meninos quiser? – Ela voltou a chorar compulsivamente. Senti vontade de abraça-la, mas não conseguia me mover. – Desculpa, amor... – Pediu baixo.
– Luh... na verdade, não importava o número de filhos que teríamos. Não tem o porquê se desculpar. Você me deu a Anie. É um pouco triste de certa forma, lamentar que tenha vindo ela e não um menino... Quando somos feliz por tê-la. E eu não a trocaria, se isso significasse ter um filho e ter que perdê-la. Eu não consigo mais viver sem a minha filha. Não quero que fique lamentando e se culpando por isso. A gente não escolhe um filho, Luh... – Falei sem parar, embora meu tom de voz fosse baixo e controlado. Ela ergueu o rosto e me olhou.
– Eu não lamento por ter vindo ela... eu fico triste por não poder te dar mais um filho...
– Não fique... Eu passei alguns dias pensando nisso. Sei que quando resolveu parar com a pílula, estava disposta a me dar um filho. Isso me deixou feliz, quando me contou, mesmo que tivesse o perdido. Saber que queria isso também, um outro filho... me deixou feliz. Eu ia adorar a surpresa. – Sorri sem mostrar os dentes e Lua fez o mesmo. Estiquei o braço e lhe ofereci a mão, ela a segurou. – Eu sei que você também nunca pensou que isso aconteceria, que íamos passar por isso. Não se sinta culpada. – Pedi.
– Você disse que eu pareço um anjo... – Ela deixou um riso baixo escapar e eu sorri, apertando sua mão.
– E parece... mas só as vezes. – Admiti e Lua concordou.
– Foi o que me disse.
– Sou louco por você, Lua... Eu jamais me arrependeria de tê-la como minha mulher, se você chegou a pensar isso. Vou ficar chateado. Não casei com você porque me daria filhos... eles viriam com o tempo. Embora eu fosse um pouco apressado. – Rir. E Lua continuou me encarando atenta. – Casei porque te amo. E não conseguia me imaginar com outra mulher que não fosse você. E temos uma família, não me sinto na obrigação de ficar lhe cobrando mais coisas. – Declarei. – E nem quero que se sinta assim, está me entendendo? – Perguntei e ela assentiu, murmurando um sim, em seguida. – Sei que fui um idiota por ter falado essas coisas primeiramente, completamente bêbado. Me perdoa, você não merecia saber disso daquele jeito. E se precisar de um tempo para pensar direito... ok. Te dou o restante dessa noite... – Brinquei e Lua soltou um riso um pouco mais alto. – Só não demora muito... porque isso está me matando. Você sabe que é a única que poderá acabar comigo se resolver se afastar. – Confessei.
– Não fala assim... vou me achar. – Ela brincou e vi que estava emocionada.
– Achei que você já se achava mesmo sem saber. – Impliquei. – Eu te amo... e quero que troque de camisola. – Completei. Lua me encarou confusa.
– O que tem a minha camisola?
– É sexy demais, e você ainda não me perdoou e eu nem posso te beijar, muito menos tirar essa camisola do seu corpo. – Respondi chateado. Ela riu.
– Acho que esse assunto já está encerrado. – Comentou.
– Só quando você me perdoar... – Sussurrei.
– Eu já perdoei você... – Respondeu. E nem me controlei ao puxá-la para cima de mim. Foi muito rápido.
– Por que não disse antes? – Segurei seu rosto com as duas mãos e Lua colocou uma perna de cada lado da minha cintura. – Não fala nada agora... – Falei e em seguida e puxei seu lábio inferior, antes de aprofundar o beijo. Suas mãos passaram por baixo de minhas costas e Lua passou as unhas, arranhando-a. Segurei um gemido, até senti-la passar os beijos para o meu pescoço. Meus pelos se eriçaram. E não consegui me controlar... subi sua camisola e passei minhas mãos pelas suas coxas, bumbum, costas e segurei em sua nuca, trazendo seu rosto para a frente do meu.
– A gente precisa... conversar mais vezes... – Lua murmurou completamente sem ar.
– Temos a vida toda para conversar, querida... E já conversamos muito hoje. – Falei beijando todo seu colo, e Lua soltou um gemido próximo a minha orelha.
– Você ainda vai... amanhecer com vontade? – Comentou me fazendo parar de beija-la e encara-la.
– Quando foi que eu disse isso? – Franzi o cenho.
– Hoje... Droga, Arthur! – Lua exclamou fechando os olhos quando apertei o bico de um de seus seios e o puxei. – De manhã. – Completou com dificuldades.
– Eu estava irritado... nunca acordaria com uma vontade daquelas... Mas não posso dizer o mesmo quanto a essa vontade agora. Desculpa, amor... Essa vontade eu tenho toda e a qualquer hora. – Sorri maroto e Lua gemeu quando pressionei seu corpo contra o meu. – Principalmente, quando inventa de vim me provocar...

Continua...

Se leu, comente! Não custa nada.

N/A: Oi? Ufa! Terminei, cem anos depois – mentira, quase um mês depois. É, foi muito tempo de qualquer forma –. Me desculpem, tá? Preciso dar uma aviso a vocês sobre uma decisão que eu acabei tomando há algumas semanas.

Leiam com atenção!

Eu não estou conseguindo conciliar as coisas, fazer duas ou mais ao mesmo tempo. E no momento, preciso escolher para o que dedicar meu tempo. E Little Anie, teve que ficar de lado. Me desculpem mais uma vez, mas eu realmente preciso dar um tempo dela. Eu não estou abandonado a fanfic e muito menos o blog. Tentarei atualizar sempre que der: O Poderoso Aguiar e How Cant'it Not Leve'it – quando a autora me enviar –, a primeira já está finalizada, não é minha e eu não tenho trabalho com ela e isso se torna mais fácil e a segunda, não sou eu quem escrevo e também não tenho que me preocupar com o desenvolver dela, eu só corrijo a mesma.

Na vida, temos prioridades e objetivos. Eu tentei mesmo manter as duas coisas... mas chega uma hora que não dá e temos que escolher. Ficarei 2 meses sem atualizar Little Anie. E eu espero do fundo do meu coração, que entendam e que esteja aqui quando esses dois meses acabarem. E eu voltar com a história. E vou logo avisando, terá uma nova também <3 \o/

Não foi fácil decidir isso, mas se tornaria mais difícil se eu continuasse. Porque estou sem tempo para me dedicar a história do jeito que ela merece. Vocês sabem que eu não suporto escrever de qualquer jeito, qualquer coisa. Eu conversei com uma pessoa sobre essa decisão e só ela sabe o quanto eu tentei terminar esse capitulo há dias... e não consegui. Fazem semanas que eu venho prometendo uma atualização. E só hoje eu consegui. Ela sabe o quanto estou apreensiva com a prova e muito nervosa. E não quero que nada me atrapalhe e me dedicar a L.A. no momento, seria sinônimo disso. Uma coisa que eu não quero.

Espero que tenham entendido... eu volto, não é um adeus. Fiquem tranquilas, que ainda iremos amar, rir e chorar muito com Little Anie...

***

Voltando a esse capítulo e ao que postei mais cedo: O que acharam? A espera valeu a penas? Espero que sim, hein?! <3


Não sou boa em inventar nomes de espetáculos nem de escola de dança hahaha mas acho que ficou bom. O que acharam? 

* O que acharam da apresentação da pequena? <3 haha
* E do ciúmes do Arthur? Hahahahahaha MDS! Que homem ciumento!
* A conversa e a reconciliação alcançaram a expectativa de vocês? Bom, sou suspeita para falar, mas me esforcei muito ao escrever esse capítulo. Eu queria ele muito bom! E acho que consegui. Vocês mereciam um capítulo enooorme – foram 42 páginas, gente. O maior capítulo até agora, tanto que eu tive que dividi-lo, e eu não queria, mas ia ficar super pesado na hora de carregar e postar.
* Arthur dando um presente para a filha <3 O que acharam do colar?
* O que acharam dos looks? Eu mega adoro montar eles haha Lua sempre arrasa nas camisolas e deixa Arthur louco, concordam? haha A d o r o !

Comentem bastante tá? Eu quero muito saber o que acharam e responderei se tiver alguma pergunta. É só fazê-la.

Vou sentir saudades de vocês...

Um enorme beijo... e até a volta!
Amo vocês... e obrigada por estarem comigo em todos os momentos!

16 comentários:

  1. Nossa como Harry gosta de perturbar a Anie essa, coisa fofa.
    Arthur super possessivo com o que é dele.
    Arthur exagerou nessa crise de ciúmes dele .
    Super entendo vc...Vc fez uma escolha e essa foi a que vc acha que vai ser melhor para vc...
    Que esses dois meses passam logo...Doida pra ler o próximo capitulo...
    Keeh'

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  2. Anie super fofa,como sempre. Arthur ta muito possessivo, tem que se controlar mais, ele exagerou no ciúmes. Quando estão chateados é muito ruim, mas a reconciliação compensa tudo!! Lua ama provocar o Arthur com essas camisolas, e Anie um amor com esse pijama de cupcake!!
    Sentiremos falta de L.A., mas entendemos que precisa se dedicar a outras coisas mais importantes no momento!
    Helena

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  3. Arthur super ciumento e possessivo ♥♥ Amo todos os personagens, Anie como sempre uma fofura e Harry adora tirar os outros do sério principalmente o Thur que é super ciumento.
    Kkkkk.....Arthur não resiste a Lua, sempre o provoca com as camisolas, era dessa reconciliação que ele precisava para acalmar os ânimos!!

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  4. Daqui a dois meses estarei aqui, enquanto Litlle Anie não terá atualizações, estarei acompanhado as outras histórias.
    Ja li todas as histórias que aqui foram compartilhadas e amo sempre cada história ♥♥

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  5. Poxa que pena que vai ficar dois meses sem posta! Vou ter que espera pela surpresa do Arthur pra Lua mais um pouco.

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  6. A espera valeu a pena , espero que esses dois meses passem voando e sabemos que quando vi voltar vai ser com tudo . Aguiar seu lindo e gostoso deixar de ser ciumento e possessivo (mas eu amo o o o isso nele) anie a nossa pequena bailarina tão lindo é inteligente os pais ficaram mas babões ainda kkkkk todinho do harry Thur tem que pedir desculpas . Morrendo de amores com essa reconciliação ♥♥♥♥ XX adaline

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  7. Amei super emocionante !!
    É lindo ver o amor de Arthur com a Ane

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  8. Até agora acho que esse virou meu capítulo preferido, vaca. Sério teve tudo o que eu estava esperando.
    Apresentação da Anie
    Ciúmes do Arthur
    Reconciliação do casal
    To apaixonada, li o capítulo várias vezes de tanto apego <3
    Vou sentir saudade de LA, claro, mas tmj vaca. To do seu lado para todas as suas decisões.
    Amei o capítulo como sempre, arraso!!!

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  9. Muito bom o cap!! Tomare que esse dois mês passe logooo...

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  10. Que cap maravilhoso!! Anie linda dançado balé, Arthur ciumento kkk e Lua fica toda boba com as palavras de Arthur. ♥ aline

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  11. Amei super emocionante !!
    É lindo ver o amor de Arthur com a Ane

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  12. Fanfic mais linda e real, sério!! Sei que essa espera vai valer a pena. Você é muito talentosa!

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    1. Oow, Letícia <3 Muito obrigada de verdade!

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  13. Já com saudades web, espero que esse dois meses passe logo, adoro essa web.

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  14. Só falta um mês Agora Hahaha...

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