Belo Desastre - CAP. 32

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Belo Desastre



Capítulo 32 : Lar

Arthur finalmente abriu caminho em meio a multidão com Benny ao seu lado, sussurrando em seu ouvido. Arthur assentiu e respondeu. Meu sangue correu frio nas veias ao vê-lo ser tão amigável com o cara que havia nos ameaçado menos de vinte e quatro horas antes. Arthur se deleitou com os aplausos e os cumprimentos por seu triunfo enquanto a multidão rugia. Ele caminhava mais ereto, seu sorriso era mais largo, e, quando chegou até mim, me plantou um beijo na boca.  Pude sentir o suor salgado mesclado ao gosto ácido do sangue em seus lábios. Ele tinha ganhado a luta, mas não sem alguns machucados.
— O que foi aquilo? — perguntei, ao ver Benny rindo com sua gangue.
— Depois eu te conto. Temos muito o que conversar. — disse ele, com um largo sorriso no rosto.
Um homem deu uns tapinhas nas costas dele.
— Valeu. — disse Arthur em resposta, virando-se para cumprimentá- lo.
— Ansioso para ver mais uma luta sua, filho. — disse o homem, entregando-lhe uma garrafa de cerveja. — Aquilo foi incrível.
— Vamos, Flor.
Ele tomou um gole da cerveja, bochechou e cuspiu. O líquido cor de âmbar no chão estava tingido de sangue. Ele foi passando em meio à multidão, inspirando fundo quando chegamos ao lado de fora, na calçada. Ele me beijou uma vez e me conduziu pela The Strip, com passa rápidos e determinados.
No elevador do hotel, me empurrou de encontro à parede espelhada agarrou minha perna e a ergueu num movimento rápido de encontro a seu quadril. Sua boca procurou a minha ansiosamente, e senti sua mão sob meu joelho deslizar até a coxa e puxar minha saia para cima.
— Arthur, tem câmera aqui. — falei, com a boca encostada na sua.
— Que se foda. — ele disse, rindo baixinho. — Estou comemorando.
Eu o afastei.
— Podemos comemorar no quarto. — falei, limpando a boca e olhando para minha mão, vendo fios vermelhos de sangue.
— O que há de errado com você, Beija-Flor? Você ganhou, eu ganhei, nós liquidamos a dívida do Mick e acabei de receber a proposta da minha vida.
O elevador se abriu e permaneci onde estava. Arthur saiu para o corredor.
— Que tipo de proposta? — eu quis saber
Ele estendeu a mão para mim, mas ignorei. Meus olhos se estreitaram. Eu já sabia o que ele ia dizer
Ele suspirou.
— Já falei, vamos conversar sobre isso depois.
— Vamos conversar sobre isso agora.
Ele se inclinou na minha direção, me puxou pelo pulso e me ergueu em seus braços.
— Vou ganhar dinheiro suficiente para devolver a você o que o Mick te tirou, para você pagar o que falta da faculdade, para eu terminar de pagar minha moto e comprar um carro novo para você. — ele disse, deslizando o cartão-chave pela ranhura na porta e abrindo-a, e depois me colocou no chão. — E isso é só o começo!
— E como exatamente você vai fazer isso?
Senti um aperto no peito e minhas mãos começaram a tremer. Ele pegou meu rosto nas mãos, empolgado.
— O Benny vai me deixar lutar aqui em Vegas. Seis dígitos por luta, Flor. Seis dígitos por luta!
Fechei os olhos e balancei a cabeça em negativa, ignorando a excitação nos olhos dele.
— O que você disse pro Benny?
Arthur ergueu meu queixo e abri os olhos, temendo que ele já tivesse assinado contrato.
Ele riu baixinho.
— Falei pra ele que pensaria no assunto.
Soltei o ar que estava prendendo.
— Ah, graças a Deus! Não me assusta desse jeito, Thur. Achei que você estivesse falando sério.
Ele fez uma careta e assumiu uma postura firme antes de falar.
— Eu estou falando sério, Flor. Eu disse a ele que precisava conversar com você primeiro, mas achei que você ficaria feliz. Ele vai agendar uma luta por mês. Você faz ideia de quanto dinheiro isso significa? Dinheiro VIVO!
— Eu sei fazer conta, Arthur. E também sei manter o juízo quando estou em Vegas, algo que, é óbvio, você não sabe. Tenho que te tirar daqui antes que você faça alguma idiotice.
Fui até o armário, arranquei nossas roupas dos cabides e as enfiei furiosamente na mala. Ele pegou gentilmente meus braços e me virou.
— Eu posso fazer isso. Posso lutar para o Benny durante um ano e a gente fica bem de vida por um bom tempo, um bom tempo mesmo.
— O que você vai fazer? Largar a faculdade e se mudar pra cá?
— O Benny vai pagar minhas viagens e marcar as lutas de acordo com o meu horário na faculdade.
Dei risada, incrédula.
— Você não pode ser tão ingênuo, Arthur. Quando se está na folha de pagamento do Benny, você não vai lutar para ele somente uma vez por mês. Esqueceu do Dane? Você vai acabar se tornando um dos capanga dele!
Ele balançou a cabeça.
— Nós já discutimos sobre isso, Flor. Ele não quer que eu faça além de participar das lutas.
— E você confia nele? Sabe por que o chamam de Benny Liso por aqui?
— Eu quero comprar um carro pra você, Beija-Flor. Um carro legal. Além de pagar as mensalidades da faculdade, as minhas e as suas.
— Ah, a máfia está distribuindo bolsas de estudos agora?
Arthur cerrou o maxilar. Ele estava irritado por ter que me convencer.
— Isso vai ser bom pra gente. Eu posso guardar dinheiro até comprar uma casa. Não consigo ganhar isso em nenhum outro lugar!
— E quanto à sua formação em direito? Você vai ver seus antigos colegas de classe com certa frequência trabalhando para o Benny, juro pra você!
— Baby, eu entendo seu medo, De verdade. Mas estou sendo esperto em relação a isso. Vou lutar por um ano e depois a gente cai fora para fazer o que bem entender.
— Não se larga simplesmente o Benny, Thur. Ele é o único que pode lhe dizer quando acabou. Você não faz ideia de com quem está lidando! Não consigo acreditar que você está sequer considerando essa possibilidade! Trabalhar para um homem que teria mandado os capangas dele nos espancarem sem dó ontem à noite se você não tivesse impedido?
Exatamente. Eu o impedi.
— Você impediu dois dos capangas dele, Arthur. O que você vai fazer se surgir uma dúzia deles? O que você vai fazer se eles vierem atrás de mim durante uma de suas lutas?
— Não faria sentido ele fazer uma coisa dessas. Vou ganhar uma montanha de dinheiro pra ele.
— No momento em que você decidir que não vai mais fazer isso, você se torna descartável. É assim que essas pessoas trabalham.
Arthur se afastou de mim e olhou pela janela. As luzes piscantes coloriam suas feições em conflito. Sua decisão já estava tomada antes mesmo de ele vir falar comigo.
— Vai dar tudo certo, Beija-Flor. Vou garantir isso. E então a gente vai ficar bem.
Balancei a cabeça e me virei, enfiando as roupas na mala. Quando chegássemos em casa, ele voltaria a ser o velho Arthur novamente. Las Vegas fazia coisas estranhas com as pessoas, e eu não conseguiria argumentar com Arthur enquanto ele estivesse embriagado com aquele fluxo de dinheiro e uísque.
Eu me recusei a continuar discutindo o assunto até que estivéssemos no avião, com medo de que Arthur me deixasse partir sem ele. Prendi o cinto de segurança e cerrei os dentes, observando-o olhar de maneira nostálgica pela janela do avião, enquanto subíamos no céu noturno. Ele já estava sentindo falta da malícia e das tentações ilimitadas que Vegas tinha a oferecer.
— É muito dinheiro, Flor.
— Não.
Ele virou a cabeça na minha direção.
— Essa decisão é minha. Não acho que você está tendo uma visão ampla das coisas.
— E eu acho que você perdeu a droga da razão.
— Você não está nem considerando a ideia?
— Não, e nem você. Você não vai trabalhar para um criminoso assassino em Las Vegas, Arthur. É completamente ridículo que você pense que eu poderia considerar essa possibilidade.
Ele suspirou e olhou pela janela.
— Minha primeira luta é daqui a três semanas.
Meu queixo caiu.
— Você já concordou?
Ele piscou.
— Ainda não.
— Mas vai concordar?
Ele sorriu.
— Você vai parar de ficar brava quando eu te comprar um Lexus.
— Eu não quero um Lexus. — falei, borbulhando de raiva.
— Você pode ter qualquer coisa que quiser, baby. Imagine a sensação de ir até a concessionária e só precisar escolher sua cor predileta.
— Você não está fazendo isso por mim. Pare de fingir que é por mim.
Ele se inclinou na minha direção e beijou o meu cabelo.
— Não, estou fazendo isso por nós. Você só não está conseguindo enxergar como vai ser o máximo.
Um calafrio se espalhou no meu peito e desceu pela coluna até as pernas. Ele não conseguiria raciocinar direito até que estivéssemos no apartamento, e eu estava morrendo de medo que Benny lhe tivesse feito uma oferta que ele não teria como recusar. Afastei meus temores, eu tinha que acreditar que Arthur me amava o bastante para esquecer as cifras e as falsas promessas que Benny lhe tinha feito.
— Flor? Você sabe preparar peru?
— Peru? — falei, pega de surpresa pela súbita mudança na conversa.
Ele apertou de leve a minha mão.
— É que o feriado de Ação de Graças está chegando, e você sabe que o meu pai te adora. Ele quer que você apareça por lá, mas a gente sempre acaba pedindo uma pizza e vendo um jogo na TV. Achei que talvez eu e você pudéssemos preparar um peru juntos. Sabe, um verdadeiro jantar de Ação de Graças com peru, uma vez na vida, na casa dos Aguiar.
Pressionei os lábios, tentando não rir.
— É só colocar o peru numa travessa e deixar assando o dia inteiro. Não tem muito segredo.
— Então você vem? Vai me ajudar?
Dei de ombros.
— Claro.
Ele se distraiu das intoxicantes luzes lá embaixo, e me permiti ter esperanças de que ele percebesse, no fim das contas, como estava errado em relação ao Benny.
Arthur colocou nossas malas na cama e desabou ao lado delas. Ele não tinha mais tocado no assunto do Benny, e eu estava esperançosa de que Vegas tivesse começado a sair de seus pensamentos. Dei banho no Totó, com nojo pelo cheiro de fumaça e meias sujas que ele exalava por ter passado o fim de semana no apartamento do Brazil. Depois o sequei no quarto com uma toalha.
— Ah! Agora sim! — dei risada quando ele rebolou, borrifando em mim gotículas de água. Ele ficou em pé, apoiado nas patas traseiras, e lambeu meu rosto. — Também senti sua falta, bonitinho.
— Beija-Flor? — Arthur me chamou, estalando os dedos nervosamente.
— O quê? — respondi, esfregando Totó com a toalha felpuda amarela.
— Eu quero fazer isso. Quero lutar em Vegas.
— Não. — falei, sorrindo para a carinha feliz do Totó.
Ele suspirou.
— Você não está me ouvindo. Eu vou fazer isso. Daqui a alguns meses você vai ver que tomei a decisão certa.
— Você vai trabalhar para o Benny?
Ele assentiu, nervoso, e depois sorriu.
— Eu só quero cuidar de você, Flor.
Lágrimas turvaram meus olhos, sabendo que ele estava determinado. Eu não quero nada comprado com esse dinheiro, Arthur. Não quero nada que tenha a ver com o Benny, nem com Vegas, nem com nada daquilo.
— Você não via problema algum em comprar um carro com o dinheiro das minhas lutas aqui.
— É diferente, e você sabe.
Ele franziu a testa.
— Vai ficar tudo bem, Flor, Você vai ver.
Fiquei olhando para ele por um instante, na esperança dever um reluzir de diversão em seus olhos, esperando que ele me dissesse que estava brincando. Mas tudo que pude ver foi incerteza e ganância.
— Então por que você me perguntou, Arthur? Se ia trabalhar pro Benny não importando o que eu dissesse?
Porque quero o seu apoio, mas é muito dinheiro para recusar. Eu seria louco de dizer não.
Fiquei sentada por um momento, sem reação. Quando consegui digerir tudo, assenti.
— Tudo bem, então. Você tomou sua decisão.
Arthur reluzia de felicidade.
— Você vai ver, Beija-Flor. Vai ser o máximo! — ele exclamou, me puxando para fora da cama e beijando meus dedos. — Estou morrendo de fome, e você?
Fiz que não, e ele beijou minha testa antes de ir até a cozinha. Ao ouvir seus passos sumindo no corredor, puxei minhas roupas dos cabides, agradecida por ter lugar na mala para a maioria das minhas coisas. Lágrimas de raiva escorriam pelo meu rosto. Eu sabia que não devia ter levado Arthur àquele lugar. Eu tinha lutado com unhas e dentes para mantê-lo afastado do lado negro da minha vida e, no momento em que a oportunidade se apresentou, eu o arrastei sem pensar duas vezes ao centro de tudo que eu odiava. Arthur agora faria parte daquilo e, se ele não ia me deixar salvá-lo, eu tinha que pelo menos me salvar.
A mala estava tão cheia que por pouco não consegui fechá-la. Puxeia da cama e passei pela cozinha sem nem olhar para ele. Desci rapidamente os degraus, aliviada por Melanie e Chay ainda estarem se beijando e rindo no estacionamento, transferindo a bagagem dela de cano.
— Beija-Flor? — Arthur me chamou da entrada do apartamento.
Peguei o pulso de Melanie.
— Preciso que você me leve até o Morgan, Mel.
— O que está acontecendo? — ela me perguntou, notando a seriedade da situação pela expressão do meu rosto.
Olhei de relance para trás e vi Arthur descendo rápido as escadas e cruzando o gramado para chegar até onde estávamos.

Hello Hello :)

N/A: Meninas, desculpem a demora pra postar. É que amanhã é meu aniversário (sim, estou ficando velha, 19 aninhos já :o haha) aí ta uma loucura aqui em casa.
Arthur ganhou a Luta \o/  E eles estão voltando pra casa... E pelo visto estão brigando, é isso mesmo produção? O que acharam da atitude do Arthur? 

Lembrete: "O que acontece em Vegas, fica em Vegas."

COMENTEM AÍ, QUERO SABER O QUE ESTÃO ACHANDO!

13 comentários:

  1. Como pode ser tão idiota Arthur? Justamente quando você consegue ficar junto da lua e feliz você da um jeito de estragar... Tomare que você consiga abrir os olhos para a situação.

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  2. Eles não vão terminar né? Agora que tava dando certo, Arthur estraga tudo por causa de dinheiro. Ele tem que cair na real e recusar isso aí!
    Quero só ver o dia de Ação de Graças *--*
    Helena

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  3. Não acredito que o Arthur vai aceitar essa proposta agora que vc ta com a Lua vai fazer isso para de ser idiota e abra o olho senão vc vai perder a Lua

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  4. Ele vai preferir aceitar a proposta e perder a Lua? Sério? :/ eles n podem terminar!

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  5. Ele vai preferir aceitar a proposta e perder a Lua? Sério? :/ eles n podem terminar!

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  6. Não acredito que o Arthur vai fazer isso,justamente agora que ele e a lua ficaram juntos.
    Estou amando a web e qeria te dar uma ideia :ja que vc não posta de final de semana vc poderia colocar três capítulos de sexta ,para compensar o final de semana ,foi so uma sugestão mas desde ja agradeço.

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  7. Arthur é louco aff estar fazendo a coisa errada, e concordo com luinha

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  8. Ai meu o Arthur vai se meter numa fria,esse Benny não presta.O Arthur é tão esperto e vai cair na lábia desse sujeito?não posso acreditar,isso vai dar ruim.

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