Belo Desastre - CAP. 30

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Belo Desastre



Capítulo 30 : Cidade do Pecado

Arthur colocou as malas no chão e olhou em volta do quarto.
— Isso aqui é legal, hein? — Olhei feio para ele, que ergueu uma sobrancelha. — Que foi?
O zíper da minha mala fez barulho quando o puxei pelas bordas e balancei a cabeça. Diferentes estratégias e o pouco tempo de que dispunha enchiam a minha cabeça.
— Não estamos de férias. Você nem devia estar aqui, Arthur.
No momento seguinte, ele estava atrás de mim, cruzando os braços na minha cintura.
— Eu vou aonde você for.
Apoiei a cabeça no peito dele e suspirei.
— Tenho que descer lá. Você pode ficar aqui ou ir dar uma volta a gente se vê mais tarde, tá?
— Eu vou com você.
— Não quero você por lá, Thur. — Uma expressão de mágoa pesou sobre seu rosto e pus a mão em seu braço. — Preciso me concentrar para ganhar catorze mil dólares em um fim de semana. Não gosto de quem vou me tornar enquanto estiver naquelas mesas, e não quero que você veja.
Ele tirou meu cabelo da frente dos olhos e beijou meu rosto.
— Tudo bem, Flor.
Arthur acenou para Melanie antes de sair do quarto, e ela se aproximou de mim com o mesmo vestido que tinha usado na festa de casais. Eu estava com um vestido curto dourado e sapatos de salto alto, fazendo uma careta no espelho. Melanie puxou meus cabelos para trás e me entregou um tubo preto.
— Você precisa de mais umas cinco camadas de rímel, e eles vão jogar sua carteira de identidade no lixo se você não passar mais blush. Esqueceu como se joga isso?
Peguei o rímel da mão dela e fiquei mais uns dez minutos me maquiando. Assim que terminei, meus olhos começaram a lacrimejar.
Droga, Lua, não chora. — falei, olhando para cima e dando batidinhas debaixo dos olhos com um lenço de papel.
— Você não precisa fazer isso. Você não deve nada pra ele. — Melanie colocou as mãos nos meus ombros enquanto eu me olhava no espelho uma última vez.
— Ele deve dinheiro pro Benny, Mel. Se eu não fizer isso, eles vão matar o Mick.
A expressão dela era de pena. Eu a tinha visto me olhar daquele jeito as vezes antes, mas agora Melanie estava desesperada. Ela tinha visto meu pai arruinar a minha vida mais vezes do que qualquer uma de nós seria capaz de contar.
— E da próxima vez? E da próxima? Você não pode continuar fazendo isso.
— Ele concordou em ficar longe. Mick Blanco é um monte de coisas, mas não é desses caras que não pagam o que devem.
Atravessamos o corredor e entramos no elevador vazio.
— Você tem tudo de que precisa? — perguntei a ela, me lembrando das câmeras.
Melanie bateu com as unhas em sua carteira de motorista falsificada.
— Meu nome é Candy. Candy Crawford. — disse ela, com um impecável sotaque sulista.
Estendi a mão.
— Jessica James. Prazer em conhecê-la, Candy.
Colocamos os óculos escuros e ficamos paradas, sem nenhuma expressão no rosto, enquanto o elevador se abria, revelando as luzes de neon e o barulho do cassino. As pessoas se movimentavam em todas as direções, vindas de todas as camadas da sociedade, de todos os estilos de vida e profissões. Las Vegas era um inferno celestial, o único lugar onde era possível encontrar, no mesmo edifício, dançarinas com vistosas plumas e maquiagem de palco, prostitutas com roupas insuficientes e ainda assim aceitáveis, homens de negócios em ternos chiques e famílias inteiras. Atravessamos uma ala ladeada por cordas vermelhas e entregamos a carteira de identidade a um homem de casaco vermelho. Ele me olhou por um instante, e abaixei os óculos.
— A qualquer hora hoje seria ótimo. — falei, entediada.
Ele devolveu nossa identidade e se pôs de lado para que entrassemos. Passamos pela ala de caça-níqueis, pelas mesas de blackjack e paramos perto da roleta. Examinei o salão, observando as diversas mesas de pôquer, e resolvi ficar naquela onde estavam sentados os jogadores mais velhos.
— Aquela. — falei, apontando com a cabeça para o outro lado do salão.
— Já comece agressiva, Lua. Eles nem vão saber o que os atingiu.
Não, eles são a velha guarda de Vegas. Tenho que fazer um jogo inteligente dessa vez.
Fui caminhando até a mesa, exibindo meu sorriso mais charmoso. Os nativos podiam sentir o cheiro de uma vigarista a quilômetros de distância, mas eu tinha duas coisas a meu favor que encobriam o rastro de qualquer golpe: juventude e… peitos.
Boa noite, cavalheiros. Se importam se eu me juntar a vocês? — Eles nem ergueram o olhar.
— Claro, doçura. Sente aí e fique bonitinha. É só não falar.
Eu quero jogar. — eu disse, entregando a Melanie os óculos escuros.
— Não tem muita ação nas mesas de blackjack.
Um dos homens mordia a ponta do charuto
— Essa é uma mesa de pôquer, princesa. Pôquer fechado. Melhor você tentar a sorte nos caça-níqueis.
Eu me sentei na única cadeira vazia, me exibindo ao cruzar as pernas.
— Eu sempre quis jogar pôquer em Las Vegas. E tenho todas essas fichas… — falei, colocando minha pilha sobre a mesa. — E sou muito boa no pôquer online.
Os cinco homens olharam para minhas fichas e depois para mim.
— Tem uma aposta mínima, meu bem. — disse o carteador, que distribui as cartas no jogo.
— De quanto?
— Quinhentos, boneca. Escuta… não quero fazer você chorar. Faça um favor a si mesmo e escolha um reluzente caça-níquel.
Empurrei minhas fichas para o centro da mesa, dando de ombros da maneira como faria uma garota impulsiva e confiante demais antes de se dar conta de que acabara de perder a poupança da faculdade. Os homens se entreolharam. O carteador deu de ombros e jogou suas fichas.
— Jimmy, — disse um dos jogadores, estendendo-me a mão. Quando o cumprimentei, ele apontou para os outros. — Mel Pauli, Joe e esse é o Winks.
Olhei para o homem magrelo que mascava um palito de dentes e ele piscou para mim. Assenti e fiquei esperando com falsa expectativa enquanto eram distribuídas as cartas da primeira mão. Perdi de propósito as duas primeiras, mas lá pela quarta eu estava ganhando. Os veteranos de Las Vegas não demoraram tanto quanto Thomas, o irmão de Arthur, para me sacar.
— Você disse que jogava online? — Pauli me perguntou.
— E com o meu pai.
— Você é daqui? — Jimmy sondou.
— De Wichita. — respondi.
— Ela não é nenhuma jogadora de pôquer online, disso eu tenho certeza. — resmungou Mel.
Uma hora depois, eu havia tirado dois mil e setecentos dólares dos meus oponentes, e eles estavam começando a suar.
— Passo. — disse Jimmy, jogando as cartas na mesa com o cenho franzido.
— Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, nunca teria acreditado. — ouvi alguém dizer atrás de mim.
Melanie e eu nos viramos ao mesmo tempo, e meus lábios formaram um largo sorriso.
— Jesse. — balancei a cabeça. — O que você está fazendo aqui?
— Este lugar em que você está dando golpe é meu, Docinho. O que você está fazendo aqui?
Revirei os olhos e me virei para meus novos amigos, que me olhavam desconfiados.
— Você sabe que odeio isso, Jess.
— Com licença. — ele disse, me puxando pelo braço e me fazendo ficar em pé.
Melanie olhou para mim com um ar vigilante enquanto eu era conduzida para longe dali. O pai de Jesse gerenciava o cassino, e para mim era uma grande surpresa ver que ele havia se juntado aos negócios da família. Costumávamos perseguir um ao outro pelos corredores do hotel, e eu sempre o vencia quando apostávamos corrida de elevador. Ele tinha crescido desde a última vez em que o vira. Eu me lembrava dele como um pré-adolescente magro, alto e desengonçado, mas agora o homem à minha frente era um bem-vestido gerente de cassino, nem um pouco desengonçado e com certeza muito másculo. Ele ainda tinha a pele morena e sedosa e os olhos verdes de que eu me lembrava, mas o resto era uma agradável surpresa. Seus olhos cor de esmeralda cintilavam sob as luzes brilhantes.
— Surreal. Achei que fosse você quando passei por aqui, mas não conseguia acreditar que você tinha voltado. Quando vi essa mocinha limpando a mesa dos veteranos, eu soube na hora que era você.
— Sou eu. — falei.
— Você está… diferente.
— Você também. Como vai seu pai?
— Aposentado. — ele sorriu. — Por quanto tempo você vai ficar aqui?
— Só até domingo. Tenho que voltar para a faculdade.
— Oi, Jess. — disse Melanie, me pegando pelo braço.
— Melanie. — ele riu baixinho. — Eu devia ter me ligado. Vocês são sombra uma da outra.
— Se os pais dela soubessem que eu trouxe a Melanie aqui, isso teria acabado há muito tempo.
— Que bom te ver, Lua. Posso te pagar um jantar? — ele me perguntou, analisando o meu vestido.
— Eu adoraria saber as novidades, mas não estou aqui para me divertir, Jess.
Ele estendeu a mão e sorriu.
— Nem eu. Me passa sua identidade.
Meu queixo caiu. Eu sabia que tinha uma luta nas mãos. Jesse não se renderia ao meu charme com tanta facilidade. Eu teria que lhe contar a verdade.
— Estou aqui por causa do Mick. Ele está metido numa encrenca.
Jesse se afastou um pouco.
— Que tipo de encrenca?
— A de sempre.
— Eu queria poder ajudar. A gente tem uma história antiga, e você sabe que respeito o seu pai, mas também sabe que não posso deixar você ficar aqui.
Agarrei o braço dele e o apertei.
— Ele deve dinheiro pro Benny.
Jesse fechou os olhos e balançou a cabeça.
— Meu Deus!
Eu tenho até amanhã. Estou te pedindo um grande favor. Fico te devendo essa, Jesse. Só me dá até amanhã, por favor.
Ele encostou a palma da mão no meu rosto.
— Vamos fazer assim… Se você jantar comigo amanhã, te dou até a meia-noite.
Olhei para Melanie e depois para ele.
— Estou acompanhada.
Ele deu de ombros.
— É pegar ou largar, Lua. Você sabe como as coisas funcionam aqui. Você não pode conseguir algo a troco de nada.
Suspirei, derrotada.
— Tudo bem. Encontro você amanhã no Ferraro’s, se me der até a meia-noite.
Ele se inclinou e beijou o meu rosto.
— Foi bom te ver de novo. Até amanhã… às cinco, ok? Preciso estar aqui embaixo às oito.
Sorri enquanto ele se afastava, mas meu sorriso se desvaneceu com rapidez, assim que vi Arthur me encarando da mesa da roleta.
— Ah, merda! — disse Melanie.
Arthur fuzilou Jesse com o olhar quando ele passou, depois veio até mim. Enfiou as mãos nos bolsos e olhou de relance para Jesse, que estava nos observando de soslaio.
— Quem era aquele cara?
Assenti na direção do meu velho amigo.
— Jesse Viveros. A gente se conhece há muito tempo.
— Quanto tempo?
Olhei para trás, para a mesa dos veteranos.
— Arthur, depois a gente conversa.
— Acho que ele desistiu da ideia de ser ministro batista. — disse Melanie, olhando na direção de Jesse com um sorriso de flerte.
— É seu ex-namorado? — ele me perguntou com raiva. — Achei que você tinha dito que ele era do Kansas.
Olhei para Melanie com impaciência e depois segurei o queixo de Arthur, para que ele prestasse total atenção no que eu estava falando.
Ele sabe que não tenho idade para estar aqui, Thur. Ele me deu até a meia-noite. Eu te explico tudo depois, mas agora tenho que voltar para o jogo, tudo bem?
Dava para ver os movimentos de seu maxilar sob a pele, e então ele cerrou os olhos e respirou fundo.
— Tudo bem. Te vejo à meia-noite. — E se curvou para me dar um beijo, mas seus lábios estavam frios e distantes. — Boa sorte.
Sorri enquanto ele se misturava à multidão, depois voltei a atenção aos homens à mesa.
— Cavalheiros?
 — Sente-se, Shirley Temple. — disse Jimmy. — Vamos recuperar o nosso dinheiro agora. Não gostamos de ser roubados.
— Façam o seu pior. — sorri.
— Você tem dez minutos. — sussurrou-me Melanie
— Eu sei. — respondi.
Tentei bloquear a ideia de tempo e o joelho de Melanie se mexendo nervosamente debaixo da mesa. O prêmio da rodada já estava em dezesseis mil dólares, o mais alto da noite, e era tudo ou nada.
— Nunca vi alguém jogar assim, menina. Você fez um jogo quase perfeito. E ela não tem nenhum tique, Winks. Você notou? — disse Pauli. Winks assentiu, e seu comportamento animado se evaporava um pouco mais a cada rodada.
— Notei. Nenhum gesto, nenhum sorriso, até os olhos dela continuam com a mesma expressão. Isso não é natural. Todo mundo tem um tique.
— Nem todo mundo. — disse Melanie, com um sorriso orgulhoso.
Senti um par de mãos familiares encostar nos meus ombros. Eu sabia que era Arthur, mas não me atrevi a me virar, não com três mil dólares no meio da mesa.
— Vamos lá. — disse Jimmy.
As pessoas em volta da mesa aplaudiram quando abaixei o que tinha em mãos. Jimmy foi o único que chegou próximo, com uma trinca. Nada de que meu straight não desse conta.
— Inacreditável! — disse Pauli, jogando seu par de dois na mesa.
— Estou fora. — resmungou Joe, levantando-se e afastando-se da mesa com raiva.
Jimmy foi mais elegante.
— Posso morrer hoje sabendo que joguei com uma grande adversária, menina. Foi um prazer, Lua.
Fiquei paralisada.
— Você sabia?
Ele sorriu. Os anos de fumaça de charuto e café manchavam seus grandes dentes.
— Já joguei com você antes. Faz seis anos. Fazia muito tempo que eu queria uma rhe. — E estendeu a mão para me cumprimentar. — Se cuida, menina. Diga ao seu pai que Jimmy Pescelli mandou um alô. — Melanie me ajudou a coletar os meus ganhos, e me virei para Arthur, olhando para o relógio.
— Preciso de mais tempo.
— Quer ir tentar as mesas de blackjack?
— Não posso perder dinheiro Thur.
Ele sorriu.
— Você não consegue perder, Flor.
Melanie balançou a cabeça.
— Blackjack não é o jogo dela.
Arthur assentiu.
— Ganhei um pouco. Tenho seiscentos dólares. Pode ficar com o dinheiro.

Hello Hello, bom dia!
Será que a Lua vai conseguir todo o dinheiro?
E será que o Arthur vai deixar ela ir jantar com o ex?

Com mais 10 comentários, posto o próximo capítulo.

12 comentários:

  1. Q fofo o thur , ela tem q conseguir a grana

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  2. Tomara que ela consiga o Dinheiro e o Mick suma de uma fez da vida dela.
    Muito fofo o Arthur querendo dar o dinheiro pra ela

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  3. Tomara que o Thur deixe Lua ir no jantar com o ex

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  4. Com medo da lua ir a esse jantar e acontecer algum ruim !

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  5. Mt bom kkkk morri com "juventude e...peitos"kkk.O Arthur tem que deixar ela ir no jantar,pq se n ela ta ferrada.

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  6. Perfeito.A Lua tem que dar um gelo nesse cara ou então levar o Arthur junto pro jantar kkkkkk

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  7. Cara o Mick nao tem nada pra fazer da vida e vai fazer merda,ninguem merece
    o Arthur foi muito fofo querendo ajudar ela
    e tumara que ela leve o Arthur para o jantar com o ex dela,porque esse cara ta merecendo apanhar
    muito bom o capitulo estou anciosa pelo proximo

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  8. Lua sabe jogar mesmo hahaha
    Se esse cara tentar algo Arthur mata ele!!
    Helena

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