Peça-me o que quiser (Adaptada)- Capítulos 87 e 88

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Capítulo 87:



Quando chego à boate Amnesia, meus amigos me perguntam por Fernando. Minha cara demonstra que não quero falar disso. Respeitam meu silêncio e não perguntam mais.


Meu querido amigo Nacho me oferece uma Coca-Cola.

— Bebe... Vai se sentir melhor.

Uma hora depois, já estou mais relaxada. Nacho conseguiu me fazer sorrir e só me deixou tomar Coca-Cola. Segundo ele, o álcool não é bom para curar a tristeza. Enquanto todos conversamos, fico observando seu braço. Sua tatuagem me chama a atenção.

Então eu o seguro perto de mim.

— É nova?

— É, sim. Gostou?

Concordo com um gesto.

Sempre gostei de tatuagens e dos homens tatuados.

Algo que Arthur não tem de jeito nenhum. Sua pele é suave e sem marcas, ao contrário de Nacho, que é tatuador e adora ter a pele cheia de desenhos. De repente, tenho uma ideia.

— Nacho, você me faria uma tatuagem?

Ele me crava seus olhos amendoados.

— Claro. Quando você quiser.

— Quanto você me cobraria?

Nacho sorri.

— Nada, meu amor. Pra você eu faço de graça.

— Sério?

— Claro que sim, sua boba.

— Você faria agora?

Surpreso, deixa sua cerveja no balcão e repete:

— Agora?

— É.

— São cinco da manhã.

Sorrio. Mas, muito a fim de ter uma tatuagem, chego mais perto dele.

— Não acha que é uma hora perfeita pra isso?

Não preciso dizer mais nada. Nacho pega firme na minha mão e saímos. Subimos na moto e vamos até seu estúdio. Ao entrar, acende as luzes e olho ao redor. Centenas de desenhos pendurados nas paredes, o trabalho de Nacho ao longo de todos esses anos.

Tribais, nomes, caricaturas, dragões...

— Bem, Dona Impaciência. Que tatuagem você quer?

Sem me mexer, continuo observando as fotos até que vejo algo e então sei exatamente o que quero. Ele se surpreende quando digo o que é, mas procuramos em seus moldes o que eu quero. Decidimos o tamanho. Não muito grande, mas o suficiente para ser notada. Nacho começa a trabalhar no molde. Vinte minutos depois, olha para mim.

— Já está pronto, minha linda.

Nervosa, faço que sim com a cabeça. Ele me mostra.

Observo seu desenho e sorrio. Me convida a me sentar na maca onde faz seus trabalhos.

— Onde você quer a tatuagem?

Hesito por alguns instantes. Quero que a tatuagem seja algo muito íntimo, que só quem eu queira possa ver e que sempre... sempre me faça lembrar dele. De Arthur. Por fim, convencida do que quero, aponto o dedo para meu púbis depilado e sussurro:

— Aqui, quero que você tatue aqui.

Nacho sorri. Eu também.

— Menina, vai ser uma tatuagem muito sensual. Você sabe disso, né?

— Sim, eu sei — respondo.

Nacho faz que sim e pergunta, enquanto pega uma agulha:

— Tem certeza, Lu?

— Tenho — afirmo determinada.

— Tudo bem, linda. Então deite aí.

Enquanto conversamos e escutamos Bon Jovi, Nacho trabalha sobre meu corpo. As picadas da agulha são dolorosas, mas nada se compara com a dor que sinto em meu coração por culpa de Arthur. Por volta das sete da manhã, Nacho larga a agulha na mesinha e lava minha pele com água.

— Prontinho, linda.

Levanto, ansiosa para ver o resultado.

De calcinha, ando até o espelho e meu coração se contrai quando leio em meu púbis:

“Peça-me o que quiser.”

Ao chegar em casa, em torno das oito da manhã, estou exausta e um pouco dolorida por causa da tatuagem. Mas abro o notebook. Passo as fotos que tirei com o celular e fico decidindo qual delas enviar. Depois abro meu e-mail e escrevo:


De: Lua Blanco

Data: 22 de julho de 2012 08:11

Para: Arthur Aguiar

Assunto: Noite agradável

Para que você veja que estou me divertindo e fazendo o que te prometi.

Atenciosamente,

Lua Blanco

 
Anexo à mensagem uma foto em que estou deitada na cama e Fernando me beija.

Nem menciono a tatuagem. Ele não merece. Quero que se sinta mal. Que veja que minha vida continua mesmo sem ele. Após ler a breve mensagem umas cem vezes, aperto “enviar”. Fecho o computador e vou dormir.


Capítulo 88:



É segunda: outra semana de trabalho começa. Não soube mais nada de Fernando e é quase melhor assim. Cada vez que penso no que fiz, sinto vergonha. Sou uma completa idiota. Aproveitei a quedinha dele por mim e, quando consegui o que queria, fui embora sem levar em conta seus sentimentos.

Checo meus e-mails mil vezes, duas mil, três mil, mas Arthur não responde. Ele me deixa num vazio e isso me deixa louca. Definitivamente, ele não está nem aí pra mim. Fui apenas mais uma transa para ele, e preciso aceitar isso. Sou uma imbecil mesmo!

Minha chefe chega e está especialmente chata hoje. Miguel tenta tirá-la do meu pé e faz isso da melhor forma que sabe. Sexo! Eu me faço de boba e finjo não saber de nada.

No fundo, sou grata a Miguel por mantê-la ocupada.

Os dias passam e minha tatuagem está me incomodando. Segui todas as recomendações de Nacho e ainda uso um plástico para proteger.

Continuo sem notícias de Arthur.

Minha chefe está com aquela simpatia de sempre. Enche minha mesa de trabalho até não poder mais, e eu, como boa escrava que sou, mergulho nele. Se tem uma coisa que meu pai me ensinou, é não deixar nada pela metade.

Na quinta-feira saio com os amigos para tomar cerveja. Nacho vai também e me pergunta sobre a tatuagem. É a única pessoa que sabe, e eu não quero contar para ninguém mais. Combino de passar no seu estúdio na sexta-feira para ele ver como está.

Afinal é sexta-feira!

Dentro de algumas horas estarei de férias.

Continuo sem saber nada de Arthur e da suposta viagem às sucursais, então procuro esquecer o assunto. Depois de dar mil voltas na cabeça, decido não pensar mais nisso.

Impossível, porque Arthur não me abandona.

Quando desligo o computador e me despeço dos colegas, quase não acredito. Vou ficar praticamente um mês fora do escritório, desse ambiente, e isso me deixa muito feliz.

Quando saio, vou direto ao estúdio de Nacho. Ele vê minha tatuagem e diz que já posso tirar o plástico de proteção.

Ao chegar em casa, vejo que há uma mensagem da minha irmã na secretária eletrônica.

Pede que eu fique duas noites com minha sobrinha. Tem planos com José. Sem conseguir recusar, digo que sim. Minha irmã está eufórica e isso me faz sorrir.

Às nove da noite, minha sobrinha levada chega à minha casa e se apossa da tevê, enquanto minha irmã, toda afobada, me conta suas últimas façanhas sexuais. Quando ela vai embora, Luz insiste que eu peça uma pizza, e nós duas comemos uma pizza de presunto enquanto sou obrigada a aturar os ridículos desenhos do Bob Esponja. Por que será que ela gosta tanto?

À meia-noite, exausta de tanto Bob Esponja, Lula Molusco e seus hambúrgueres de siri, vamos para a cama. Luz quer muito dormir ao meu lado e eu deixo numa boa.

Na manhã de domingo, minha irmã aparece mais feliz que pinto no lixo e, após dizer “Depois te conto!”, vai embora apressada com minha sobrinha. Meu cunhado a espera com o carro parado em fila dupla.

Nessa noite, depois de um dia inteiro jogada no sofá, eu olho para minha mala.

Amanhã vou para Jerez passar uns dias com meu pai. Tomo um copo d’água e me enfio na cama, mas, antes de apagar a luz do abajur, vejo os lábios de Arthur marcados ali.

Apago a luz e decido dormir. Estou precisando.

Como sempre, minha chegada a Jerez, à casa do meu pai, é motivo de animação na vizinhança. Lola, da quitanda, me abraça; Pepi, do armazém, me enche de beijos. O Bicho e o Lucena, quando me veem, dão pulos de alegria. Todo mundo gosta de mim.

Meu pai é um homem muito querido na cidade. A vida toda teve uma típica oficina de carros e motos, “Oficina Blanco”, e é mais conhecido que o vinho do lugar.

À tarde, na hora em que estou dando um mergulho na piscina maravilhosa que meu pai construiu na casa, Fernando aparece. Vou nadando até a borda, observo sua calça branca e a camisa de linho laranja que ele está usando. Está tão bonito como sempre, e essas cores combinam muito bem com seu tom de pele. Ele sorri. Parece um bom sinal.

— Olá, conterrânea.

— Oláááá!

— Já estava mais do que na hora de você voltar pra casa, sua ingrata.

Suas palavras e seu sorriso me dão a entender que ele está bem, que a mágoa comigo já passou. Isso me reconforta. Saio da piscina com meu biquíni verde militar e vejo os olhos de Fernando percorrendo meu corpo de cima a baixo. Meu pai, que não repara no olhar dele, vem chegando por trás.

— Olha quem veio te ver, moreninha. Vai uma cervejinha, Fernando?

— Obrigado, Manuel. Vou adorar uma.

Meu pai sai e nos deixa sozinhos. Nos olhamos e eu lhe pergunto, rindo:

— Que foi?

— Você está linda.

Feliz com o elogio, murmuro enquanto enxugo o rosto com uma toalha:

— Obrigaaaada... você também está.

Dou dois beijinhos nele. Sinto suas mãos na minha cintura molhada e, ao ver que ele não me solta, replico:

— Me solta ou meu pai vai contar tudo pro seu e eles marcam o casamento pra daqui a dois dias.

— Se assim eu puder te ver mais vezes, tudo bem!

Dou uma risada e ele me solta. Sentamos numa das cadeiras.

— Como estão as coisas?

— Tudo bem e com você?

Fernando faz que sim com a cabeça. Não quer falar muito sobre o que aconteceu.
 
 
 
 
Ninas lindas, eu infelizmente vou ficar pc em casa, por isso não vou poder postar tantos capítulos porque já vou deixar os capítulos já editados e depois é só postar. Também estou a deixar este recado porque não vou poder responder a ninguém, só na segunda que volta para o trabalho é que tenho pc. Mas eu leio todos os comentários :)



louise bonora- Concerteza ela vai mandar as fotos. Ainda falta um pouquinho para ele contar amor :/
Anônimo- Ele mesmo vai contar amor




 
 

7 comentários:

  1. Vai demorar muito pro Arthur voltar?A Lua nao vai namorar esse Fernando não neh!?Curiosaaa,poxa vou morrer,nao para de postar por favor

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  2. web perfeita, posta maisss ++++

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  3. Ahh mdss lua muito lokaa.. Adorandoo!!!

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  4. A lua vai namorar cm o fernando?
    Brigada por responder
    Vai demorar pro arthur volta

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  5. Aiii que luxo essa tattoo >.< só acho que Arthur vai ficar doido qnd ler *-*
    Tomara que ele volte logo, se bem q despois dessas fotos de Lua e do jeito q ele é osso duro
    ahm sentirei falta de tu Jess :(

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