Paixão Sem Limites - Capitulo 2

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Paixão Sem Limites Capitulo 2

 Enxuguei os meus olhos e me forcei a respirar fundo. Não podia desmoronar agora. Não tinha desmoronado ao segurar a mão da minha mãe enquanto ela dava o último suspiro ou quando o seu caixão fora baixado para dentro da terra fria. Também não desmoronara ao vender o único lugar que tinha para morar. Não iria desmoronar agora. Iria sair dessa.
Não tinha dinheiro suficiente para um quarto de hotel, mas tinha a minha picape. Poderia morar nela. Meu único problema seria arrumar um lugar seguro para estacionar durante a noite. A quela cidade parecia segura, mas eu tinha quase certeza de que aquela picape velha estacionada em qualquer lugar durante a noite chamaria a atenção. A polícia viria bater na minha janela antes mesmo de eu conseguir pegar no sono. u teria que gasta  meus últimos 20 dólares em gasolina. Concluí que teria que ir até uma cidade maior, onde a minha picape passasse despercebida em um estacionamento.
 Talvez eu pudesse estacionar atrás de um restaurante e arrumar um emprego por lá. Não precisaria de gasolina para ir e voltar do trabalho. Minha barriga roncou, lembrando-me de que não comia desde a manhã. Precisaria gastar alguns dólares em comida. E rezar para arrumar um emprego quando amanhecesse.
Eu ficaria bem. Virei a cabeça para olhar atrás da picape antes de engatar a marcha a ré. Olhos lindos me encaravam.
Dei um gritinho antes de perceber que era Arthur. O que ele estava fazendo em pé do lado da minha picape? Será que tinha saído para garantir que eu sumiria do seu terreno? Eu realmente não queria mais falar com ele. Comecei a desviar os olhos e a me concertar em sair dali quando ele levantou uma das sobrancelhas para mim. O que significava aquilo?
Sabe de uma coisa? eu não estava nem aí. Mesmo que ele estivesse sexy para caramba fazendo aquilo. Comecei a acelerar a picape, mas, em vez do ronco do motor, tudo que ouvi foi um clique e silêncio. Ah, não. Agora não. Por favor agora não.
Girei as chaves e rezei para estar enganada. Sabia que o marcador de combustível estava quebrado, mas prestara atenção na quilometragem. Não deveria estar sem gasolina. Ainda tinha alguns quilômetros. Sabia que tinha.
Bati com a palma da mão no volante e xinguei a picape várias vezes, mas nada aconteceu. Eu estava ferrada. Será que Arthur chamaria a polícia? Ele queria tanto que eu fosse embora que tinha saído para se certificar. Agora que eu não conseguia ir embora, será que ele mandaria me prender? Ou pior: Chamar um reboque? Se ele fizesse isso, eu não teria dinheiro para recuperar a picape. Pelo menos na cadeia eu teria cama e comida de graça.
Engoli em seco, abri a porta da picape e torci pelo melhor.
- Problemas? - perguntou ele.
Minha frustração era tanta que eu queria gritar, mas apenas concordei.
- Acabou a gasolina.
Arthur deu um suspiro. Não falei nada. Decidi que o melhor naquela situação era aguardar o veredito. Eu sempre poderia implorar depois.
- Quantos anos você tem?
O quê? Ele estava mesmo perguntando a minha idade? Eu estava presa no acesso de carros da sua casa, ele queria que eu fosse embora e, em vez de conversar sobre as minhas alternativas, ele estava perguntando a minha idade? Que cara estranho.
- Dezenove - respondi.
Arthur levantou as duas sobrancelhas.
- Serio?
Eu estava fazendo força para não me irritar. Precisava que aquele cara tivesse compaixão de mim. Forçando-me a engolir o comentário irônico que estava na ponta da minha língua, sorri.
- Sério.
Arthur sorriu e deu de ombros.
- Foi mal. É que você parece mais nova. - Ele parou e os seus olhos desceram pelo meu corpo  e tornaram a subir. O súbito calor no meu rosto foi constrangedor. - Retiro o que eu disse. Seu corpo tem toda a pinta de 19. É o seu rosto que parece muito jovem. Você nunca usa maquiagem?
Era uma pergunta? O que ele estava fazendo? Eu queria saber o que o futuro me reservava, não falar sobre o fato de que usar maquiagem era um luxo ao qual eu não podia me dar. Além  disso, meu ex-namorado (e atual melhor amigo) Igor sempre dizia que eu não precisava de mais nada para melhorar a minha aparência. O que quer que isso significasse.
- A gasolina acabou. Eu tenho 20 dólares na bolsa. Meu pai fugiu e me abandonou depois de me dizer que me ajudaria. Acredite em mim: ele era a ÚLTIMA pessoa para quem eu pediria ajuda. E não, eu não uso maquiagem. Tenho problemas mais graves no momento do que ficar bonita. E agora, você vai chamar a polícia ou um reboque? Se eu puder escolher, prefiro a polícia. - Fechei a boca para encerrar o meu desabafo. Ele tinha me pressionado e eu não consegui segurar a língua. Agora cometi o erro de dar a ele a ideia do reboque. Merda.
Arthur inclinou a cabeça e me observou. Quase não consegui suportar o silêncio. Eu acabara de compartilhar informação demais com aquele sujeito. Se ele quisesse, poderia dificultar a minha vida.
- Eu não gosto do seu pai e, pelo tom da sua voz, você também não - disse ele, perspicaz.- Tem um quarto vazio hoje á noite. Vai ficar vazio até a minha mãe voltar. Eu não peço para a empregada dela vir quando ela está viajando. Nas férias dela debaixo da escada. É pequeno, mas tem cama.
Ele estava me oferecendo um quarto. Eu não iria cair em prantos. Poderia fazer isso mais tarde. E, pelo menos, não iria para a cadeia. Graças a Deus.
- Minha alternativa é esta picape. Posso garantir a você que o que está me oferecendo é bem melhor. Obrigada.
Arthur franziu o cenho por um instante, mas a expressão logo sumiu e o sorriso descontraído voltou a surgir no seu rosto.
- Cadê a sua mala? - indagou ele.
Fechei a porta da picape e fui até a traseira para pegar a mala. Antes que eu pudesse estender a mão, um corpo quente com um cheiro desconhecido e delicioso e esticou por cima do meu. 
Congelei enquanto Arthur pegava a minha mala e a puxava para fora.
Eu me virei e ergui os olhos para ele. Arthur piscou.
- Posso carregar a sua mala. Não sou tão babaca assim.
- O-obrigada - gaguejei, sem conseguir desgrudar o meu olhar.
- Ah, que bom que você a deteve. Eu estava dando cinco minutos antes de sair para me certificar de que não tinha afugentado totalmente a garota.
A voz conhecida de Guga me fez sair do meu transe e eu me virei, grata pela interrupção. Estivera encarando Arthur feito uma idiota. Estava surpresa de que ele não tivesse mandado eu dar o fora outra vez.
- Ela vai ficar no quarto da Henrietta até eu conseguir falar com o pai dela e dar algum outro jeito. - Arthur soava contrariado. Entregou a mala a Guga e disse: - Tome, mostre o quarto a ela. Tem gente me esperando.
Arthur se afastou sem olhar para trás. Foi preciso toda a minha força de vontade para não ficar olhando enquanto ele ia embora. Principalmente porque o seu traseiro naquele jeans justo era muito tentador. Ele não era alguém por quem eu devesse me sentir atraída.
- Esse cara é mal-humorado demais - comentou Guga, balançando a cabeça e olhando para mim. Não pude discordar.
- Não precisa carregar a minha mala lá para dentro de novo - falei, estendendo a mão para pegá-la.
Guga afastou a mala da minha mão.
- Por acaso, eu sou o irmão gentil. Não vou deixar você carregar esta mala tendo um par de braços muito fortes, para não dizer muito impressionantes, para carregá-la.
- Irmão? - perguntei.
Guga sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.
- Acho que me esqueci de dizer que eu sou filho do marido número dois da Julia. Ela ficou casada por doze anos com meu pai, desde que eu tinha 3 anos e Arthur 4. Quando se separaram, Arthur e eu já éramos irmãos. O simples fato do meu pai ter se divorciado da mãe dele não mudou nada para a gente. Fomos para a faculdade juntos e entramos até para o mesmo grêmio.
Ah, certo. Por essa eu não esperava.
- Quantos maridos a Julia teve?
Guga deixou escapar uma risada curta e dura. Em seguida, começou a andar em direção á porta.
- O seu pai é o número quatro.
Meu pai era um idiota. Aquela mulher parecia trocar de marido como quem troca de calcinha. Quanto tempo demoraria para se livrar dele e partir para outra?
Guga tornou a subir a escada e não me disse mais nada enquanto seguia na direção da cozinha.
Era um cômodo imenso, com bancadas de mármore preto e aparelhos complicados. Lembrava aquele lugares que saem nas revistas de decoração. Ele abriu uma porta que parecia uma grande despensa com espaço para uma pessoa entrar. Sem entender, olhei em volta e o segui até lá dentro. Ele foi até o fundo e abriu outra porta.
Havia espaço suficiente para ele entrar e pôr a minha mala em cima da cama. Era óbvio que estávamos debaixo da escada. Espremido entre a cama e a parede tinha um criado-mudo. Tirando isso, mais nada.
- Não tenho a menor ideia de onde você pode guardar a sua mala. Este quarto é bem pequeno. Para ser sincero, é a primeira vez que venho aqui. - Guga balançou a cabeça e suspirou. - Escute, se quiser ir comigo para o meu apartamento, tudo bem. Pelo menos posso lhe oferecer um quarto no qual de para se mover.
Por mais gentil que Guga fosse, eu não estava disposta a aceitar a oferta. Ele não precisava de uma hóspede indesejada ocupando um dos seus quartos. Pelo menos ali eu estava escondida e ninguém iria me ver. poderia limpar a casa e arrumar um emprego em algum lugar. Talvez Arthur me deixasse ficar dormindo naquele quartinho desocupado até eu ter dinheiro suficiente para ir embora.  Ali eu não tinha tanto a sensação de estar impondo a minha presença. No dia seguinte, iria encontrar um mercado e usar os meus 20 dólares para comprar comida. Pão com manteiga de amendoim devia bastar por uma semana, mais ou menos.
- Aqui está perfeito. Assim eu não atrapalho. Alem do mais, Arthur amanhã vai ligar para o meu pai e descobrir quando ele volta. Talvez ele tenha um plano, sei lá. Mas obrigada, valeu mesmo pela oferta.
Guga correu os olhos pelo lugar mais um vez e fez uma cara feia. Ele não estava contente com aquele quarto, mas eu estava aliviada. Que gentileza a dele se importar comigo.
- Detesto deixar você aqui atrás. Parece errado.
Ele tornou a olhar para mim, e dessa vez a sua voz adquiriu um tom de súplica.
- Está ótimo. Muito melhor do que na picape.
Guga franziu o cenho.
- Na picape? Você ia dormir lá?
- Ia. sim. Mas isto aqui me dá um pouco de tempo para decidir qual vai ser o meu próximo passo.
Guga passou uma das mãos pelos cabelos desgrenhados.
- Você me promete uma coisa? - pediu.
Eu nunca fui de prometer nada. O que eu sabia sobre promessas era que elas se quebravam com facilidade. Dei de ombros. Era o melhor que podia fazer.
- Se Arthur obrigar você a ir embora, ligue para mim.
Comecei a concordar, mas percebi que não tinha o telefone dele.
- Onde está o seu celular para eu poder gravar o meu número? - perguntou ele.
Aquilo iria fazer eu soar ainda mais digna de pena.
- Não tenho.
Guga me encarou boquiaberto.
- Não tem celular? Não é á toa que você anda armada. - Ele enfiou a mão no bolso e pegou o que parecia um recibo. - Tem caneta?
Tirei uma da bolsa e entreguei para ele.
Ele anotou o número rapidamente e me entregou o papel e a caneta.
- Ligue para mim. É sério.
Eu jamais ligaria, mas era gentil ele me oferecer. Concordei. Não tinha prometido nada.
- Espero que você durma bem aqui.
Ele olhou em volta com uma ar preocupado. Eu iria dormir maravilhosamente.
- Eu vou - garanti.
Ele assentiu, saiu do quarto e fechou a porta. Esperei até ouvi-lo fechar também a porta da despensa antes de me sentar na cama ao lado da mala. Aquilo estava bom. Eu podia me virar com aquilo.
                                                                                                                   
                                                                                                                      Continua.....

2 comentários:

  1. maisssssssssssssssssssssss +++

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  2. Posta mais, web bem legal.. vc escreve bem!

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