Certezas - 2ª Temporada - 7º Capítulo

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POV’s Lua Blanco

   E quando você menos espera… a sua vida muda. Para melhor ou pior, nós não sabemos, mas o facto é que ela muda!
   Nunca pensei que ser pedida em casamento me tivesse alternado tanto a vida. Me sinto uma mulher diferente. Talvez porque dei um passo na minha que, para a maioria das mulheres, é um sonho. Subir ao altar de branco é um sonho. Ver o seu noivo no altar à sua espera, todo nervoso, é um sonho.
   Eu não consigo largar o meu anel de noivado um segundo que fosse. Eu tive de substituir esse anel, por aquele que o Arthur me deu, quando éramos mais novos, em forma de coroa. Mas tirei guardar ele como a coisa mais importante da minha vida. Desde aquele Domingo para cá que não consigo tirar da minha cabeça todas as pessoas vindo na minha direção, me felicitanto, me beijando e abraçando. Foi tanta emoção. Eu estava tão sem jeito que nem sei direito como tudo aconteceu. Depois do pedido de casamento e do meu “sim”, as coisas aconteceram voando. Só sei que Arthur me tirou de lá e viemos para casa, onde nos amamos a noite inteira.

   Naquela manhã, eu ia entrar às 9horas no trabalho, pra depois sair às 17horas. Foi uma consciência acordar tão cedo deixando o Arthur ali na cama, mas o banheiro me chamava. Tomei um banho sem pressas, afinal, não estava nem um pouco atrasada, por estranho que parecesse. Quando terminei de me arranjar, fui para a sala e dei de caras com Arthur deitado no sofá, apenas de box. O cabelo dele estava bagunçando e o seu rosto estava inchado ainda de tanto dormir. Sorri. Não tive como não sorrir. Ele é tão lindo, tão meu, tão… suspirei.
   Ele acordou sobressaltado e até eu me assustei. Coçou os olhos de leve e passou as mãos pelos cabelos, sentando no sofá.

- Estava te esperando.
- Reparei. – deitei sobre o peito dele e beijei os seus lábios
- Queria te dar um beijo, antes que você fosse trabalhar.
- Foi bom você tirar umas férias.
- Eu merecia né?
- Muito! – passei a mão sobre o sobrolho dele e coloquei direito
- Pena que você não conseguiu tirar férias no mesmo tempo que eu.
- Mas eu vou tirar daqui a umas semanas, para tratar tudo para o nosso casamento.
- Nosso casamento… - ele riu – Soa estranho, né?
- Não… um dia tinha de chegar. – sorri
- Esse dia está muito para breve. Três meses né?
- Por ai. – peguei a mão dele e olhei para a aliança de noivado – Estou desejosa. Toda a vez que eu penso nisso, parece que sinto umas borboletas estranhas na barriga.
- Nervosismo versus ansiedade.
- Eu acho que é mesmo. – ri – Tenho de contar para a minha mãe.
- Será que precisa?
- Uê… lógico. Ela terá de saber que eu vou casar e que…
- Anjo, mas deve ter saído em muitas revistas.
- Verdade… mas mesmo assim eu vou lhe ligar ainda hoje.

 
   Chegar na clínica foi estranho. Todo o mundo me felicitou. Mesmo sem eu ter comentado nada com ninguém, todo mundo sabia do que tinha acontecido no dia anterior, o que foi estranho. Eu não estava habituada a ser “famosa”.

- Parabéns querida! – disse Hanzel, uma das minhas colegas de trabalho – Você verá que o casamento é bem mais do que dizem por ai. Casamento é união. Duas pessoas se casam porque se amam e prometem a Deus que assim será para sempre. Na saúde e na doença…
- Até que a morte nos separe e blá blá blá. – nos interrompeu o Guzman – Pelo amor de deus, né? Quem é que ainda em pleno século vinte e um, ainda acredita em casamento? Casamento é uma convenção. Todo o mundo acha que nós nascemos para casar, mas não é bem assim. Vocês já vivem juntos há tanto tempo, não é mesmo? – eu assenti – Então pra quê casar? Isso só vai deixar vocês pressionados e sem vontade nenhuma de estarem juntos.
- Você diz isso porque ainda é jovem de mais. Você tem o quê? 20 anos no máximo? – Hanzel o encarou. De todos nós, ela era a mais velha – Casamento é…
- Gente, gente, não discutam por mim. Eu é que sei, não é? A vida é minha. O Arthur me pediu em casamento e esse é um dos meus sonhos. Desde jovem que sonho com isso… - me sentei e fiquei pensativa – Quando a minha Hipertensão estava mais alastrada, eu cheguei a pensar que não ia viver metade do que estou vivendo. Eu pensei que ia morrer com 17 anos e que não ia nem chegar a completar os meus 18… mas hoje estou aqui e casar é o que eu vou fazer! – disse eu, segura de mim.


   À saída, mais tarde, ia para o estacionamento quando escutei o meu celular tocando. Entrei rapidamente no carro e atendi.

- Eike! – disse eu toda feliz ao escutar a voz dele do outro lado da linha
- E ai Lua, como você está, futura mulher?
- Nossa – eu ri – Até você sabe?
- E quem não ia saber?
- Eu já não sei…
- Muitos parabéns. Estou feliz por você.
- De verdade? Obrigada!
- De verdade mesmo. Vocês passaram por tanta que é lógico que tinham mesmo de ficar juntos.
- Eu também acho. Eu amo muito ele. – ouvi um suspiro por parte do Eike – Quando nos encontramos? Estou com muita saudade sua!
- Ahh, é só combinar. Eu estou por Londres, sabia?
- Sério? Porque não me avisou antes?
- Sei lá. Você tem andando ocupada e… não sei, o Arthur…
- O Arthur é meu noivo, mas não manda em mim. Onde você está? Onde nos encontramos?


   E foi no Starbucks que voltei a encontrar o Eike.
   Ele continuava igual. Aquele cabelo moreno de pontas espiadas estava igual, já para não falar na cor daqueles olhos que levam qualquer garota para longe. Me lembro ainda hoje da primeira vez que vi o Eike, no curso que existia para pessoas com doenças crónicas como eu. A primeira vez que vi o Eike senti algo tão forte, mas é claro que não era amor. Era apenas amizade. E fico feliz por essa amizade ter crescido até hoje.
   Assim que entrei, dei de caras com ele já sentado na mesa. Assim que me viu, colocou o braço no alto para que eu lhe visse. Fui em sua direção e o cumprimentei com dois beijos no rosto e um abraço. Ele estava do mesmo tamanho que eu, por incrível que pareça. Nos sentamos e pusemos a conversa em dia.

- O meu cancro decidiu me dar uma pausa, faz já dois anos.
- Eu estou tão feliz por você! – demos as mãos por cima da mesa – A minha hipertensão também está bem controlada, graças a deus.
- Nossa, parecemos dois velhos falando! – nós dois rimos – Me fala de coisas mais alegres. O que tem feito?
- Trabalhado, o que mais?
- Ser pedida em casamento
- Bom, isso também. – voltamos a rir – E você? Cadê as gatinhas?
- Tem aqui uma, bem na minha frente
- Bobo! – dei um tapa na sua mão – Estou falando sério.
- Não estou namorando.
- Pegando?
- Nem pegando.
- Mas está de olho em alguém?
- Não.
- Mané, você tem de acordar para vida.
- Ah Lua… - ele passou as mãos pelos cabelos - Mudemos de assunto.
- Mudemos então… o que vai fazer daqui a três meses?
- Três meses? eu é que sei? – ele riu
- Bom, mas eu sei.
- Sabe?
- Sei! – disse eu – Você vai ser o padrinho do meu casamento!


   Arthur estava em casa quando eu cheguei, pois vi o seu carro na garagem. Vi o meu celular, assim que saí do carro, e vi cinco chamadas perdidas dele. Ele provavelmente, viu que eu saí do trabalho às 17 horas e como o tempo passou e eu não chegava, deve ter ficado preocupado.

- Onde você estava? – ele me abriu a porta sem ao menos eu tocar na campainha.
- Já estava à minha espera? – fiquei surpreendida e fui entrando.
- Sim! Onde você estava?
- Fui tomar café…
- Tanto tempo assim? – ele me pareceu um pouco insensível
- Arthur, o que foi? Deu pra me controlar agora?
- Não, não é isso. – ele se acalmou – É só que… - ele fechou a porta e veio me abraçar pela cintura, beijando já o meu pescoço dando pequenas pausas para falar – Eu estava realmente com saudades.

   Larguei os sacos no chão, junto com a minha bolsa e levei as minhas mãos à volta do pescoço dele, onde agarrei e beijei os lábios de Arthur. O gosto dos seus lábios eram de “quero mais”. Fomos andando para trás, até eu tropeçar nos teus ténis espalhados pela sala e cair no sofá. Era essa mesmo a minha intenção.

- Agora fala sério… - infelizmente, paramos o nosso beijo para respirar, pois sem ele, não vivemos.
- O quê? – ele estava deitado sobre mim, com o rosto ligeiramente inclinado para o meu peito
- Você estava com quem?
- Jura? – o encarei e sentei no sofá, o empurrando para o lado.
- Claro.
- Eu estava com o Eike. – me levantei e peguei a minha bolsa do chão – E tem mais. Ele vai ser padrinho do nosso casamento. Falei hoje com ele.
- O quê? Como assim você falou com ele?
- É… falei. Eu não te disse que fui no caf…
- Eu sei muito bem onde você foi. Mas custava antes ter falado comigo? Custava? – ele colocou as mãos na cintura
- Agora está feito. Não tem como voltar atrás.
- Ah sim? – agora cruzou os braços – E se do nada eu, agora do nada, convidar uma pessoa qualquer para ser a madrinha?
- Como assim uma qualquer? – foi a minha vez de cruzar os braços, não antes de jogar a minha bolsa para o sofá – Eu não escolhi um qualquer para ser padrinho. É o Eike, nosso amigo…
- Seu amigo! – ele disse alto
- Nosso amigo! – corrigi ele – Que eu saiba, ele bem que te ajudou, quando éramos mais novos e…
- O que ele fez ou não, já passou, é passado!
- Eu não esqueço o passado. Todo o mundo tem…
- Lua, não vamos brigar.
- Então deixa de ser besta! – bati o pé – Isso tudo são ciúmes?
- Claro que não. Eu só achei falta de respeito você ter tomado uma decisão sem antes ter falado comigo. Você fez isso nas minhas costas e…
- Falta de respeito? – eu ri irónica – Você hoje dorme no sofá!
- O quê? Porquê? – ele colocou a mão no peito, como se fosse inocente
- Você vai ficar a dormir no sofá até admitir que são mesmo ciúmes! – peguei a minha bolsa e fui para o quarto.


   Em três meses fizemos tudo para que o casamento fosse de sonho. Afinal, só casamos uma fez na vida e convêm que seja um momento inesquecível em toda a nossa vida.
   Quando anunciei à minha mãe que eu e o Arthur íamos casar, ela quase teve um pequeno ataque cardíaco. Eu comuniquei a ela por celular, porém, a minha irmã Estrela estava ao lado da minha mãe, no momento, e teve de desligar a chamada pois a minha mãe estava muito emocionada. Espero que ela, nesses anos todos, tenha entendido que eu realmente cresci e que nunca mais vou ser aquela menininha que precisa de ajuda para ordenar os remédios ou para ajudar a atravessar a rua.
   Arthur foi quem escolheu a madrinha do casamento e por muito que eu me surpreenda, ele escolheu a minha irmã Estrela. Ela ficou muito feliz com o convite e aceitou na hora. Ele diz que ela foi importante nos nossos tempos de namoro, pois toda a vez que eu e o Arthur estávamos chateados, Estrela dava um jeito de nós nos acertarmos sempre.

    Arthur havia tirado uma semana de férias, mas logo no terceiro dia foi trabalhar, o que me deixou muito chateada. Mas bom, eu não podia fazer nada. Eu tirei um mês de férias para acertar os últimos passos para o casamento. Posso dizer que tratei de tudo sozinha. Porém, quando Arthur viu o que eu tinha preparado, queria alternar tudo, em especial a lista de convidados. Eu queria uma cerimonia simples, com os meus amigos mais chegados e a minha família, assim como a dele, porém ele queria algo bem mais exuberante e luxuoso. Queria fotógrafos, taças de champanhe a toda a hora, empregados de um lado para o outro e até queria fazer a festa num hotel, com direito a hospedar todos os convidados no hotel. Tudo foi como ele quis…

   Nos últimos dias antes do casamento, eu comecei a sentir umas picadas no coração, umas faltas de ar e constantes tonturas e dores de cabeça. Devido ao nervosismo, a minha hipertensão estava se alastrando, mas nada que eu descanso não curasse.
   No dia do casamento, eu não conseguia parar de tremer. Antes de entrar na igreja, chorei muito pois queria que tivesse sido o meu pai a me levar o altar, tal como ele dizia quando éramos pequenas. Infelizmente, esse desejo dele não pode ser tornado real.
   Arthur estava lindo no altar com aquele cabelo arranjado para trás e com o seu tique nervoso de bater o pé e de morder o lábio. Quando o pai dele me deixou no altar com ele, nós demos as mãos e trocamos um “eu te amo”. A cerimonia decorreu sem problemas, mas com muitas lágrimas. Alegria, emoção e saudade.

Desculpem a demora! Que tal foi o capítulo?

13 comentários:

  1. Gostei! Devia postar mais um, rs! ♡♥♡♥♡

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  2. Que lindo ♥
    Quero mais, Cris.

    Mandy S.

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  3. Liiindooo.! Posta maiiis. Urgeeenteee.
    a web e muito boa. Comecei a ler hoje e já li todos os capítulos anteriores.
    Estou aguardando.
    bjs...
    att: Júlia Ramos
    alguém ai do Rio de janeiro?

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  4. Amando, como eu sempre digo! Estou supeer feliiz com essa web! Te adoroo sua perfeita! Aah, antes que eu me esqueça, eu estava sem net, por isso não li e nem comentei o capitulo anterioor! Bjss te adorooo
    By:Rafa

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  5. Amooo de paixaaao maiiiis
    By:Anny

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  6. posta mais ugentermente por favo to adorandooooo

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  7. Maaaaaaaiiiis amoooo

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