"Certezas" - 14º Capítulo

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POV LUA

No capítulo anterior…

Deitamos na cama e depois de dar “boa noite” a ele, e ele a mim, tentei logo fechar os olhos rápido para dormir, mas eu estava com medo, mesmo assim. 

Assim que acordei, logo pela manhã do dia seguinte, senti um friozinho, quem sabe até de preguiça. Matheus estava na mesma cama que eu, porém, bem longe de mim. Ele levou a serio quando eu disse que não nos podíamos tocar. Porém, ele foi tão pra longe, que levou as cobertas junto.

Olhei para o meu celular e vi duas chamadas perdidas da minha mãe, depois vi uma mensagem pedindo para eu lhe ligar assim que eu pudesse.
Bem silenciosa, saí do quarto do Matheus e fui para o meu. Me lembrei do filme de ontem e ri sozinha, pois me lembrei que estava com um medo terrível, que hoje não sinto mais.
Peguei um casaco, os meus remédios e fui para a cozinha. Tinha de tomar um remédio antes de comer qualquer coisa, e outros remédios depois do café da manhã. Têm um sabor terrível, todos eles. Detesto.

- Bom dia. – disse simpática a empregada – Quer que sirva o café da manhã? Temos leite de cabra, queijo fresquinho e pão que acabei de fazer no forno.
- Bom dia, agradeço então. – sorri

Fui até à janela da cozinha para poder ficar um pouco mais à vontade e liguei para a minha mãe. Não sei do que podia se tratar, mas agora tinha ficado com medo.

LIGAÇÃO ON

- Bom dia mãe. Aconteceu alguma coisa?
- Bom dia, Lua. Não, não aconteceu, eu acho. 
- Porque me ligou e mandou mensagem? Você parecia preocupada.
- É que… bom, o Arthur esteve ontem aqui. – ela fez um pequena pausa – Lua, você não disse a ele que ia estar fora este final de semana?
- Não, não disse! – meu coração começou a bater forte. “O Arthur tinha ido na minha casa? Tinha sentido a minha falta? Porque não me mandou mensagem?”, estes eram os meus pensamentos.
- E porque não? O garoto vinha todo contente até cá e levou um bolo.
- E daí? Não é bolos que ele me tem dado até agora? Ele e a sua namoradinha, claro!
- Isso tudo são ciúmes?
- Ciúmes, mãe? Pelo amor! Eu estou muito bem sem ele.
- Ele pediu pra você ligar pra ele
- Eu não vou ligar
- Lua Maria! – minha mãe me repreendeu – O Arthur e você eram tão amigos, o que mudou?
- Mudou muita coisa, mãe. Quando eu chegar, amanhã, eu falo com ele, ok?
- Vai mesmo?
- Vamos ver! 
- Bom… eu tenho que ir fazer compras. Você me ligar à tarde?
- Sim, mãe.
- Bom, até logo. juizinho aí menina.
- Beijo mãe.

LIGAÇÃO OFF

Agora eu havia ficado meia pensativa. Pensativa até era pouco. O Arthur havia mesmo sentido a minha falta. Mas se ele pode arranjar uma namoradinha, eu também posso arranjar um amigo. Até porque vejo o Matheus como apenas isso, um amigo.

- Bom dia. – Matheus parecia meio desanimado quando chegou à cozinha. Ele sentou na mesa, colocou os braços sobre ela e pousou a cabeça.
- Está tudo bem? – sentei ao seu lado
- Não… eu tomei os remédios, que faço devido ao tratamento, e estou um pouco mal.
- Mas você não devia fazer isso no hospital?
- Devia. Mas como eu ia passar o final de semana fora, o médico me explicou passo por passo tudo o que eu tinha de fazer. Assim eu fiz esta manhã, assim que acordei.
- Eu já fiz isso e você não devia ter feito sozinho. Podia me ter chamado para estar com você.
- Eu não queria…
- Por vergonha? – ele assentiu – Pelo amor de deus, né Matheus? Eu sou sua amiga ou não?
- Claro que é… mas relaxa, vai passar. – ele sorriu para mim, meio fraco.

Estes tratamentos causam dores de cabeça, tonturas e má disposição, entre outras coisas, claro. Mas bom, de câncer, eu conheço muito pouco. Pedi a ele apenas que fosse descansar, assim ele foi. 
Enquanto isso, eu andei um pouco por toda aquela quinta e vi coisas que ainda não tinha visto. Tantos animais, tantas árvores, flores e outras pequenas plantações. O trabalho numa fazenda é incrível. Apesar de ser muito trabalho, as pessoas que lá trabalham até parecem se divertirem com o que fazem. Todos os fazendeiros que passaram por mim, passaram com um sorriso no rosto, me dando os bons dias de igual maneira.
Parei em frente aos estábulos dos cavalos e olhei para todos eles, com um brilho nos olhos. Eu adorava cavalos desde pequena e adorava poder montar um. O Matheus me prometeu que iríamos passear juntos de cavalos, mas como ele está um pouco mal, acho que terá de ficar para outro dia.

- Você é a amiga do Matheus?
- Sim. – respondi ao tratador de cavalos
- E onde ele está?
- Ele não estava bem. Ficou no quarto. – eu não conseguia tirar os olhos dos cavalos. O homem foi alimentar eles.
- Gosta de cavalos?
- Adoro. Um dos meus animais preferidos.
- Quer alimentar eles?
- Claro! Mas… - receosa – Não é perigoso?
- Não. Só é perigoso se você for mal com eles
- Claro que não, não seria capaz disso.
- Então vem.

O homem pediu que eu fosse para dentro do estabulo, para uma parte limpinha. Ele trouxe o cavalo até mim. O cavalo era de cores claras, grande e de olhos enormes castanhos. Me assustei quando ele relinchou e principalmente quando ele lambeu a minha mão, por eu ter a sua ração preferida.  

- Se quiser pode montar o cavalo
- Sério? – fiquei eufórica
- Claro. Tenho apenas de colocar a sela nele. Ele adora jovens e crianças, vai gostar de você.
- Mas eu tenho medo de andar – ri envergonhada
- Eu te ajudo.

O fazendeiro se mostrou simpático comigo. Eu quis ir chamar o Matheus, mas ele disse que um outro senhor ia, sendo assim, ele ia preparar dois cavalos para nós.
Matheus chegou uns 10 minutos depois. O seu rosto estava um pouco melhor, não tão pálido, porém, ainda estava um pouco sem disposição.

- Vai você. Eu sei que você quer muito andar de cavalo.
- Mas eu queria que fosse com você
- Pensa que estamos juntos.
- E estamos?
- Claro. – ele sorriu forçado – Vai lá. O cavalo te espera.

Matheus apertou a minha mão, me dando forças pra subir naquele cavalo sem ele. O senhor me ajudou e deixou tudo mais fácil. Eu estava com medo que o cavalo não gostasse de mim, pois, pelo que sei, o animal tem de ter confiança em você, e você nele.
Já em cima do cavalo, o fazendeiro pegava uma espécie de corda, presa ao cavalo, e guiava ele. Gostei de ficar com aquela sensação de que galopei durante horas, porém, apenas andamos bem devagar, pois eu não sou experiente. O cavalo era tão educado. Obedecia a tudo o que o fazendeiro dizia e andava de um jeito super calmo. Passeamos pelos pomares e voltamos ao estábulo.

Mais um desejo da minha lista estava concluído: andar de cavalo.

O Matheus já não estava no estabulo, provavelmente, havia voltado para casa. Quando lá cheguei, percebi um grande tumulto. O carro dos pais dele estava na garagem e uma ambulância estava chegado. O meu coração começou a bater muito rápido, sentia que algo não estava bem.
Corri o mais rápido que eu consegui até dentro de casa. Na sala, ouvi gritos de desespero e os bombeiros, que chegavam, pediam espaço. 

- Você não pode ficar aqui – disse um deles
- Mas… - tentei me explicar
- O que afinal se passa? – a mãe do Matheus estava desesperada – O que é que ele tem?
- Eu não sei… - o pai dele, médico, estava no chão, ao lado de Matheus que lá tinha desmaiado, abrindo o olho do menino e tentando examina-lo
- Eu sei o que ele tem… eu sei. – disse eu, no fundo da sala. 

A mãe e o pai dele olharam os dois para mim, aflitos, à espera de uma resposta. 
Como é que eu ia dizer para eles que o filho deles tinha câncer? Como é que ele se iam justificar? Afinal, se ambos são médicos, como é que não descobriram antes o problema que o filho tinha? Como é que não deram por nada?


Depois de eu contar tudo o que sabia, os pais do Matheus deixaram o garoto ser levado para o hospital mais próximo, e enquanto isso, me trouxeram para casa. O meu final de semana havia acabado da pior forma.
Quando cheguei, finalmente, na minha casa, a minha mãe pediu que eu explicasse tudo.

- Bom, eu estava andando de cavalo, com um fazendeiro. O Matheus disse que não queria andar, pois ainda não se sentia bem. segundo o que sei, o Matheus se sentiu mal no estábulo e foi para casa. Porém, ao entrar em casa, acabou por desmaiar. Por sorte, os pais dele chegaram pouco depois e chamaram a ambulância, foi ai que eu cheguei e contei pra eles que o garoto tinha câncer. Eles não sabiam de nada, mesmo sendo médicos.
- Mas como é que eles não desconfiaram de nada?
- Mãe… o Matheus me falou que os pais trabalham de mais e é raro estarem em casa. Só eu sabia do que ele tinha… - respirei fundo e tentei não chorar – Estou preocupada com ele. Eu não quero que ele morra. Mãe, ele é tão legal. Ele tem tantos sonhos pela frente. Ele quer ser dentista. Ele é tão bom garoto.
- Só Deus sabe o que vai acontecer a ele…  

Suspirei novamente e deitei no colo da minha mãe, que passou as mãos pelos meus cabelos e me fez adormecer. 

Vou postar mais um hoje e o Arthur já vai aparecer! relaxem xD

6 comentários:

  1. Ai que bommm eee
    +++♥♥♥+++

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  2. Ebaaaa! Esperando aqui!

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  3. Ameeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Posta Mais hojeeeeeeeeeeeeeeee pfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpfpf

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  4. Tadinho do Matheus! Quero mais.

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