"Certezas" - 11º Capítulo

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POV LUA

No capítulo anterior…

O celular tocou…

O meu coração começou a bater mais rápido. Senti aqueles tremores de frio e calor ao mesmo tempo. As minhas mãos começaram a ficar molhadas. Eu estava realmente nervosa. A medo, atendi a chamada do Matheus. A minha voz ao inicio saiu totalmente falhada no primeiro “oi” que eu falei, por isso repeti.

- Oi…
- Oi Lua. – escutei a voz dele animada – Está tudo bem?
- Sim, está tudo muito bem. E você, como está?
- Mais ou menos. Os medicamentos estão me deixando com dores de barriga e má disposição, mas os médicos falaram que era normal, porque eu não estava acostumado
- Você vai ficar bem
- Eu estava te ligando porque queria te fazer um convite
- Sério? É o quê?
- Os meus pais têm uma casa fora da cidade e vão para lá amanhã porque têm de fazer uma emergência devido a um grande acidente que houve esta manhã, ou seja, eu tenho de ir com eles, mas não queria ir sozinho. A casa é grande. É tipo uma casa de campo com piscina, jardim, cavalos…
- Cavalos? – me animei
- Sim. É uma espécie de fazendo vá…
- Que legal!
- Vem comigo? Os meus pais não vão nem dormir em casa. Eles vão passar o tempo todo no hospital. Vem por favor Lua, vem comigo! – ele quase implorou
- Eu não sei… preciso de falar com os meus pais
- Tá bom… mas você pode me ligar depois ou mandar mensagem?
- Eu mando.
- Mas se não quiser ir… tudo bem – ele suspirou
- E porque razão eu não ia querer?
- Não sei… talvez porque… a gente mal se conhece e…
- Eu não tenho medo de você – ri – Você não me vai sequestrar e pedir resgate, pois não?
- Bom… - ele fez eu ficar curiosa – Claro que não! – ele riu – Porque razão ia fazer isso?
- Eu que sei?! – rimos de novo. Ouvi um garoto no andar de baixo e deduzi que fosse a minha mãe – Eu vou perguntar pra minha mãe agora, tá?
- Tá! – ele me respondeu – Espero que ela deixei mesmo você ir. Caso você não for, eu morro de tédio
- E os seus pais o que vão pensar?
- Eu falei que você era legal e minha amiga. eles concordaram, não se importaram muito
- Ainda bem. Beijo, depois mando mensagem.
- Beijo Lu. – respondeu ele

Deixei o telemóvel jogado na cama e corri até ao andar de baixo. A minha mãe havia descansado os sacos das compras na cozinha e logo veio para a sala descansar. De pernas estendidas no sofá e de cabeça apoiada na almofada, ela quase deu um salto quando eu me debrucei sobre o seu ombro, tipo uma criancinha pedindo por doces.

- Mãmãe! – abracei ela – Que bom que chegou!
- Menina! – ela colocou a mão no peito – O que foi isso?! Pra quê toda essa agitação?
- É que eu quero te pedir uma coisa…
- Ahh, só podia. Mas Lua, não me peça pra ir pró shopping ou para o cinema porque as coisas não estão fáceis. – vi ela dar um longo suspiro e fechar os olhos, balançando a cabeça
- Mas o que aconteceu?
- Não é nada.
- Mãe, por favor…
- Não é nada filha. É que lá na fábrica onde estou trabalhando, estão despedindo muita gente e eu estou com medo que chegue a minha vez.
- Mas eles não podem! – me levantei – Você trabalha lá à mais de 20 anos.
- Diz isso pra eles minha filha. Eu não posso sair daquele trabalho. Tudo bem que a sua irmã também trabalha e trás algum dinheiro para casa, mas os seus medicamentos são caros e não nos podemos dar a luxos
- Eu sei mãe… - suspirei dessa vez – É tudo culpa minha essa falta de dinheiro. Se não fosse os meus medicamentos, talvez a gente…
- Não fala isso! – minha mãe sentou no sofá – Diga lá o que você queria…
- Não é nada. – sentei no sofá mais pequeno e debrucei a cabeça sobre a minha mão, pousada no “braço” do sofá
- Diz Lua. – minha mãe insistiu
- É que eu recebi um convite para passar um final de semana numa fazenda. Eu queria muito ir, sabe? Mas deixa mãe… a gente não se pode dar a luxos e…
- Lua, mas quem te convidou? Foi o Arthur?
- Não. Eu já não falo com ele. Foi o meu novo amigo, o Matheus.
- O menino que estava na sua clínica? Mas você não conheceu ele esta semana Lua? como pode já querer aceitar um convite desses?
- Mãe, ele é legal. É tão indefeso e tão… - suspirei, me lembrando dele – Ele é tão legal mãe.
- Eu já entendi – a minha mãe riu – Mas isso é seguro mesmo filha?
- Claro que sim mãe. Você deixa eu ir?
- Deixo. Mas com uma condição…


Mala pronta, roupa adequada, assim como o calçado e cabelo preso num rabo-de-cavalo. Estava no meu quarto esperando que desse 9horas da manhã, pra ir até à entrada da minha casa, onde os pais do Matheus me vinham buscar. Faltam dois ou três minutos e decidi verificar a minha mala de novo, talvez pela décima vez.

- Escova e pasta de dentes? Certo!
- Roupa interior e pijama? Certo!
- Cachecóis, gorros e luvas? Certo!
- Meu diário? Certo!
- Meus remédios e plano de exercícios? Certo!
- Câmara? iPod?
- Lista dos desejos? Certo!

Bom, quanto à última coisa que coloquei na mala, eu ainda não sabia mesmo se queria levar ou não. O Matheus pediu que eu levasse, ontem quando mandei mensagem à ele a dizer que iria para a fazenda. Ele disse que ia me ajudar a concluir alguns meus objectivos. Não sei se vai ter a mesma graça de fazer com ele ou de fazer com o Arthur.

- Lua, eles chegaram! – minha irmã berrou pelo meu nome

Depois de me dar mais uma centena de conselhos e recados que a minha mãe havia deixado a ela pra me dizer, eu pude sair de casa e entrar no carro, digo, carrão da família do Matheus.
Fui educada. Dei os bons dias e agradeci pelo convite. Eles se mostraram simpáticos desde o inicio e agradeceram a minha presença. Depois começaram a falar de assuntos relacionados com o trabalho. O Matheus sorria várias vezes para mim e dizia que estava super entusiasmado com este final de semana diferente.
Até lá, à tal fazenda, ainda ia demorar umas duas horas de carro, o que me fez sentir algum sono. Quando eu estava cochilando, o Matheus me balançou e perguntou se eu queria escutar música com ele. Escutamos juntos, algumas músicas da Pink. Descobri mais gostos que eu e ele temos em comum.

Estávamos chegando. Aqueles campos me traziam paz à alma. Todo aquele verde da natureza me dava tranquilidade ao espírito. O médico mesmo me havia aconselhado passar uns dias nos campos, com cheiros agradáveis e naturais. Estes dias me iam fazer muito bem.
O carro dos pais do Matheus parou perto de um cercado. Olhei pra dentro e vi várias pessoas trabalhando nas terras e, mais ao longe, pessoas alimentando uns animais. Me senti animada logo de inicio.
Depois senhores, uma mulher e um homem, vieram até nós e levaram as nossas malas para dentro.

- Matheus, quero que fique responsável com a menina, está bem? – disse o pai dele
- Sim pai.
- Nós vamos trabalhar. Voltamos à noite. Se instalem nos quartos e se quiserem alguma coisa, é só pedir aos funcionários.
- Matheus, não se aventura nos riachos, nas trilhas e nos cavalos, entendeu?
- Sim pai. – repetiu ele
- Bom, até logo. se cuidem!
- Até logo. – respondi junto com Matheus

Os pais dele voltaram a entrar no carro, enquanto eu e o Matheus olhamos em volta daquela enorme fazenda.

- Quando eu era mais moleque, eu passava aqui as minhas férias grandes. Andava sempre em cima dos cavalos e uma dia tomaram um susto enorme comigo, porque eu caí de um e podia ter ficado paraplégico. Já me perdi em várias trilhas e quase me afoguei num riacho. – eu ri junto com ele – E é por isso que os meus pais me encheram agora
- Eles estavam só preocupados.
- Vamos? – ele estendeu a mão para mim.
- Sim. – dei a mão a ele, um pouco receosa
- Está pronta pra viver a maior aventura da sua vida? – eu assenti, risonha – Você está tremendo?


Amanhã eu posto mais :)

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