MINI WEB: Aquele cruzeiro... (parte 2)

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POV LUA

Ele chorava sem parar e não largava o meu abraço. Passei a mão sobre as suas costas, mesmo sabendo que isso provocaria mais o seu choro. Ele deitou a cabeça no meu ombro e não parou de me abraçar.

- Eu e ela não tínhamos uma relação forte. Pelo contrário. Era umas curtes aqui e ali… mas mesmo assim, eu a tratava como uma namorada a serio. Mas eu nem estou muito chateado com ela. Estou mais irritado com o Caio. Ele era um irmão pra mim, mas na primeira recaída, ele me faz isso… me traí!
- Talvez estavam tocados pela bebida e aconteceu isso…
- Não. Eles estavam bem cientes do que tinha acontecido…
- Amanhã tudo vai estar bem.
- Não, não vai! – ele se afastou um pouco de mim e me encarou com aquele seu rosto vermelho e molhado de lágrimas – Você não entende. Um traição não é um simples acontecimento, é…
- Fica calado Arthur. – pedi – Você não sabe do meu passado. Não sabe o quanto eu sofri…
- Você não me contou e eu também não posso adivinhar. – ele foi até à mesa dos drinks e pegou um copo e uma garrafa qualquer
- Não vale a pena fazer isso… - coloquei a minha mão, na mão dele
- Eu só vou…
- Não, não vai. – peguei na mão dele – É melhor você dormir. A noite foi longa, agitada e…
- Eu não vou conseguir dormir.
- Eu faço você dormir… - ele me olhou e sorriu. Me rosto corou – Desculpa, a gente se conheceu esta noite e eu já estou com estas intimidades. Eu vou embora… - peguei a minha bolsa de levar na mão mesmo e fui em direção à porta.
- Não, fica. – ele segurou a minha mão – Nunca ninguém se preocupou assim comigo, mesmo sem me conhecer…
- Eu tenho este defeito…
- De cuidar das pessoas?
- De me apegar… - confessei

Eu estava sentava na cama, e ele tinha a cabeça deitada sobre o meu colo. Passando a mão nos cabelos dele, fiz ele adormecer em menos de cinco minutos. Mesmo com esta triste situação, ele adormeceu com um sorriso no rosto.

Mesmo numa posição desconfortável, eu consegui dormir a noite inteira. Acordei quando ouvi ele sair do banheiro, apenas de toalha na cintura. Eu tinha um lençol por cima de mim, provavelmente, foi ele que colocou.

- Bom dia! – disse ele, todo sorridente – Está com fome? Eu pedi café. – olhei para os pés da sua cama de casal e vi lá a bandeja. – Estava pensando em ir mergulhar na piscina, vem comigo?

Passei as mãos sobre os meus cabelos e desci para o meu rosto inchado de dormir. Meu vestido estava todo amarrotado. Olhei em volta e vi os meus sapatos jogados num canto qualquer do quarto. Olhei para a janela e vi o sol que fazia lá fora.

- O cara que trouxe o café da manhã, comentou que daqui a pouco chegaríamos ao México. Vamos descer do navio e passar pelas praias de Cancun. Vamos juntos?
- Não sei, eu… - ainda estava meia confusa
- Desculpa já te fazer tantos convites, mas a verdade é que só conheço você, além dos dois traidores nesse barco.
- Pode fazer amizades novas, por ai. – me levantei da cama e desmanchei a trança que eu tinha no cabelo, para o jantar de ontem
- Eu já fiz. – ele olhou para mim e sorriu – Ela parece ser legal.
- Está falando de mim? – ri, pegando as uvas da bandeja
- Sim. De quem mais? – ele pegou umas roupas e foi para o banheiro – Obrigado pela noite de ontem. Foi bom dormir com todos aqueles carinhos seus. Hoje, quando acordei, estava abraçado a você. Você tem um perfume otimo.

Eu mordi o lábio para não rir alto.

(…)

De biquíni vestido, saia curta e de óculos de sol, saí do barco ao lado do Arthur. As pessoas estavam animadas quanto à ideia de sair do barco para conhecer as praias mais bonitas do México. Havia um instrutor que comentava as qualidades daquela zona, mas Arthur me puxou para o lado.

- Eu já vim cá uma vez, com uns amigos. Sei tudo sobre isto aqui… - ele olhava sobre os seus óculos de sol, também – Vamos mergulhar no mar. depois eu te levo a comer a melhor coisa que têm cá.

Nós falávamos como se nos conhecêssemos. Porém, não contávamos muitos das nossas vidas um ao outro. Sabia apenas o básico. Adorava viajar, trabalhava na empresa do seu pai, mas decidiu tirar férias pra vir nesse cruzeiro que há muito tempo esperava. Ele vive com o pai, numa mansão enorme e a sua mãe morreu quando ele era pequeno.

Conforme os dias passavam, eu e ele íamos falando cada vez mais.
Todas as manhãs, ele esperava na porta do meu quarto para irmos tomar o café da manhã juntos. E todas as vezes que chegávamos juntos ao salão, onde tomávamos o pequeno almoço, éramos olhados de cima a baixo por Madalena e Caio, ex-namorada e ex-melhor amigo do Arthur, respectivamente.

- Arthur, nós precisamos de falar cara. – Caio chegou e tapou o sol que batia nas nossas costas
- Nem rola. – Arthur virou o rosto
- A gente não pode ficar assim. A gente era amigos, irmãos e…
- Até o momento que você me faz uma coisa daquelas.
- Ela é que deu em cima de mim, além disso, a bebida falou mais alto e…
- Você sempre disse que mulher de amigo, pra você, era homem. Mas parece que não foi bem assim. – ele ia falar, mas Arthur o interrompeu – Essa coisa de dizer que ela é que teve culpa, não cola. Ela não beijou ou transou sozinha. Nem sei o que realmente vocês fizeram.
- Se eu contar a verdade, você me desculpa?
- Contando ou não, a traição está feita! – ele tirou os óculos, encarando Caio e saiu de lá, mergulhando na piscina
- Não tem como você falar com ele? – Caio me perguntou
- Eu? Não tenho nada a ver com isso!
- Ele não fala de mim, pra você?
- Não. Temos melhores coisas para fazer…
- Pelos vistos a filha andou…
- Nada disso! Somos apenas amigos. – Caio foi embora.

Me voltei e olhei para a piscina. Arthur estava parado, dentro da piscina, olhando longe. Ele parecia ser daqueles garotos que têm tudo, dado pelo papai. A verdade é que ele é assim… mas não é tão mimado. Ele tem sentimentos e percebemos perfeitamente quando está falando a verdade ou não. Ele sentia a falta do Caio, mas o seu orgulho era maior. Se bem que traição não é fácil de encarar.

Enquanto jantávamos, ele estava calado. Madalena tinha tentando falar de novo com ele, assim como Caio que encheu o celular de Arthur de mensagens.

- Você está tão distante…
- É que me arrependo de ter vindo para cá.
- Jura? – fiz bico – Se arrepende de me ter conhecido?
- Não, isso nunca. – consegui arrancar um sorriso dele – Mas é que… sei lá, dias antes de eu vir para cá, eu pensei que tudo ia ser diferente.
- Quando eu vim para este cruzeiro, eu vinha com a intenção de esquecer muita coisa. Isso tá acontecendo… mas também prometi não me envolver com nenhum garoto, porém… - o encarei
- Porém…?
- Porém que… - eu ri – Você é muito atraente… - mordi o lábio
- Quer me pegar é? – rimos juntos – Brincadeira… - ficamos em silencio
- Você podia ser simpático e dizer que sou atraente também.
- É… - ele fez questão de olhar para o meu decote – Morenas sempre foram as minhas preferidas.
- Mas a Madalena era loira…
- Eu não ligo para a cor do cabelo. Eu prefiro o coração.
- Meu coração é bom… bom de mais.
- Deixa eu me certificar disso? – ele pegou a minha mão por cima da mesa
- Como? – perguntei
- Não sei… - ele largou a minha mão e continuamos a jantar – Vamos dançar a noite inteira?
- Vamos!

A balada naquele cruzeiro era legal. As luzes davam um sensação de liberdade e loucura. A festa era na piscina de fora do barco. A galera mergulhava, dançava e beijava muito. Arthur se mexia bem, mas era para o meu corpo que ele mais olhava. Confesso que provoquei. Dancei até ao chão, dancei colada à ele e balancei muito os meus cabelos sobre o seu rosto.
Pedi para sentar quando os meus pés não deixavam eu dar mais um único passo.

- Quer ir para o quarto? – perguntou ele
- Vamos. – peguei os meus sapatos e fui descalça mesmo

No corredor para o quarto, não havia muita gente. a maioria estava na festa dada lá fora e os restantes estavam no quarto ou na sessão de cinema.
Arthur me deixou na porta do quarto e se encostou na porta, enquanto eu a abria.

- Gostei da noite. Obrigado. – sorri ele para mim
- Eu também. Gostei muito. – sorri de volta
- Nunca entrei no seu camarote
- É igual ao seu. Mas mais feminino
- Deixa eu matar a minha curiosidade? – perguntou ele com uma ponta de safadeza
- Não sei se devo – ri
- Não se preocupa. Eu não insisto nada.
- Vai entrar com o objetivo do quê?
- Colocar você para dormir no meu peito. – disse ele sem rodeios
- Muito direto você
- Você já me fez dormir no seu colo, por isso, era a única forma de eu te pagar…
- Vem, quero que me pague mesmo! – o puxei pela sua blusa pra dentro do meu quarto.

Ele tratou logo de ir na mesma onda que a minha, me beijar ferozmente e me pegar no colo. Fechei a porta com o pé e joguei a bolsa e os sapatos de salto para o chão. Andávamos naquele quarto perdidos, aos beijos, procurando o mais rápido possível a cama.
Ele estava ofegante, assim como eu. Eu beijava o seu rosto, a sua boca e dava chupões no seu pescoço. Ele era tarado pela minha bunda. Apertava sempre por baixo do vestido. Vestido esse que não demorou muito para ser jogado para o chão…

Amanhã eu tento postar o final! 
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