O tempo cura tudo - 36º Capitulo

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POV NARRADOR

Apesar de todas as dúvidas, o casal decidiu seguir em frente.
O novo recomeço de dia ia ser iniciado no Brasil. Tudo a ver. Já que nasceram, se conheceram e começaram a namorar lá. Já para não falar que é lá que têm parte da sua vida: amigos e família.
Durante quase quatro meses, eles ficaram acertando todos os passos para a mudança de casa, de país, de vida. Tiveram de vender a casa, fazer transporte de algumas peças pró Brasil e ainda arranjar trabalho e casa também na terra Natal deles. (Terra Natal: lugar onde eles nasceram)

- Eu queria ficar com aquele quadro. – Lua apontou para a parede da entrada onde estava o seu quadro preferido – Foi o primeiro quadro da casa
- Mas Lu, tem tantos outros mais bonitos
- Mas aquele foi o primeiro Arthur – ela fez bico e pisco constantemente os olhos
- Mas se você levar aquele, terá de tirar outro. Porque não dá pra levar tudo
- Tá… tiro aquele das flores. – ela apontou para o quadro que já estava guardado na caixa
- E o que vai fazer com ele?
- Mandar para o site de coisas usadas?
- É… boa ideia. Depois vemos isso.

As mudanças eram assim. Dois ou três dias serviam para esvaziar por completo um quarto. Pior foi mesmo separar as melhores coisas pra levar e se livrar de outras que foram importantes.
Outra parte difícil, foi o caso das despedidas. Clara, amiga de Lua, nem quis se despedir da amiga diretamente. Ela odeia despedidas e chora em todas, por isso trocaram apenas umas mensagens.
Arthur e os seus colegas de trabalho tiveram um jantar de despedida. Quem sabe, em uma outra época da vida, eles se voltem a encontrar.

- Voo 265, destino: Brasil! – dizia a moça do aeroporto, por volta das 7:50 da manhã. Era às 8h o voo. Lua, Arthur e o pequeno Guilherme estava lá à pouco mais de uma hora, esperando o voo. 
- É… parece que é agora.
- Vamos? – Arthur pegou a mão de Lua
- Vamos! – ela suspirou, ainda sorrindo.

Arthur levava Guilherme no colo e Lua levava uma pequena mala na mão. O casal ia de mãos dadas, passando pelo corredor que dava acesso ao portal pró avião. Nesse corredor, haviam janelas enormes de vidro que davam acesso à vista de Inglaterra. Podiam ver as ruas iluminadas, carros passando na estrada e pessoas conversando umas com as outras no meio de todo este frio.
Antes de entrar no avião, Lua deixou escapar uma lágrima. Muitas memórias vão ficar para sempre!

FLASH BACK

“- Eu avisei Arthur! – gritava o chefe – Eu avisei que mais um atraso e você era despedido! E é agora. Vá pro meio da rua. Eu não quero empregados como você.
- Mas a culpa não foi minha. A minha mãe ficou doente e…
- Não minta Aguiar, não minta! Eu vi a sua mãe ainda hoje muito bem de saúde. Chega! Eu vou lhe passar um cheque com o resto do dinheiro deste mês e depois, pode ir embora.”

“- Eu fui despedido! – confessou à Lua
- Você o que?”

“- Prova, é legal – um deles disse ao Arthur
- Não, obrigado. – ele recusou
- O que é? Vai recusar isso? é menininho de mais para fumar uma bomba dessas?
- Não, não é isso. é apenas que não quero
- Babaca!

Arthur começou a se sentir excluído e por isso decidiu fumar um daqueles para jogar na cara de muitos que também era capaz.

- Aê, muito bem! – um deles aplaudiu Arthur, que já fumava o negócio – To até comovido! – riu
- O efeito passa quando mesmo? – Arthur perguntou
- Amanha você esta pronto para outra – ele continuou rindo

Arthur começou a sentir-se estranho. Tudo rodava na vista dele, tudo parecia estranho. As pessoas tinham uns quatro olhos, duas bocas e duas cabeças também. E sem exagerar, umas quatro pernas e oito braços.

- Aqui está a vossa parte de hoje galera. – o chefe distribuiu o dinheiro por todos – Se continuarmos assim, estaremos ricos em poucos dias. – todos riram”

“- AMOOOOOORRR – ele entrou gritando em casa – HOJE AGENTE VAI TER!
- Arthur? – Lua vinha da cozinha, assustada com ele
- OI AMOR DA MINHA VIDA! VEM AQUI! – ele continuava gritando que nem um louco e foi beijar logo o pescoço da garota enquanto outra mão tentava passar sobre a blusa dela
- O que se passa Arthur? você bebeu? – ela conseguia sentir o cheiro a álcool. O pior é que não era só isso que Arthur tinha
- Não amor, não bebi nada. Juro! – Arthur tinha os olhos muito vermelhos, quase fechados e a sua roupa estava toda amarrotada

Antes de vir para casa, ele havia de novo comprado aqueles negócios brancos. Fumou um de cada vez, dizia ele. Para piorar, ainda bebeu umas cervejas lá com aquela galera das mercadorias roubadas.
Arthur fechou a porta de casa com força e encostou Lua na parede. Enfiou logo a mão por dentro do short da Lua e a garota tentava se debater. Ela sabia que ele estava diferente e por isso não queria nada com ele agora.

- Arthur pára, você bebeu! – ela tentava empurrar ele – Para, você tá me machucando!
- E você tá muito fresquinha – disse ele, fora de si – O que é que é? Não quer mais o seu namorado? Não sou bom na cama? Arranjou outro melhor que eu?
- Você é louco? Tá maluco, só pode! Para! – tentava se afastar dos beijos dele

Arthur não parava, ele não queria parar. Aqueles negócios brancos de pó mexeram com todo o seu corpo. Ele estava sendo comandado pelas malditas drogas e o álcool só ajudava. Lua não conhecia mais o homem que tinha em casa.
Para piorar a situação, Arthur forçou a barra com Lua.”

Tantas e outras historias ficariam marcadas entre aquelas paredes. Infelizmente, só por motivos ruins. Mas o ultimo, o pedido de namoro, até foi algo que merece ser lembrado todos os dias.

Entraram no avião. O casal se sentou lado a lado, apenas com Guilherme no meio deles e esperou o avião descolar. Lua ainda chorava. Arthur não sabia o que dizer, pois aquele momento também estava sendo meio difícil pra ele.

- Tá ansioso bebé? Vamos viajar! – Arthur animou o bebé, que estava um pouco assustado – Fala pra mamãe te dar a mão. Fala pra ela… - Arthur pegava a mãozinha do Guilherme e colocava sobre o braço de Lua. Lua riu, deixando algumas lágrimas de lado e apertou a mão do filho na hora da descolagem.

A viajem foi longa. Nada que não se aguentasse.
A chegada de Lua e Arthur ao Brasil foi atenciosa. No aeroporto, alguns amigos deles vieram receber os amigos, depois de alguns anos longe uns dos outros. A mãe de Lua foi buscar eles, mas o pai nem quis aparecer lá.

- O pai não pense que não vou ser feliz, só por causa das manias dele.
- Calma Lua. – pediu Arthur
- Calma nada Arthur. Ele tem de te aceitar de novo na família. Se não, ele é que perde.
- Você sabe como o seu pai é teimoso, não sabe?
- Sei. Mas eu também sou e muito!

A mãe de Lua foi levar eles até à casa nova. É uma casa bem acolhedora perto da praia. Bom, não é no meio do areal, mas afirmo que em cinco minutos, depois de saírem de casa, chegam à praia.
É de um andar, bem espaçosa, com vários quartos e cómodos variados. Já mobilada e decorada, com direito a garagem pra colocar o carro, que ainda não está comprado.

- Deve ter sido muito cara! – disse a mãe de Lua
- É… foi um pouco. Mas é linda, é isso que conta. – disse Arthur
- Vamos arrumar as malas?
- Não Lu, dá tempo né? – Arthur respondeu, o folgado
- Amanhã então? – ele assentiu – Mas sem falta, tá?
- Venham jantar à minha casa, sim?
- E o pai?
- Pois… até lá eu tento convencer ele. Vocês são os meus convidados. Não se esqueçam.
- Obrigado! – sorriu Arthur, a levando à porta
- De nada. Outra coisa, não querem deixar o Guilherme esta noite comigo? Tenho tantas saudades dele. Assim podem depois aproveitar a noite à vontade. Devem estar cansados.
- É… pode ser. – Lua deu a mão a Arthur e apertou, safada.
- Arruma as coisas dele então.
- Quando agente for jantar lá a casa, agente leva. Pode ser?
- Pode então. Até logo. Vamos bebé? – Guilherme pegou a mãozinha da avó e foi com ela. Mal eles saíram, Arthur encostou a porta e quando olhou pra Lua, que estava sentada no sofá, quase deitada, o provocando, chamando-o com um dedo. Arthur pulou no sofá, a beijando.
- Mas você não presta, não é mesmo? – disse já se livrando a sua blusa, enquanto estava por cima de Lua.
- Eu é que não presto e você é que já esta tirando a roupa? – Lua riu, mas fez o mesmo que ele. 
- Besta! Te amo! – ele deu um beijo no pescoço dela, chupando de leve e levou as mãos para a saia dela.

(…)

Mais tarde, à hora do jantar, Arthur e Lua foram jantar à casa dos pais da garota. O jantar estava decorrendo bem, até que José, pai de Lua, quis se stressar com Arthur. 

- Pode me passar a água Lua? – perguntou José. Era Arthur quem estava mais perto da água e por isso ele passou. – Você por acaso não ouve bem jovem? Eu disse Lua, Lua! 
- Pai! – repreendeu Lua – O que tem de mal ele lhe passar a água?
- Eu não dirigi a palavra pra ele. – disse irritado
- E se você continuar assim, eu também não lhe vou mais dirigir a palavra.
- Se atreva! – ele se levantou da cadeira e bateu na mesa
- Me atrevo mesmo! – ela levantou da cadeira também

(…)

O casal veio para casa um pouco triste com o que aconteceu, em especial Arthur.

- Começo a achar que foi um erro voltar para cá
- O tempo cura tudo, meu bem
- Será que cura? – ele olhou pra ela, parados em frente à porta de casa – O seu pai já devia me ter perdoado. – ele abriu a porta e entraram – Me sinto um verdadeiro loser.
- Por que?
- Por não ter dito nada durante a discussão. Eu permaneci o tempo todo calado, ouvindo vocês discutirem
- Se você não falou nada e o meu pai já te odeia, imagina se falasse. – Arthur ficou ainda mais triste com o comentário dela e expresso a tristeza com um grande suspiro. Ele sentou no sofá, baixando o rosto e ela sentou no colo dele – Não fica assim. – ela levantou o rosto dele – Vamos pró quarto. Eu sei como te animar. – provocou de novo, mordendo a orelha dele

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