O tempo cura tudo - 33º Capitulo

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POV NARRADOR

Lua sentiu uns calafrios, algo estranho. Como se fossem vários sinais adivinhando um encontro bom. Um encontro esperado à muito tempo.
Depois de ficar tão atrapalhada, ao ponto de partir um copo enquanto lavava a louça, escutou a campainha tocar e receou abrir a porta com medo de quem estivesse no outro lado de fora.

- Guilherme, vem cá com a mamãe. – o garoto estava brincando com o seu carrinho novo e foi até à sua mãe, subindo pró colo dela – Mas quem será a estas horas? – Lua se aproximou da porta e olhou pelo olho mágico (acho que vocês chamam assim). Se assustou! O seu coração gelou ainda mais, mas estava sentindo uma vontade enorme de sorrir. Era um misto de sentimentos. Mas ele estava tão diferente. Seria ele mesmo? – Quem é? – preferiu perguntar
- Sou eu Lua… o Arthur. – a voz dele estava tal e qual. Nem um pouco mais forte. Apenas um pouco insegura. Lua riu, parecia mentira. 

Ao abrir a porta, a garota viu ele, finalmente. Vinha com uma roupa diferente. Deixava-o mais elegante, mais adulto e responsável. Um pouco diferente, mas muito bonito.
Os olhos de Lua brilharam ao olhar para ele. Arthur estava tal e qual a ela, mas os seus olhos estavam postos em Guilherme, que se espantou de novo ao ver o pai de novo. Os olhinhos do pequeno foram logo para os presentes que Arthur trazia na mão. 

- Meu, meu… - Guilherme quis sair do colo da mãe para poder agarrar os seus presentes. Lua deixou ele ir e Arthur riu ao ver o pequeno rasgar os presentes todos de uma vez, com uma alegria imensa.
- Arthur… - ela ficou parada por mais uns segundos e depois o abraçou bem forte! Ele não teve reação no inicio, mas ao poder sentir de novo o cheio dela, a abraçou e afogou o seu rosto nos cabelos loiros dela. 
- Saudade! – ele sussurrou
- Saudade! – num gesto impulsivo, Lua deu um selinho demorando em Arthur. Agarrou, com as mãos, o rosto dele impedindo-o de sair daquele beijo. Ele segurou as mãos dela, desgrudou os lábios de ambos e olhou-a com lágrimas no olhos. 

Os dois se abraçaram de lado e olharam juntos para o Guilherme, que estava sentadinho no chão, com as roupas novas por cima dos ombros e os seus brinquedos nas mãos. Arthur pegou no filho ao colo e o abraçou bem forte! Guilherme estava mais importado com os brinquedos, do que propriamente o abraço do pai. Mas crianças são assim.

- Vamos entrar. – Lua pegou a mão do Arthur e o puxou para dentro de casa, fechando a porta de seguida. – Eu achei que você não fosse chegar nunca. Senti muito a sua falta…
- No inicio não parecia. – apesar de tudo, Arthur estava meio magoado com Lua, mas no fundo, estava louco por a levar para o quarto. Arthur colocou o Guilherme no chão e se sentou no sofá, sentando-se Lua ao lado. 
- Eu sei que eu fiz você sofrer… eu também sofri muito. Acredite.
- Não está mais com o outro lá? O Lucas?
- O que você acha? – ela se aproximou de Arthur. Ele permaneceu quieto. – Ele era casado. Tinha dois filhos e não era a primeira vez que traia a mulher. Você, mais uma vez, tinha razão.
- Eu te avisei tanto Lua, tanto… - ele baixou o rosto
- Eu sei. – ela pegou a mão dele – Eu peço desculpa. Eu fui uma idiota. – ela suspirou – Mas e agora?
- O que tem agora?
- Nós… como ficamos?
- Eu não sei. Estou confuso.
- Eu entendo. – Lua baixou o olhar. Arthur se levantou e pegou mais uma vez no Guilherme.
- Meu filho, muitos parabéns! Muitos anos virão por ai. E desculpa o pai, por ter estado todo esse tempo ausente. Não irá voltar a acontecer. Eu amo você filhão! – Arthur deu um beijo estalado no rosto do Guilherme e sou retribuído. – Não sabia que ele já dava beijos… - Arthur riu, olhando para Lua
- Ele aprendeu à pouco tempo. Ainda não são bem beijos, é mais… não sei bem. – Lua ri
- Bom, eu tenho de ir. 
- Como assim? Pra onde?
- Pro hotel… eu estou num hotel até encontrar uma nova casa.
- Arthur, deixa de ser besta. Você vai ficar cá! – Lua se levantou
- Lua…
- Arthur, por favor. Passamos tanto tempo separados. Precisamos de resolver as coisas entre nós. 
- Não é tão fácil assim
- Agente se ama!
- Palavras mágicas? – Lua expressão de quem não tinha entendido nada – Não é só dizer “eu te amo” pra tudo ficar bem.
- Eu sei… - ela olhava pró chão, mas depois voltou o olhar para Arthur – Um beijo. Um beijo e eu não te irei pedir mais nada… hoje. – ela riu e fez Arthur rir também. Ele se aproximou dela, ainda com o Guilherme ao colo e esperou Lua dar o primeiro passo.

Sem pensar duas vezes, a garota se aproximou também, o abraçando e levando os seus lábios aos dele. Começaram por encostar de leve os lábios, depois se afastaram um pouco, ainda de olhos fechados para roçarem o nariz um no outro e deram um selinho demorado, que se transformou depois num beijo. Beijo de saudade. Arthur levou a mãos desocupada à cintura de Lua, puxando-a para mais perto, enquanto Lua tinha as suas mãos de volta do pescoço dele.
Guilherme estava no colo do pai, olhou para o beijo dos pais e de seguida para o seu brinquedo. Depois voltou a olhar para o beijo e viu lá uma coisa estranha. Seria uma língua? Ele colocou a mão para ver melhor e separou o beijo que os pais davam.

- Guilherme! – Lua riu, repreendendo o pequeno por ter separado o beijo que davam. Arthur segurou mais forte a cintura de Lua e ela deitou a cabeça no ombro dele. Pareciam de novo uma família unida. – Fica aqui? – Lua fez bico, Arthur mordeu e riu de volta
- Tem como dizer que não?
- Não! – ela riu
- Eu fico! – ele sorriu de lado, olhando nos olhos dela
- Ebaa! – ela abraçou mais forte ele. 

Os dois colocaram o Guilherme para dormir. O pequeno estava cansado. Foi um dia cheio de surpresas, muita agitação mas sobretudo animação. 
Parecia mentira. Lua ainda não conseguia acreditar.

Arthur e Lua foram para o quarto. Lua trocou de roupa e Arthur tirou a sua, ficando apenas de cueca boxer. Ele deitou na cama, ao lado de Lua, que estava sentada na cama, e ficou virado para ela. 

- Pensei que este dia não ia chegar nunca. – Lua deitou ao lado dele, o abraçando e colocando o rosto sobre o peito dele.
- Eu confesso que também pensei isso. Eu queria ter chegado mais cedo. Mas não tive coragem. Eu tinha medo de chegar cá e de ver você com o Lucas. 
- Faz tempo que estamos separados.
- Mas eu não sabia…
- E por onde você andou todos estes meses?
- Itália. 
- Itália? – Lua se surpreendeu, levantando o rosto e olhando para ele – O que foi fazer lá?
- Eu tinha uma proposta de trabalho lá. Durante estes meses, ganhei muito bem. Eu cheguei ontem aqui. Hoje sai do hotel por volta das 21:30h e quando cheguei cá, ao estacionamento do apê, vi os seus pais saindo daqui com a Manu e o Gustavo. Eles não me viram felizmente. Ai eu tive a certeza de que você estava sozinha e resolvi entrar.
- Foi bom você não ter chegado antes… o meu pai te odeia, no mínimo.
- Eu imagino. Em certa parte, eles têm razão por me odiar. Eu não devia ter feito o que fiz. Mas não irá voltar a acontecer. Eu juro!
- Não quero te perder nunca mais, viu?
- Você nunca mais me irá perder. Nunca mais! – ele beijou ela, que correspondeu ao beijo. O garoto se ajeitou na cama, para Lua poder ficar por cima dele, ainda o beijando e ele desceu as mãos para a blusa dela, subindo devagar.

A noite serviu para eles terem a noção do que se passava, depois de tudo. Serviu para assentarem os pés na terra e terem a certeza de que era aquilo que ambos queriam. 
A noite serviu para matar a saudade. Saudade do beijo, do toque, da respiração, do amor! Foi uma noite inesquecível. 


Mil desculpas por nao ter postado ontem! Mas eu estava de castigo.
Hoje vou tentar postar mais um capitulo grande.

Gostaram da volta do Aguiar?

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