Belo Desastre - CAP. 22

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Belo Desastre

Capítulo 22: Indiferença

Duas mesas adiante, uma fileira para trás. Melanie e Chay mal podiam ser vistos de onde eu estava sentada, e me curvei para observar Arthur, que encarou a cadeira vazia que eu geralmente ocupava antes de ir se sentar na ponta da mesa. Eu me senti ridícula por me esconder, mas não estava preparada para me sentar diante dele durante uma hora inteira. Quando terminei a refeição, inspirei fundo e fui caminhando até o lado de fora, onde Arthur terminava de fumar.

Eu tinha passado a maior parte da noite tentando formular um plano para voltarmos ao ponto em que estávamos antes. Se eu tratasse nossa transa da forma como ele geralmente lidava com sexo, eu teria uma chance maior o plano trazia o risco de perdê-lo completamente, mas eu tinha esperança de que seu imenso ego de macho o forçasse a entrar no jogo.

— Oi — falei.

Ele fez uma careta.

— Oi. Achei que ia te encontrar no almoço.
— Tive que entrar e sair correndo. Tenho que estudar. —dei de ombros, fazendo minha melhor imitação de casualidade.
— Precisa de ajuda?
— É cálculo. Acho que com isso eu consigo lidar.
— Posso ficar perto só pelo apoio moral. — ele sorriu, enfiando a mão no bolso.

Os músculos firmes de seu braço tencionaram com o movimento, e a lembrança deles flexionados enquanto ele me penetrava me veio à mente em vividos detalhes.

— Hum… o quê? — perguntei, desorientada com o súbito pensamento erótico que tinha passado como um lampejo por minha mente.
— A gente vai fingir que aquela noite nunca aconteceu?
— Não, por quê? — fingi que estava confusa e ele suspirou, frustrado com meu comportamento.
— Não sei… Porque tirei sua virgindade? — ele se inclinou na minha direção, dizendo essas palavras num sussurro.

Revirei os olhos.

— Tenho certeza que não foi a primeira vez que você deflorou uma virgem, Thur.

Tal como eu temia, meu comportamento casual o deixou com raiva.

— Pra falar a verdade, foi sim.
— Ah, vamos lá… Eu disse que não queria nada esquisito entre a gente.

Ele deu uma última tragada no cigarro e o jogou no chão.

— Bom, se eu aprendi alguma coisa nos últimos dias, é que nem sempre a gente consegue o que quer.
— Oi, Lu. — disse Parker, me beijando no rosto.

Arthur olhou para ele com uma expressão assassina.

— Te pego por volta das seis? — Parker perguntou.

Assenti.

— As seis.
— Então a gente se vê mais tarde. — disse ele, seguindo para a aula.

Fiquei olhando enquanto ele se afastava, com medo de lidar com as consequências dos últimos dez segundos.

— Você vai sair com ele hoje à noite? — Arthur perguntou, fervendo de raiva. Seu maxilar estava cerrado, e eu podia notar que ele o mexia.
— Eu te contei que ele ia me chamar para sair depois que eu voltasse para o Morgan. Ele me ligou ontem.
— As coisas mudaram um pouco desde aquela conversa, você não acha?
— Por quê?

Ele saiu andando, e engoli em seco, tentando conter as lágrimas. Arthur parou e voltou, inclinando-se perto do meu rosto.

— Foi por isso que você disse que eu não ia sentir a sua falta depois de hoje! Você sabia que eu ia descobrir sobre o Parker, e achou que eu ia simplesmente… o quê? Te esquecer? Você não confia em mim, ou eu só não sou bom o bastante? Me fala, droga! Me fala que porra eu te fiz pra você fazer isso comigo!

Eu me mantive firme, encarando-o direto nos olhos.

— Você não me fez nada. Desde quando sexo é uma questão devida ou morte para você?
— Desde que foi com você!

Olhei de relance à nossa volta, percebendo que estávamos fazendo uma ceninha. As pessoas passavam devagar, nos encarando e sussurrando. Senti as orelhas arderem, e o ardor se espalhou pelo meu rosto, fazendo com que meus olhos lacrimejassem.

Ele fechou os olhos, tentando se recompor antes de falar de novo.

— É assim? Você acha que não significou nada pra mim?
— Você é Arthur Aguiar.

Ele balançou a cabeça, revoltado.

— Se eu não te conhecesse, acharia que você está esfregando meu passado na minha cara.
— Não acho que quatro semanas constituem o passado.

Ele contorceu o rosto e dei risada.

— Estou brincando! Arthur, está tudo bem. Eu estou bem, você está bem. Não precisamos criar um caso em cima disso.

Toda a emoção desapareceu de seu rosto, e ele inspirou fundo pelo nariz.

— Eu sei o que você está tentando fazer. — Seus olhos perderam o foco por um instante, e ele ficou absorto em pensamentos. — Eu vou ter que te provar então. — Seus olhos se estreitaram enquanto ele olhava nos meus, com a mesma determinação que exibia antes de uma luta. — Se você acha que vou voltar a trepar com qualquer uma por aí, está enganada. Eu não quero mais ninguém. Quer ser minha amiga? Ok seremos amigos. Mas eu e você sabemos que o que aconteceu não foi apenas sexo.

Ele passou por mim como um raio e fechei os olhos, exalando o ar que vinha prendendo. Arthur olhou de relance para trás e seguiu para a próxima aula. Uma lágrima escapou e rolou pela minha bochecha, e rapidamente a limpei. Os olhares fixos e curiosos dos outros alunos se cravaram nas minhas costas enquanto eu caminhava, sentindo um grande peso, até a aula.

Parker estava na segunda fileira, e me sentei sorrateiramente na carteira ao lado.

Um largo sorriso se estampou em seu rosto.

— Não vejo a hora de chegar hoje à noite.

Inspirei e sorri, tentando afastar o clima pesado da conversa que acabara de ter com Arthur.

— Quais são os planos.
— Bom, eu já me instalei no meu apartamento. Pensei em jantarmos lá.
— Estou ansiosa por hoje à noite também. — falei, tentando me convencer disso.

Com a recusa de Melanie em ajudar, Kara foi minha relutante assistente na escolha do vestido para o meu encontro com Parker. Mas, assim que o vesti, eu o arranquei pela cabeça e enfiei uma calça jeans. Depois de ficar remoendo meu plano falho a tarde inteira, não consegui me convencer a me arrumar toda. Tendo em mente que o tempo estava fresquinho, coloquei um suéter de cashmere fino marfim por cima de uma regata marrom, peguei minha jaqueta e fiquei esperando perto da saída. Quando o Porsche reluzente de Parker parou na frente do Morgan, saí rapidamente pela porta, antes que ele tivesse tempo de vir até mim.

— Eu estava indo buscar você. — disse ele, decepcionado, enquanto segurava a porta do carro.
— Então eu fiz você economizar tempo. — falei, me sentando e colocando o cinto de segurança.

Ele entrou no carro e se inclinou na minha direção, tocando meu rosto e me beijando com os lábios macios e aveludados.

— Uau — ele exclamou, soltando o ar. — Senti saudade da sua boca.

O hálito de Parker cheirava a menta, sua colônia tinha um aroma incrível, suas mãos eram quentes e macias, e ele estava fantástico de calça jeans e camisa social verde, mas eu não conseguia me desvencilhar da sensação de que faltava algo. Aquele entusiasmo que eu sentia com ele no começo estava ausente, e, em silêncio, amaldiçoei Arthur por ter tirado isso de mim.

Eu me forcei a sorrir.

— Vou levar isso como um elogio.

O apartamento dele era exatamente como eu tinha imaginado: impecável, com aparelhos eletrônicos caros em cada canto, e muito provavelmente decorado por sua mãe.

— E então, o que achou? — ele me perguntou abrindo um largo sorriso, como uma criança exibindo um brinquedo novo.
— É o máximo. — assenti.

A expressão dele passou de divertida a sedutora e ele me puxou para os seus braços, beijando meu pescoço. A tensão tomou conta de todos os músculos do meu corpo. Eu queria estar em qualquer lugar, menos naquele apartamento.

Meu celular tocou, e apresentei-lhe um sorriso de desculpas antes de atender.

— Como está indo o encontro, Flor?

Virei as costas para Parker e sussurrei ao telefone.

— Que foi, Arthur? — tentei colocar rispidez na voz, mas ela se suavizou com o alívio ao ouvir a dele.
— Quero ir jogar boliche amanhã. Preciso da minha parceira.
— Boliche? Você não podia ter me ligado mais tarde?

Eu me senti uma hipócrita ao dizer essas palavras, pois estava esperando aparecer uma desculpa qualquer para manter os lábios de Parker longe de mim.

— Como eu vou saber quando vocês vão ter terminado? Ai. Isso não soou bem… — ele disse, parecendo se divertir.
— Ligo pra você amanhã para falarmos sobre isso, ok?
— Não, não está nada ok. Você disse que quer ser minha amiga, mas nós não podemos sair juntos? — Revirei os olhos e Arthur bufou. — Não revire os olhos. Você vai ou não vai?
— Como você sabe que revirei os olhos? Está me perseguindo? — perguntei, notando que as cortinas estavam abertas.
— Você sempre revira os olhos. Sim? Não? Você está desperdiçando um tempo precioso do seu encontro.

Ele me conhecia muito bem. Lutei contra a necessidade premente de pedir que ele fosse me buscar naquela hora. Não consegui evitar e acabei sorrindo com esse pensamento.

— Sim! — falei em uma voz abafada, tentando não rir. — Eu vou.
— Te pego às sete.

Eu me virei para Parker com um sorriso tão largo quanto o do gato de Alice.

— Era o Arthur? — ele me perguntou, com uma expressão sagaz.
— Sim. — respondi franzindo a testa, pega no flagra.
— Vocês ainda são apenas amigos?
— Ainda apenas amigos

Nós nos sentamos à mesa e comemos comida chinesa, que ele havia pedido para viagem. Fiquei mais receptiva a ele depois de um tempinho, e ele me fez lembrar de como era charmoso. Eu me senti mais leve, quase risonha, uma marcante mudança de momentos antes. Por mais que eu tentasse tirar o pensamento da cabeça, não podia negar que eram os planos com Arthur que haviam iluminado meu humor.

Depois do jantar, nos sentamos no sofá para assistir a um filme, mas, antes de terminarem os créditos do início, Parker já estava em cima de mim, e eu, deitada de costas. Fiquei feliz por ter escolhido usar calça jeans; não teria conseguido me esquivar com tanta facilidade se estivesse de vestido. Seus lábios viajaram até minha clavícula e sua mão parou no meu cinto. Desajeitado, ele tentou abri-lo, e, assim que conseguiu, eu me levantei do sofá.

— Tudo bem! Acho que tudo que você vai conseguir hoje é uma rebatida simples, como se diz no beisebol. — falei, fechando o cinto.
— O quê?
— Primeira base, segunda base? Não importa. Está tarde e é melhor eu ir embora.

Ele se sentou e segurou minhas pernas.

— Não vá embora, Lu. Não quero que você ache que foi por isso que eu te trouxe até aqui.
— E não foi?
— É claro que não. — ele me disse, me puxando para o seu colo. — Só consegui pensar em você nas últimas duas semanas. Peço desculpas por ser impaciente.

Ele me beijou no rosto e me inclinei em sua direção, sorrindo quando seu hálito fez cócegas no meu pescoço. Eu me virei e pressionei os lábios contra os dele, tentando ao máximo sentir algo, mas nada aconteceu. Eu me afastei e suspirei.

Parker franziu a testa.

— Eu disse que sentia muito.
— Eu disse que estava tarde.

Fomos de carro até o Morgan, e Parker apertou de leve a minha mão e me deu um beijo de boa noite.

— Vamos tentar de novo. No Biasetti amanhã?

Pressionei os lábios.

— Vou jogar boliche com o Arthur amanhã.
— Na quarta-feira então?
— Na quarta está ótimo. — falei, com um sorriso forçado. Parker se mexeu no banco do carro. Ele estava se preparando para falar alguma outra.
— Lua, vai ter uma festa de casais daqui a alguns fins de semana na Casa…

Eu me encolhi por dentro, temendo a discussão que inevitavelmente teríamos.

— Que foi? — ele perguntou, dando uma risadinha abafada e nervosa.
— Não posso ir à festa com você. — falei, saindo do carro.

Ele me seguiu, me alcançando na entrada do Morgan.

— Você tem outros planos?

Eu me retraí.

—Tenho… O Arthur já tinha me convidado.
—O Arthur te convidou para quê?
— Para a festa de casais. — expliquei, um pouco frustrada.

Seu rosto ficou vermelho, e ele se apoiou na outra perna.

— Você vai à festa de casais com o Arthur? Ele não vai a esse tipo de coisa. E vocês são só amigos. Não faz sentido você ir à festa com ele.
— A Melanie disse que só iria com o Chay se eu fosse também.

Ele relaxou.

— Então você pode ir comigo. — sorriu, entrelaçando os dedos nos meus.

Fiz uma careta para a solução dele.

— Não posso cancelar o que combinei com o Arthur e depois ir à festa com você.
— Não vejo problema. — ele deu de ombros. — Você pode estar lá pela Melanie, e o Chay vai se livrar de ter que ir. Ele vive dizendo que devíamos acabar com as festas de casais. Ele acha que elas só servem para que nossas namoradas nos forcem a oficializar o relacionamento.
— Eu não queria ir à festa. Foi ele que me convenceu a ir.
— Agora você tem uma desculpa. — ele deu de ombros.

Ele estava irritantemente confiante de que eu mudaria de ideia.

— Eu não queria ir nessa festa de jeito nenhum.

A paciência de Parker se esgotou.

— Só para esclarecer as coisas: você não quer ir à festa de casais. O Arthur quer ir, ele te convidou, e você não quer cancelar com ele para ir comigo, mesmo você nem querendo ir à festa para início de conversa?

Foi difícil ter de encarar o olhar raivoso dele.

— Eu não posso fazer isso com ele, Parker. Me desculpa.
— Você sabe o que é uma festa de casais? É uma festa aonde você vai com o seu namorado.

O tom condescendente dele fez com que qualquer empatia que eu estivesse sentindo fosse para o espaço.

— Bom, eu não tenho namorado, então tecnicamente nem devia ir à festa.
— Eu achei que a gente ia tentar de novo. Achei que tínhamos algumas coisa…
— Eu estou tentando.
— O que você espera que eu faça? Que fique sentado em casa sozinho enquanto você está na festa de casais da minha fraternidade com outra pessoa? Eu devo convidar outra garota para ir comigo?
— Você pode fazer o que quiser. — respondi, irritada com a ameaça.

Parker ergueu o olhar e balançou a cabeça.

— Eu não quero convidar outra garota.
— Não espero que você não vá à sua própria festa. A gente se vê lá.
— Você quer que eu convide outra pessoa? E você vai à festa com o Arthur. Você não consegue ver como isso é absurdo?

Cruzei os braços, preparada para uma briga.

— Eu falei que iria com ele antes de eu e você sairmos juntos, Parker. Não posso cancelar o compromisso com ele.
—Não pode ou não quer?
—Dá na mesma. Sinto muito se você não entende.

Abri a porta para entrar no Morgan, e Parker colocou a mão na minha.

— Tudo bem. — ele suspirou, resignado. — Essa é, obviamente, uma questão com a qual vou ter que lidar. O Arthur é um dos seus melhores amigos. Eu entendo. Não quero que isso afete nosso relacionamento. Tudo bem?
— Tudo bem. — falei, fazendo que sim com a cabeça.

Ele abriu a porta e fez um gesto para que eu entrasse, beijando o meu rosto antes.

— Vejo você na quarta às seis?
— Às seis. — falei, acenando com a mão enquanto subia as escadas.

Melanie estava saindo do banheiro quando cheguei lá em cima, e os olhos dela se iluminaram a me ver.

— Oi, linda! Como foi?
— Já era. — falei, desanimada.
— Oh-oh.
— Não conta pro Arthur, tá?

Ela bufou.

— Não vou contar. O que houve?
— O Parker me convidou para ir com ele à festa de casais.

Melanie apertou a toalha em volta do corpo.

— Você não vai deixar o Thur na mão, vai?
— Não, e o Parker não está feliz com isso.
— É compreensível. — ela disse, assentindo. — E mau pra caramba.

Melanie puxou as mechas dos longos cabelos molhados sobre um dos ombros e gotas de água escorreram sobre sua pele desnuda. Ela era uma contradição ambulante. Havia se matriculado na Eastern para que pudéssemos continuar juntas. Proclamava-se minha consciência, pronta para entrar em ação quando eu cedia a minhas tendências inatas a sair da linha. Eu me envolver com Arthur ia contra tudo que tínhamos conversado, mas ela havia se tornado sua mais entusiasmada defensora.

Eu me apoiei na parede.

— Você vai ficar brava se eu não for à festa?
— Não, eu vou ficar incrivelmente puta da vida. Isso seria motivo para a maior briga de todos os tempos, Lua.
— Então acho que não tenho opção. — falei, enfiando a chave na fechadura.

Continua...

Se leu, comente! Não custa nada.


Olha eu por aqui, a minha vaca do <3 (momento fofo e raro) não pode postar, e eu postei aqui pra ela.

Gente, tenho que dar minha opinião: Tô com muita raiva dessa decisão da Lua, sério mesmo. Ela vai ficar nesse “dia com um, dia com outro” um tempo aí. Brenda vai me matar por esse spoiler, mas ok. Vocês já devem ter desconfiado disso né? Arthur com ela foi só amor (tirando claro a parte do apartamento e da transa no sofá com aquelas mulheres) E olha o que ela fez com ele no final? (Emoji de coração partido).

Beijos!

11 comentários:

  1. Lua tem q se decidir ,tadinho do thur ,posta mais

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  2. Aí lua joga assume logo esse amoor
    Posta mais um !

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  3. A lua tem que se decidir de preferência que seja o arthur!

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  4. Nossa eu quero matar a Lua que dó Thur aff ela trocou o Arthur que é Lindo,Maravilhoso,etc.. Por um nada como o Parker

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  5. Posta mais quero a festa logo pra ver altas pegacoes da lua e do Arthur ( q Deus me ouça)

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  6. Lua não pode ficar com o Parker o Arthur mudou por ela e ela faz isso com ele :,(

    Mais

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  7. Lua não enxerga esse amor, ta difícil! Arthur tem que sumir com o Parker
    Helena

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