Peça-me o que quiser agora e sempre - 2º temp. - 38º e 39º Capítulo (Adaptada)

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Capítulo 38:


No sábado, 29 de dezembro, Arthur pede que a gente passe o dia todo com o sobrinho dele. Percebo pelo seu olhar o quanto está preocupado com isso. Mas concordo logo, convencida de que é o melhor para todos, especialmente para Flyn. É claro que Flyn não desperdiça uma oportunidade de me fazer ver que estou sobrando. Não levo a sério. É uma criança. Passamos grande parte do dia jogando Wii e Playstation, a única coisa que parece motivar o menino, e lhe demonstro que nós, meninas, sabemos fazer mais coisas do que ele pensa.

Acho engraçado observar como me olha quando ganho de Arthur no Moto GP ou dele mesmo numa partida de Mario Bros. O menino não consegue acreditar no que vê. Uma menina ganhando deles! Mas deixo que ele vença no Mortal Kombat para não lhe dar motivo para me odiar mais. Flyn é uma criança dura na queda, digno sobrinho de meu Iceman.

Durante todo o dia, Arthur e eu nos dedicamos totalmente a ele e, à noite, tenho a cabeça como um bumbo de tanta musiquinha de videogames. Mas na hora do jantar, surpresa, vejo que Flyn me pergunta se quero salada e enche meu copo de Coca-Cola sem que eu peça. Já é um começo, e Arthur e eu sorrimos.

Quando enfim conseguimos cansar o menino e botá-lo para dormir, Arthur volta a ser meu, na intimidade de nosso quarto. Apenas meu. Curto Arthur, sua boca, sua maneira de fazer amor, e sei que ele me curte.

Enquanto transamos, não paramos de nos olhar nos olhos e de nos dizer coisas picantes e sensuais. O jogo dele é o meu jogo, e juntos nos divertimos como doidos.

No domingo, quando acordo, estou sozinha na cama como sempre. Arthur dorme pouco. Olho o relógio. São 10h08. Estou exausta. Depois de uma noite animada com Arthur só quero dormir e dormir, mas sei que na Alemanha são muito madrugadores, então é melhor me levantar.

De repente, a porta se abre, e o objeto de meus mais pecaminosos e obscuros desejos surge com o café da manhã numa bandeja. Está lindíssimo com esse suéter grená e os jeans.

— Bom dia, moreninha.

O apelido que meu pai me deu me faz sorrir. Arthur se senta na cama e me dá um beijo.

— Como está minha namorada hoje? — pergunta todo carinhoso.

Encantada com a vida e com o amor que sinto por ele, afasto o cabelo do rosto e respondo:

— Exausta, mas feliz.

Ele gosta da minha resposta, mas antes que ele comente alguma coisa, olho atônita para a bandeja.

— Churros? Isto são churros?

Ele acena que sim com um belo sorriso. Pego um, passo no açúcar e dou uma mordidinha.

— Que delícia! — E ao olhar meus dedos, sussurro: — Com uma gordurinha e tuuuuuddooo.

A gargalhada de Arthur retumba pelo quarto.

Minha nossa, comer um churro na Alemanha é um sonho bom demais da conta!

— Mas onde conseguiu comprar?

Ainda estou surpresa. Com um sorriso gigante, Arthur pega outro churro e começa a comer.

— Comentei com Simona que os churros são algo típico na Espanha e que você gosta muito no café da manhã. E ela, não sei como, fez pra você.

— Puxa, genial! — exclamo entusiasmada. — Quando eu contar pro meu pai ele vai cair de costas.

Sorrindo, começamos a comer os churros. Ao pegar o guardanapo, quando vou limpar a boca, surge o anel que tinha devolvido a Arthur no escritório.

— Como voltou a ser minha namorada, quero que use o anel.

Eu o olho. Ele me olha. Sorrio. Sorri — e meu amor louco pega o anel e põe no meu dedo. Depois me dá um beijo na mão e murmura com voz rouca:

— Você é toda minha outra vez.

Meu corpo fica quente. Eu adoro Arthur. Beijo sua boca e, ao me separar dele, cochicho:

— Com certeza, meu namorado. — Sorri. — Posso te perguntar algo sobre Flyn?

— Claro.

Depois de comer o delicioso churro, pergunto:

— Por que não tinha me dito que seu sobrinho é chinês?

Arthur dá uma gargalhada.

— Não é chinês. É alemão. Não chame Flyn de chinês ou ele vai ficar chateado de verdade. Não sei por que odeia essa palavra. Minha irmã Hannah foi viver na Coreia durante dois anos. Lá conheceu Lee Wan. Quando engravidou, Hannah decidiu voltar pra cá pra ter o Flyn. Portanto, é alemão!


Capítulo 39:


— E o pai de Flyn?

Arthur faz uma careta.

— Era um homem casado e nunca quis saber nada dele.

Penso que o assunto acabou, mas ele continua:

— Teve um pai aqui durante dois anos. Minha irmã andou com um cara chamado

Leo. O menino o adorava, mas quando aconteceu o acidente, esse imbecil não quis mais saber dele. Me confirmou o que sempre pensei: estava com minha irmã pelo dinheiro.

Decido não perguntar mais nada. Não devo. Continuo comendo. Arthur me beija a testa. Durante uns segundos, nos olhamos e sei que chegou o momento de falar sobre o que ando pensando. Antes, porém, tomo um gole de café.

— Arthur, amanhã é a noite de Ano-Novo, e eu...

Não me deixa continuar. Bota um dedo em minha boca.

— Sei o que vai dizer. Quer voltar pra Espanha pra passar o réveillon com sua família, não é?

— Sim. Acho que eu deveria ir hoje. Amanhã é a véspera de Ano-Novo e... Bom, você me entende.

Suspira, concordando. Sua resignação me toca o coração.

— Olha, Lu, eu adoraria que você ficasse aqui comigo, mas eu entendo. Dessa vez não vou poder te acompanhar. Vou ficar com Flyn. Minha mãe e minha irmã têm planos, e eu quero passar a noite com ele em casa. Você também compreende, não é mesmo?

Lembrar disso me parte o coração. Como vão ficar sozinhos? Mas, antes que eu possa dizer alguma coisa, meu alemão acrescenta:

— Minha família desmoronou no dia em que Hannah morreu. E não posso cobrar nada da minha mãe e da Sophia. Quem desapareceu na primeira noite de Ano-Novo fui eu. Enfim... Não quero mais falar disso, Lu. Vá pra Espanha e aproveite. Flyn e eu

ficaremos bem aqui.

A dor em seu olhar me leva a tocar seu rosto. Desejo continuar falando, mas meu Iceman não quer que eu tenha pena dele.

— Ligarei pro aeroporto pra que preparem o jatinho.

— Não. Não precisa. Vou num voo normal. Não se incomode com...

— Insisto, Lu. Você é minha namorada e...

— Por favor, Arthur, não torne as coisas mais difíceis — eu corto. — Acho melhor ir num voo regular. Por favor.

— Tudo bem — diz depois de um silêncio mais que significativo. — Deixe comigo.

— Obrigada — murmuro.

Resignado, pestaneja:

— Você volta depois do Ano-Novo?

Minha cabeça começa a rodar. Como pode me perguntar uma coisa dessas? Por acaso não se deu conta de que o amo loucamente? Desejo gritar que claro, vou voltar, quando ele pega minhas mãos.

— Quero que saiba que, se voltar pra mim, farei tudo o que me for possível pra que não sinta saudades de nada do que tem na Espanha. Sei que a ligação com sua família é muito forte, que se separar dela é o que te custa mais, mas comigo você será cuidada, protegida e, principalmente, será muito amada. Desejo que seja feliz comigo em Munique, e se pra isso todos tivermos que aprender coisas espanholas, aprenderemos e conseguiremos que se sinta em casa. Quanto a Flyn, dê um tempo a ele. Tenho certeza de que antes do que você espera esse garoto vai te adorar tanto ou mais que eu. Já te disse que era uma criança especial e...

Emocionada, eu o interrompo:

— Arthur, eu te amo.

O tom de minha voz, o que acabo de dizer e seu olhar me deixam toda arrepiada.

Mais ainda quando ouço:

— Te amo tanto, pequena, que ficar longe de você me deixa louco.

Nossos olhares são sinceros e nossas palavras, mais ainda. Nós nos amamos. Nós nos amamos loucamente, e quando ele vai me beijar, a porta se abre pouco a pouco e surge o pequeno Flyn.

— Tioooooo! Por que está demorando tanto?

Rapidamente nos recompomos. Ao ver que Arthur não diz nada, diante do olhar do menino, pego um churro na bandeja e pergunto em espanhol:

— Quer um churro, Flyn?

O menino faz cara feia. Não conhece a palavra “churro” e não me suporta. E como não está disposto a deixar que lhe roube nem mais um segundo com seu amado tio, responde:

— Tio, te espero lá embaixo pra jogar.

E antes que alguém consiga dizer qualquer coisa, fecha a porta e se vai.

Olho Arthur, risonha.

— Não tenho a menor dúvida de que Flyn se alegrará muito com minha partida.

Arthur não diz nada. Me beija na boca e depois vai embora. Durante um instante, olho a porta, pensando que não entendo como Sónia e Sophia, a mãe e a irmã de Arthur, podem deixar esses dois sozinhos numa data assim. Me dá pena.

Às seis e meia da tarde, Arthur, Flyn e eu estamos no aeroporto. Não tenho bagagem para despachar, levo apenas uma mochila com poucas coisas. Estou nervosa, muito nervosa. Me despedir deles, principalmente de Arthur, me parte o coração. Mas tenho que ver minha família.

Arthur age com frieza, mas tenta brincar. É seu mecanismo de defesa. Ela é indiferente para não sofrer. Quando o momento da despedida chega, enfim, me agacho e beijo a bochecha de Flyn. — Rapazinho, foi um prazer conhecer você. Quando eu voltar, quero revanche no Mortal Kombat.

O menino concorda. Por uns segundos, vejo um pouco de calor em seu olhar. Mas ele mexe a cabeça e, quando volta a me olhar, essa impressão já não existe.

Arthur convence Flyn a se afastar de nós uns metros e o garoto se senta para esperar.

— Arthur, eu...

12 comentários:

  1. Arthur todo romântico, que gracinha! Mais?

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  2. Ahhhh.... Pq lua não leva arthur e flyn para passar ano novo com ela... Todinhos vão ficar sozinhos!!! Posta maisssss.

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  3. Leva ele junto luh lkkkkkkk,maiss
    Gabs❤️

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  4. Ameii, posta mais♥

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  5. Web perfeita como sempre..
    -allana♥

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  6. Quando vc vai postar o Clube????

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  7. Ahhhhh Jess saudadess....
    Fly é um menino tão estranho :/
    Ahhh Arthur agora é Deus no céu e Lua na terra *----*

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  8. tá demorando pra postar a web, tô muito curiosa <3

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