Peça-me o que quiser (Adaptada)- Capítulos 138, 139 e 140

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Capítulo 138:

— Então, sinto dizer que, no ponto em que estamos, isso vai acabar acontecendo mesmo que eu não queira, mas não tem nada a ver com o que acabo de te contar.
Não entendo o que ele está falando. Pega minhas mãos.
— Lu... tenho um problema e, apesar de não querer pensar nisso, no futuro eu sei que vai se agravar.
— Um problema? Que problema?
— Lembra dos remédios que você viu na minha nécessaire? — Assustada, balanço a cabeça afirmativamente. — É uma coisa relacionada com algo que você adora em mim e que algumas vezes eu te disse que odeio. São os meus olhos e, quando eu te explicar, você vai entender muitas coisas.
— Meu Deus, Arthur. O que é?
— Tenho um problema na vista. Sofro de glaucoma. Uma doença que herdei de meu maravilhoso pai e, por mais que eu esteja me tratando e que no momento esteja bem, com o tempo ela vai avançar e, infelizmente, é irreversível. Talvez no futuro eu fique cego.
Pisco e pergunto num fio de voz:
— O que é glaucoma?
— É uma doença crônica no olho. Uma doença do nervo óptico que às vezes embaça minha vista, provoca dor nos olhos e dor de cabeça ou náuseas e vômitos. Acho que agora, sabendo disso, você entenderá muitas coisas a meu respeito.
Meu corpo se paralisa, exceto meus cílios. O assunto de Betta não me interessa uma vírgula. O problema de seu sobrinho e minha mudança é algo de que falaremos depois.
Mas Arthur acaba de me dizer que tem uma doença crônica e eu não consigo reagir. Meu coração dispara e mal posso respirar. Só consigo olhar para Arthur, para o homem que amo com toda a minha alma, sem ser capaz de dizer nem uma palavra sequer.
Meu mundo desmorona em décimos de segundo, enquanto eu junto, peça por peça, todos os sinais que ele me deu nesses meses todos, mas que eu não consegui decifrar.
De repente, compreendo muitas coisas. Sua pressa com tudo. Seus temores. Suas viagens. Suas mudanças de humor. Suas dores de cabeça e, principalmente, o motivo pelo qual ele sempre faz questão que o olhe nos olhos quando fazemos amor. Arthur me observa. Espera que eu diga algo, mas não consigo. Minha respiração se acelera, eu solto suas mãos e me levanto. Tenho uma das mãos no coração e a outra na cabeça.
Estou de costas para Arthur e, só quando consigo descolar a língua do céu da boca, volto a olhar para ele.
— Por que não me contou antes?
— O quê? Sobre Betta, Flyn ou minha doença?
— Sua doença.
— Lu, isso é algo que eu não gosto que as pessoas fiquem sabendo.
— Mas eu não sou “as pessoas”...
— Eu sei, querida. Mas...
— É por isso que você sempre me pede que eu te olhe quando...
Arthur faz que sim com a cabeça e, após passar a mão pelos meus lábios, sussurra:
— Quero gravar seu rosto, seus gestos, para me lembrar deles quando eu não puder mais enxergar.
A dor em seu olhar me faz cair em mim. O que estou fazendo? Me sento de novo ao seu lado e seguro suas mãos.
— Seu cabeça-dura, como pôde esconder isso de mim? Eu... eu me aborreci com você.
Reclamei das suas ausências, suas mudanças de humor e... você... você não me disse nada. Ai, meu Deus, Arthur... por quê?
Me desmancho em lágrimas. Tento me conter, mas elas me inundam e mal consigo me controlar.
Arthur me consola. Me abraça e faz carinho em mim, quando sou eu quem deveria estar consolando-o. Mas minhas forças, minha confiança e toda minha vida acabam de desmoronar e não sei quando vou poder me recuperar. Ele me fala da doença, que diagnosticaram há muito tempo e que a cada ano se agrava mais.
Não sei quanto tempo eu choro em seus braços em busca de uma solução que não tenho como encontrar. Arthur fala comigo e eu mal consigo parar de chorar.
— Não me olha assim.
— Assim como? — pergunto ao escutar sua voz.
— Sinto que te dou pena.
Comovida por suas palavras, me agarro a ele.


Capítulo 139:

— Querido, não diga bobagem. Te olho assim porque te amo e sofro por...
— Está vendo? Estou te fazendo sofrer. Não devia ter deixado que nossa relação fosse adiante.
— Não diga bobagem, Arthur, por favor.
Com uma expressão que lembrarei pelo resto da vida, ele pega meu rosto entre suas mãos.
— Estar ao meu lado te fará sofrer, querida. Sou um homem com muitas responsabilidades. Uma empresa para administrar, um menino problemático para criar e, como se não bastasse, um problema de saúde. Acho que chegou o momento em que você precisa decidir o que quer fazer. Vou aceitar sua decisão, seja qual for. Já me sinto bastante culpado.
Eu o escuto, chocada, e de repente tenho vontade de bater nele. Que bobajada está dizendo? Minha expressão transmite confiança outra vez. Encaro seus castigados olhos azuis.
— Não está querendo dizer o que estou imaginando, está?
— Estou, sim, Lu.
— Mas como você é idiota, pra não dizer babaca!
Arthur sorri.
— Você é uma mulher jovem, linda e saudável com toda a vida pela frente e...
— E você é o quê? — Mas não o deixo responder e começo a gritar furiosa: — Você é o homem com responsabilidades, um sobrinho e uma doença, e a quem eu amo. E, se antes sua cara de mau e seus maus modos não me metiam medo, agora menos ainda, sabe por
quê? — Arthur nega com a cabeça. — Porque eu não vou te deixar, por mais que você me peça. E não vou te deixar porque amo você, amo você... amo você. Enfia isso na sua maldita e quadrada cabeça alemã! Não me importo com o futuro. Só o que me importa é você... você... você, seu cabeça-dura safado! E sim, é precipitado abandonar
tudo e ir viver contigo na Alemanha, mas, como eu te amo, vou pensar a respeito.
— Lu...
— Você está aqui, querido. Você é meu presente. Como posso viver sem você? Mas você ficou louco? Como passou pela sua cabeça que eu pudesse pensar em te deixar por causa da sua doença?
Emocionado, Arthur nega com a cabeça e, pela primeira vez, eu o vejo chorar. E isso parte meu coração. Esconde os olhos com as mãos e chora como uma criança.
— Lu, quando minha doença avançar, minha qualidade de vida será muito prejudicada. Chegará um momento em que serei um estorvo pra você e...
— E?
— Você não entende?
— Não. Não entendo — respondo sem ar nos pulmões. — E não entendo porque você vai continuar ao meu lado. Você vai poder me tocar, me beijar e fazer amor comigo, e eu com você. Por que você duvida de mim?
Arthur murmura emocionado:
— Você é a melhor coisa que já me aconteceu na vida. A melhor.
Prestes a cair no choro, tiro suas mãos dos olhos e enxugo suas lágrimas.
— Então, se sou a melhor coisa que te aconteceu, não volte a mencionar, nem de brincadeira, essa ideia de que vou te deixar, ok? Agora me diz que você me ama e me dá um beijo desses que eu adoro.
As lágrimas brotam de novo dos meus olhos, mas eu sorrio. Ele também sorri, me abraça e me beija.























Capítulo 140:

A semana começa com força total e tento processar tudo o que Arthur me contou. Sobre Betta? Não me interessa. Não me importa. Sei que ele não quer nada com ela, realmente acredito nisso, embora eu não tenha querido me aprofundar no assunto do pai. Agora entendo por que nunca fala dele.
Quanto ao sobrinho, eu compreendo, mas a história me inquieta. Se algo acontecesse com minha irmã e meu cunhado, não tenho a menor dúvida de que Luz ficaria comigo. Eu cuidaria dela e por nada no mundo ia querer vê-la sofrer.
Morar na Alemanha nunca me passou pela cabeça. Mas, por Arthur, eu iria. Prefiro viver com ele a viver amargurada sem ele. Isso está claro para mim, se bem que preciso pensar um pouco melhor. Ir embora significaria ver menos meu pai, minha irmã e minha sobrinha, e isso seria difícil para mim. Muito difícil.
Mas o que me desequilibra emocionalmente é a sua doença.
Procuro na internet toda a informação sobre glaucoma e entendo o medo e a preocupação de Arthur. Choro na minha casa quando ele não está por perto. Só então eu me permito chorar. Tenho que ser forte. Ele deixou claro o medo que sente da doença, e não quero que perceba que eu também estou com medo.
Pensar em Arthur cego me parte o coração. Arthur, um homem tão forte, tão dominador, tão cheio de vida... Como pode ficar cego?
Começo a ter pesadelos. Já são quatro noites seguidas em que acordo sobressaltada entre seus braços e ele me abraça e se arrepende por ter me contado tudo. Meu apetite desaparece e, ainda que eu tente
sorrir, o sorriso fica no meio do caminho. Quase não cantarolo mais, nem danço direito, só consigo pensar nele. Só quero saber que ele está bem para que eu também fique bem. Mas uma noite, enquanto nós dois lemos estirados no sofá do meu apartamento, vejo em seus olhos a raiva e a dor pela insegurança que me passou, e me dou conta de que tenho que fazer alguma coisa.
Meu comportamento tem de ser outro.
Preciso que ele veja que voltei a ser a Lu maluquinha que ele conheceu, então resolvo reprimir meu medo, a insegurança e as lágrimas e começo aos poucos a ser o que eu era. Ele respira aliviado e parece grato pela minha mudança.
A partir de então, Arthur começa a viajar mais à Alemanha. Seu sobrinho precisa dele e ele precisa de mim tanto quanto eu preciso dele. Duas semanas depois, quando o despertador toca numa segunda-feira às sete e meia, Arthur já está de pé. Chega perto de mim, me beija com carinho e aceito tudo com prazer. Me nego a irmos juntos ao escritório. As pessoas fariam fofoca e eu não quero isso. No fim das contas, Arthur telefona para Tomás, que o pega na porta da minha casa. Eu vou no meu próprio carro.
Na cantina do nono andar, tomo um café na companhia de Miguel quando vejo Arthur aparecer com minha chefe e outros dois chefes. Pela maneira como ele me olha, entendo que se incomoda de me ver com meu colega. Mas não me levanto. Miguel é meu amigo, e Arthur precisa aceitar isso.
Quando voltamos às nossas salas, sinto que ele me observa da sua. Cada vez que meu olhar cruza com o dele, meu corpo arde.
Sei o que ele pensa...
Sei o que ele quer...
Sei o que ele deseja...
Mas nós dois devemos manter a compostura e esperar a noite, quando então poderemos curtir nosso momento de intimidade.
Ao meio-dia, Arthur sai de sua sala. Sua cara é indescritível. O que será que houve com ele? Eu o sigo com o olhar, dissimuladamente, enquanto ele caminha pelo andar e de repente vejo que vai direto falar com uma jovem loura perto dos elevadores. Dão dois beijinhos na bochecha e ela lhe acaricia o rosto. Será que é Betta?
Por alguns minutos conversam e depois vão embora. Uma hora depois, Arthur volta ainda com a mesma expressão e eu gostaria que ele me chamasse. Espero quinze minutos e, como ele não me chama, decido entrar por conta própria. Arthur está falando ao telefone.
Quando me vê entrar, despede-se do seu interlocutor antes de desligar.
— Agora não posso, mãe. Te ligo daqui a pouco.
Assim que desliga, olha para mim.
— Deseja algo, senhorita Blanco?
— Nem minha chefe nem Miguel estão por aqui — explico. — O que aconteceu?
— Nada. Por que teria que ter acontecido alguma coisa?
— Arthur... te vi sair com uma jovem loura e...
— E o quê?
Sua voz é de aborrecimento.
Esse tom irritado que ele usa me deixa chateada, então, sem dizer mais nada, dou meia-volta e saio da sala. Antes de chegar à minha
mesa, meu telefone interno toca e é Arthur me pedindo para voltar. Volto e fecho a porta.


11 comentários:

  1. Tadinho do Thur, sabendo que num futuro ele pode ficar cego, :( trsite demais... posta mais hoje por favor!

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  2. Tadinho do Thur, Ninguem Consegue Seer Forte Com Essa Doença , Pfvr Continuaa Hj

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  3. Tadinhooo do Arthur.... Tomara q ele n fique cego!!! Vixeee briga no final só quero vê onde vai dar!! Postaaaaa maisssss!!!

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  4. Tadinho do Thur :( ,ele é até forte demais por ter uma doença dessas.Posta mais hoje por favor,vc parou de postar de tarde :(

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  5. Tadinho do Thur :( ,ele é até forte demais por ter uma doença dessas.Posta mais hoje por favor,vc parou de postar de tarde :(

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  6. Por favor posta mais hj

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  7. Caramba :( a coisa é bem seria.
    Owm Lua ama tanto esse babaca que suporta tudo por ele inclusive esse problema ♡♥♡
    adoreeii

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