"É estranho. Mas é do nosso jeito" - 44º capítulo

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P.O.V.'s Lua Blanco


   Depois do banho, era a minha hora preferida: jantar. Acho que o jantar é aquela refeição essencial em que partilhamos a mesa com aqueles que nos são mais chegados. Bom, os mais chegados seriam o meu pai e a minha mãe, normalmente. Mas como de normal a minha família tem pouco, as pessoas mais importantes para mim são os meus melhores amigos, o meu namorado e, claro, a minha mãe. Partilhar a mesa com eles é a melhor coisa.
   A minha mãe decidiu pedir à Maria para fazer algo do nosso agrado e nada melhor que lasanha. Fazia tempo que não comíamos lasanha. Lasanha de carne é a melhor. Arthur estava à minha frente, tentando evitar cruzar o olhar comigo, pois ele sabia que a ideia de dormirmos juntos ainda não tinha saído da minha cabeça. Ele estava receoso, mas se nós fizéssemos tudo com cuidado, então tudo ia dar certo.

- Mais nove meses e a escola acaba. Relaxem. Depois têm de pensar nos exames e no que realmente querem seguir.
- Verdade. Eu ainda não faço a mínima
- Bom, eu já tenho tudo encaminhado… eu acho. – comentou Arthur
- O que seguirá?
- Direito
- Não! – me opus – Isso é o que o teu pai quer que você siga. Não é o que você quer.
- É… - ele baixou o rosto – O meu pai tem algum poder em mim. E bom, até lá, é isso que eu realmente vou escolher. Porque, sinceramente, eu nem sei o que quero ser.
- Você tem jeito para tanta coisa. É bom nadador, desenha bem, anda de skate… além disso, é bom namorado. – segurei a mão dele por cima da mesa e mandei um beijo pelo ar
- Quanto romantismo. Quem diria que eu ia voltar a te ver assim de novo – dizia a minha mãe encantada, segurando o rosto com as duas mãos – Ainda bem que você faz a minha filha feliz. E olha, se você fizer mal a ela, eu te mato! – minha mãe avisou – O pai dela não está, mas eu estou! – minha mãe encarou Arthur, que sorriu sem graça.
- Relaxa. Ela não vai fazer nada
- Desde que sejam felizes
- Esses dois? Felizes? Bom, ou eles estão discutindo ou então estão se pegando forte. relaxe, eles se amam.
- A Lua e o Arthur são o casal mal estranho de sempre. – comentou Bela, após limpar os lábios com o guardanapo – Ora estão bem, ora estão mal. Ora querem, ora não querem. E bom, o Arthur é teimoso e a Lua é orgulhosa. 
- Mas a gente se ama e é isso que interessa! – esclareci perante todos – E vamos parar de falar da minha relação. Eu quero terminar de comer para ir dormir. Estou cansada.
- Ah, sim. Cansada. – a vadia da Bela tinha que entender a minha urgência de despachar esse jantar. Vadia. Fez de propósito. Sorte a dela que a minha mãe não entendeu. 

   O jantar terminou. Dispensamos a sobremesa e dissemos que íamos subir. Eu e Bela viemos na frente. Daniel  e Arthur decidiram ficar na sala vendo tv. Por sorte, a minha mãe quis ir dormir mais cedo. E bom, como ela toma alguns calmantes, acho que a gente poderá andar na casa normalmente que ela não notará a diferença. 
   Ficamos no corredor esperando Arthur e Daniel, que decidiram demorar horas para subir. Na verdade, acho que eles estavam nos evitando. Estavam fazendo de propósito para não subirem cedo e a gente se cansar de esperar para depois ir dormir.

- Eu pisquei o olho para o Daniel. Era suposto ele subir assim que a tua mãe subisse. – cochichamos – Será que ela já dorme?
- Não sei. – olhei para o relógio – Acho que não.
- Ela toma mesmo calmantes?
- Em dias de stress sim. 
- E será que hoje foi uma desses dias?
- Não faço a mínima. – respondi. Comecei a roer as unhas. Estava desejosa que Arthur chegasse. 
- Eu já volto. – Bela me sorriu de um modo safado. Me assustei. Louca essa garota. Entrou no quarto dos garotos e saiu em menos de dois minutos. Vinha com algo atrás das costas, tentando esconder. Se sentou, no corredor, à minha frente e jogou algo para o meu colo.
- Uma camisinha sua louca? – peguei no pacotinho. Era cinza, com as letras da marca em azul. – De uva? Você acha mesmo que eu vou… meter isso na boca é? – falei com algum nojo.
- Caso a noite esquentar, que é o que eu acho mesmo que vai acontecer, vocês estão reparados e não correm riscos de serem pais mais cedo.
- Eu não sou transar – ri e joguei a camisinha contra Bela – Pega você e transa com o Daniel. Mas baixo, tá? Tem gente em casa. – fiquei com calores
- Você tá vermelha. Envergonhada. – ela riu mais – Cara, um dia tem de acontecer. – Bela jogou a camisinha de volta para mim.
- Mas não será hoje! – deixei claro
- Então por quê essa urgência de dormir com Arthur?
- Eu quero apenas dormir com ele… mais nada! – respirei fundo. – E cadê eles que nunca chegam?
- Eu é que sei? – ela me perguntou.

   Estava começando a ficar irritada mesmo. Pouco depois, Daniel e Arthur sobem. Daniel nem resistiu e pegou Bela pela mão e entraram no quarto. Arthur estava com um sorriso bem dengo, com mãos nos bolsos do roupão. Veio até mim, me deu um selinho e entramos depois no meu quarto de mãos dadas.
   Entramos e eu tranquei a porta. Não que vá acontecer alguma coisa, mas nunca se sabe. Mais vale prevenir, do que remediar.

- Teimosa, você. – ele riu. Tirou os chinelos, pegou nas cobertas, puxando-as para baixo e sentou na cama, se encostando no travesseiro – Eu pensei que você já tinha ido dormir.
- Estava fazendo de propósito, né? – o encarei – Fique sabendo que por momentos pensei em desistir. – eu ri – Mentira. Eu queria mesmo dormir com você. – sentei na cama e abri uma gaveta da mesinha de cabeceira, jogando logo a camisinha lá para dentro. 
- O que é isso? – Arthur se debruçou por cima de mim todo curioso – Camisinha? – ele pegou. – De uva? – ele estranhou – Como você tem isso aqui?
- Bela que me deu. – eu ri. Sentei na cama, puxei um pouco a coberta para cima e Arthur fez o mesmo, mas ficou um pouco especado para mim, ainda com a camisinha na mão. Ele deu uma risada e se levantou um pouco. Puxou o meu cabelo para trás da minha orelha e se sentou no meu colo, sem fazer muita pressão, colocando depois uma perna de cada lado. Começou a beijar as minhas bochechas, desceu os beijos para o pescoço onde os intensificou.

   Dessa vez me arrepiei muito. Mas, sinceramente? Eu não estava afim!
   De qualquer maneira, coloquei os meus braços de volta do pescoço dele e nos aproximamos. Ele mordeu os meus lábios de leve, bem devagar e eu comecei o beijo. Primeiro calmo. Depois mais esquentado. Adorava sentir o gosto da sua língua na minha. Minha barriga dava várias voltas ao sentir a língua dele invadir a minha boca. Arthur se mexeu um pouco em meu colo e pude perceber que ele começava a ficar animadinho. Queria dar um basta naquilo, mas não sabia exatamente como.
   Arthur apalpou a lateral do meu corpo todo, chegando ao meu peito e apertando também. Desceu novamente os beijos na mesma direção, puxando a minha camisola de alças para baixo, revelando o meu soutien. Dessa vez, apertou o meu peito com as duas mãos e foi ai que o afastei. A camisinha agora estava no meu colo.

- Arthur, eu não quero.
- Não? – ele pegou a camisinha – Sério mesmo? Então pra quê isso tudo?
- Eu disse que queria dormir
- Daí você me mostra uma camisinha – ele se exaltou um pouco
- Mas foi a Bela que me deu. Eu não lhe pedi nada.
- Por favor. – ele pediu, juntando as mãos – Pow, você me faz correr um risco desses e não faz nada para valer a pena?
- Nada para valer a pena? Vem cá, você quer dormir no chão, por acaso? Ou no corredor? – o encarei. Sacanagem. Arthur respirou fundo, fechando os olhos e abrindo-os de seguida.
- Deixa rolar. – ele segurou as minhas mãos – Eu vou ser o mais calmo possível. Será legal. Você vai gostar. A gente está mais que prontos para dar esse passo e tanto eu como você sabemos disso. Não vai machucar.
- Arthur, eu disse que não quero. – percebi pela sua reação que havia se cansado de desistir. Colocou a camisinha na gaveta, novamente, e se deitou ao meu lado. 
- Não entendo. Ora quer, ora não quer. – ele fazia gestos com as mãos, olhando para o teto.
- Terá de me respeitar.
- Eu respeito. Mas a paciência chega ao fim. – ele me encarou
- Grosso! – dei um tapa no seu braço – Eu aqui arriscando a minha própria vida, ao te trazer para o meu quarto sabendo que a minha mãe está no mesmo andar que a gente, e você aí cheio de manias.
- Manias? É apenas um desejo. Algo que eu quero tanto como você. Mas pronto, quando eu comecei a namorar com você, já deveria saber que sempre será assim. Eu terei de andar que nem um cachorrinho, implorando algo, para depois você ainda pensar se vai aceitar ou não. tudo bem. estou acostumado. Tem de ser mesmo tudo como você quer.
- Você está me desiludindo. – disse com franqueza. Depois disso, eu tinha vontade de chorar. 

   Arthur olhou para mim e pareceu querer me dizer algo. Abriu os lábios e fechou-os de seguida. Cruzou os braços, ainda deitado, e suspirou. Me virei para o outro lado, dando as costas para ele e apaguei a luz. Íamos ficar assim: chateados. 

- Desculpa. – ele me sussurrou, após uns 10 minutos mergulhados num silêncio enorme. – Eu apenas me entusiasmei. Você sabe que eu sou homem e nós, homens, não temos tanta coisa como vocês. Pra vocês, mulheres, a primeira vez tem de ser especial, única e tals. Mas pelo facto de ser só nós dois, acho que já faz a coisa ser única. Digo eu. É o que eu penso. – ele colocou o braço à volta do meu corpo e se deitou por trás de mim, formando conchinha – Desculpa. Esquece as bobagens que eu disse. Eu te amo. – Arthur colocou o rosto por cima do meu ombro, encostando-o à minha cabeça. Me apertou forte por uns momentos. – Não vai dizer nada?
- Não.
- Tudo bem. – ele suspirou e deu um beijo na minha testa. – Até amanhã, pequena. 

Amanhã tem mais :)
Se acalmem, que a vez deles irá chegar breve.

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