Tentação Sem Limites - Capitulo 1

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Tentação Sem limites - Capitulo 1

Arthur
    Há 13 anos...
Alguém bateu na porta e então ouvi o barulho de pés se arrastando. Já estava com uma dor no peito. Minha mãe havia ligado a caminho de casa para me contar o que fizera e dizer que precisava sair para beber com as amigas. Eu teria que cuidar da Gi. Minha mãe não conseguiria lidar com aquele estresse. Pelo menos foi o que disse quando me ligou.
- thur? - a voz da Gi saiu com um soluço. Ela havia chorado.
- Estou aqui, Gi - falei, levantando-me do pufe em que estava sentado num canto.
Esse era meu esconderijo. Naquela casa, era preciso ter um. Quando não se tinha, coisas ruins aconteciam.
Gi tinha o rosto molhado. Estava com o lábio inferior tremulo e me encarava com aqueles olhos tristes. Eu quase nunca os via felizes. Minha mãe só lhe dava atenção quando precisava arrumá-la e exibi-la. No resto do tempo, Gi era ignorada. Exceto por mim. Eu fazia o possível para que ela se sentisse querida.
- Eu não vi ele. Ele não estava lá - sussurrou ela, dando outro soluço.
Não precisei perguntar quem era ''ele''. Eu sabia. Minha mãe havia se cansado de ouvir Gi perguntar sobre o pai. Então decidiu levá-la para vê-lo. Eu gostaria que ela tivesse me contado. Queria ter ido junto. A expressão de mágoa no rosto da Gi me fez carrar os punhos. Se algum dia visse aquele homem, eu lhe daria um soco no nariz. Queria vê-lo sangrando.
- Venha aqui - chamei, estendendo a mão e puxando minha irmãzinha para um abraço.
Ela enroscou os braços na minha cintura e me apertou com força. Era difícil respirar em momentos assim. Eu detestava a vida que ela tinha. Eu pelo menos sabia que meu pai me queria. Ele passava algum tempo comigo.
- Ele tem outras filhas. Duas. E elas são... lindas. Tem cabelos de anjo. E a mãe deixa as duas brincarem na terra. Elas estavam usando tênis. Tênis sujos.
Gi estava com inveja de tênis sujos. Nossa mãe não permitia que ela fosse menos do que perfeita o tempo todo. Ela nunca tivera um par de tênis.
- Elas não podem ser mais bonitas do que você - garanti a ela. Eu realmente acreditava nisso.
Gi fungou e se afastou de mim. Empinou a cabeça, e aqueles grandes olhos me olharam.
- São, sim, eu vi. Vi fotos na parede com as duas meninas e um homem. Ele ama as duas... e não me ama.
Eu não poderia mentir para Gi. Ela tinha razão. Ele não a amava.
- Ele é um imbecil idiota. Você tem a mim, Gi. Você sempre vai ter a mim.

Lua
    Hoje...
Vinte e cinco quilômetros de distancia da cidade era longe o bastante. Ninguém jamais ia a uma farmácia tão longe de Sumit. A menos, é claro, que tivesse 19 anos e precisasse de algo que não quisesse que todo mundo soubesse que havia comprado. Em uma hora, toda a cidadezinha de Sumit, no Alabama, ficava sabendo de qualquer coisa que se comprasse na farmácia local. Ainda mais se fosse uma pessoa solteira comprando camisinhas... ou um teste de gravidez.
Pus o teste de gravidez em cima do balcão e não olhei para a atendente. Não consegui. O medo e a culpa nos meus olhos eram algo que eu não queria dividir com uma estranha qualquer. Eu ainda não havia contado nem ao Igor. Desde que obrigara Arthur a sair da minha vida três semanas antes, eu tinha voltado lentamente á rotina de passar o tempo todo com Igor, Era fácil. Ele não me pressionava para falar, mas quando eu queria falar, ele me ouvia.
- São 16 dólares e 15 centavos - disse a moça do outro lado do balcão.
Pude ouvir a preocupação na voz dela. Nada surpreendente. Aquela era a compra vergonhosa que todas as adolescentes temiam. Entreguei uma nota de 20 dólares sem levantar os olhos da sacolinha que ela havia posto na minha frente. Ela continha a única resposta de que eu precisava e que me apavorava. Ignorar o fato de que a minha menstruação estava duas semanas atrasada e fingir que nada estava acontecendo era mais fácil. Mas eu precisava saber.
- Aqui está o troco: 3,85 dólares - disse ela.
Estendi o braço e peguei o dinheiro da mão dela.
- Obrigada - murmurei, pegando a sacola.
- Espero que tudo fique bem - disse a moça num tom gentil.
Levantei o olhar e encontrei um par de olhos castanhos solidários. Ela era uma estranha que eu jamais veria novamente, mas, naquele momento, ajudou que outra pessoa soubesse. Eu não me senti tão sozinha.
- Eu também - respondi, antes de me virar e seguir em direção á porta, de volta ao sol quente de verão.
Tinha dado dois passos no estacionamento quando olhei para a porta do motorista da minha picape. Igor estava encostado nela com os braços cruzados no peito. O boné cinza que ele usava tinha uma letra A da Universidade do Alabama e estava puxado para baixo, escondendo os olhos dele.
Parei e o encarei. Não havia como mentir sobre aquilo. Ele sabia que eu não tinha ido ali para comprar camisinhas. Havia apenas uma alternativa. Mesmo sem conseguir ver a expressão nos olhos dele, eu soube... que ele sabia.
Engoli em seco o bolo na garganta que vinha me sufocando desde que eu entrara na picape naquela manhã e saíra da cidade. Agora não éramos apenas eu e a estranha atrás do balcão que sabíamos. Meu melhor amigo sabia também.
Obriguei-me a botar um pé na frente do outro. Ele faria perguntas e eu teria que responde-las.
Depois das últimas semanas, ele merecia uma explicação. Ele merecia a verdade. Mas como explicar aquilo?
Parei a apenas alguns metros diante dele. Agradeci o fato de o boné encobrir seu rosto. Seria mais fácil explicar se eu não conseguisse ver os pensamentos atravessando seus olhos.
Ficamos parados em silencio. Eu queria que ele falasse primeiro, mas depois do que pareceram ser vários minutos, percebi que ele queria que eu dissesse alguma coisa antes.
- Como você soube onde eu estava? - perguntei.
- Você está na casa da minha avó. Assim que saiu agindo de u jeito estranho, ela me ligou. Fiquei preocupado com você - respondeu ele.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Eu não choraria por aquilo. Já havia derramado todas as lágrimas que me permitiria. Segurando mais apertado a sacola com o teste de gravidez, endireitei os ombros.
- Você me seguiu - falei. Não foi uma pergunta.
- Claro que segui. - Ele balançou a cabeça e desviou o olhar de mim. - Você ia me contar, Lua?
Eu ia contar a ele? Não sabia. Não havia pensando nisso.
- Ainda não sei se há alguma coisa para contar - respondi sinceramente.
Igor balançou a cabeça e soltou uma risada abafada sem qualquer senso de humor.
- Não sabe, é? Você veio até aqui porque não tem certeza?
Ele estava com raiva. Ou estava magoado? Não tinha motivo para nem uma coisa, nem outra.
- Enquanto eu não fizer este teste, não terei certeza. Estou atrasada. Só isso. Não há por que lhe falar sobre isso. Não é problema seu.
Lentamente, Igor virou a cabeça na minha direção. Levantou a mão e empinou o boné para trás, removendo a sombra dos olhos. Havia descrença e dor em seus olhar. Eu não queria ver aquilo. Era quase pior do que reprovação. De certa forma, isso teria sido melhor.
- É mesmo? É assim que você se sente? Depois de tudo o que passamos, é assim que você se sente de verdade?
O que nós tivéramos era passado. Ele era o meu passado. Eu havia enfrentado muita coisa sem ele. Enquanto ele aproveitava os anos do ensino médio, eu me esforçava para manter a minha vida. O que exatamente ele achava que havia sofrido? Meu sangue começou a ferver de raiva e levantei os olhos para encará-lo.
- Sim, Igor. É assim que eu me sinto. Não sei o que exatamente você acha que nós passamos juntos.
Nós éramos melhores amigos, depois viramos um casal, então minha mãe ficou doente e, como você precisava que alguém chupasse seu pau, me traiu. Eu cuidei da minha mãe sozinha. Sem ninguém para me apoiar. Então ela morreu e eu me mudei. Meu coração e meu mundo foram destruídos, então eu voltei. Você ficou do meu lado. Eu não pedi isso, mas você ficou. Sou grata a você, mas isso não faz com que todo o resto desapareça. Não compensa o fato de você ter me abandonado procuro quando meu mundo está mais prestes a ser puxado de baixo dos meus pés. Você ainda não fez por merecer isso.
Eu estava respirando com dificuldade, e as lágrimas que eu não queria derramar rolavam pelo meu rosto. Droga, eu não queria chorar. Diminuí a distancia entre nós e usei toda a minha força para empurrá-lo para fora do caminho a fim de conseguir agarrar a maçaneta e abrir a porta do carro.
Eu precisava sair dali. Ir para longe dele.
- Saia - gritei, enquanto tentava abrir a porta com o peso dele ainda sobre ela.
Esperava que ele discuti-se comigo. Esperava qualquer coisa, menos que ele fizesse o que eu tinha pedido. Sentei atrás do volante e atirei a sacolinha de plástico em cima do banco ao meu lado antes de engatar a picape e dr ré da vaga do estacionamento. Pude ver Igor ainda parado ali. Ele não havia se mexido muito. Apenas o suficiente para que eu entrasse no veículo. Ele não estava olhando para mim, mas para o chão, como se nele estivessem todas as respostas. Eu não podia me preocupar com ele naquele momento. Precisava ir embora.
Talvez eu não devesse ter dito aquelas coisas a Igor. Talvez eu devesse ter mantido tudo aquilo onde eu havia deixado enterrado todas aqueles anos. Mas agora era tarde demais. Eles havia me provocado no momento errado. Eu não ia me sentir mal por isso.
Eu também não poderia voltar para a casa da avó dele. Ela estava de olho em mim. Igor provavelmente ligaria para ela e contaria tudo. Se não a verdade, algo bem próximo. Eu não tinha alternativa. Teria que fazer o teste de gravidez no banheiro de um posto de gasolina. Era possível que a minha situação ficasse pior?
                                                                                                      Continua.....
Muito obrigada pelos comentários.

13 comentários:

  1. Queria eles juntos ! Como assim gravida ? Vish! Posta mais ? Faz outra maratona ? Eu sei que estou pedindo demais ! =)
    Alice

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  2. Tadinha da Luinha sem o Thur pra cuidar dela e do seu filho ou filha.

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  3. Essa web parece com a historia de um livro que eu li. Tem o mesmo titulo e o mesmo comeco. Posta maissss

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  4. E ela nao fica gravida agora no livro

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  5. Se ela estiver mesmo grávida o Arthur tem que saber pelo menos... não faz que nem aquelas fics que ela esconde dele 😒
    Natália

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  6. Espero que ela conte pro Thur e que ele não duvide dela

    Hellen

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  7. Ahhh n queria lua gravida... Tadinha só sofre.. Amando posta maisss!!!

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  8. Porra sabia q ela ia ficar grávida , eu ñ quero q a lua fique com o Igor , quero q ela procure o Thur imediatamente q fiquem juntos nem q seja só pra cuidar do bebê, pq assim eu sei q ela vai ficar bem próxima dele e o perdoa. XXx adaline

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  9. Adoreiiii.Primeiro capitulo excelente Manu parabens seu trabalho ta ficando muito lindo adorei a primeira temporada e to amando a segunda mesmo estando no primeiro episodio.
    #AMANDO PARABENS
    By:Drielle

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  10. Arthur tem que aparecer! Eled tem que voltarem e ter uma briga sei lá, mas tem qur ficar juntos. Maaaaais!

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