Paixão Sem Limites - Capitulo 10 Parte 2

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Capitulo 10 Parte 2


 Eu tinha tantas perguntas rodopiando na cabeça que sabia que poderia atropelá-lo com a minha curiosidade.
- Que tal: por que raio você ainda é virgem aos 19 anos? - perguntou ele, olhando na minha direção.
Eu nunca tinha dito a ele que era virgem. Na outra noite, ele me chamara de inocente. Seria tão óbvio assim?
- Quem disse que eu sou virgem? - perguntei, com o tom mais irritado de que fui capaz. Arthur sorriu.
- Eu sei identificar uma virgem quando a beijo.
Eu não queria nem discutir sobre isso, pois só iria tornar mais óbvio ainda o fato de que era mesmo virgem.
- Eu já me apaixonei. O nome dele é Igor. Ele foi o meu primeiro namorado, primeiro beijo, primeiro amasso, por mais recatado que tenha sido. Dizia que me amava e afirmava que eu era a mulher da su vida. Mas a minha mãe adoeceu. Passei a não ter mais tempo para sair e me dedicar a Igor nos fins de semana. Ele precisava se libertar. Precisava de liberdade para conseguir esse tipo de relacionamento com outra pessoa. Então eu o deixei ir embora. Depois dele, não tive tempo para sair com mais ninguém.
- Ele não ficou do seu lado quando a sua mãe adoeceu?
Aquela conversa não me agradava. Se alguma outra pessoa apontasse o dedo para o que eu já sabia, ficaria difícil não sentir raiva de Igor. Eu tinha perdoado muito tempo antes. Havia aceitado. Não precisava me sentir amargurada com ele a essa altura do campeonato. De que iria adiantar?
- A gente era jovem. Ele não me amava, só achou que amasse. Simples assim.
Arthur suspirou.
- Você ainda é jovem.
Não tive certeza se gostei do tom de voz dele ao dizer isso.
- Tenho 19 anos, Arthur. Cuidei da minha mãe por três anos e a enterrei sem ajuda nenhuma do meu pai. Pode acreditar, na maior parte dos dias eu me sinto com 40.
Arthur estendeu a mão por cima da cama e cobriu a minha.
- Não deveria ter passado por tudo isso sozinha.
Não, não deveria, mas não tive alternativa. Eu amava a minha mãe. Ela merecia muito mais do que recebeu. A única coisa que aliviava a dor era lembrar que mamãe e Estrela agora estavam juntas. Elas tinham uma á outra. Eu não queria mais falar sobre a minha história. Queria saber algo sobre Arthur.
- Você tem um emprego? - perguntei.
Arthur deu uma risadinha e apertou a minha mão, mas não soltou.
- Você acha que todo mundo tem que arrumar um emprego quando sai da faculdade?
Dei de ombros. Sempre achara que as pessoas trabalhassem com alguma coisa. Ele devia ter algum objetivo na vida, mesmo que não precisasse do dinheiro.
- Quando me formei na faculdade, tinha dinheiro suficiente no banco para passar o resto da vida sem trabalhar, graças ao meu pai. - Ele me olhou com aqueles olhos sensuais encimados por grossos cílios pretos. - Depois de algumas semanas sem fazer nada a não ser festas, percebi que precisava de uma vida. Então comecei a brincar no mercado financeiro. Acabei descobrindo que tenho muito talento para a coisa. Sempre fui bom com números. Também dou apoio financeiro ao programa Habitat para a Humanidade. Durante uns dois meses por ano. meto a mão na massa e vou trabalhar in loco. No verão, me afasto de tudo o que posso e venho para cá relaxar.
Eu não imaginava isso.
- A surpresa na sua expressão é um pouco ofensiva - disse ele com um traço de provocação na voz.
- É que eu não esperava essa resposta - respondi, sincera.
Ele deu de ombros e tornou a pousar a mão do seu lado da cama. Quis estender a minha e pegá-la, mas não o fiz. Ele não queria mais me tocar.
- Quantos anos você tem? - perguntei.
Arthur sorriu.
- Sou velho demais para estar neste quarto com você e, com certeza, velho demais para o jeito como penso em você.
Ele devia ter 20 e poucos anos. Com certeza. Não parecia mais velho do que isso.
- Lembre-se de que eu tenho 19 anos. Vou fazer 20 daqui a seis meses. Não sou um bebe.
- Não, doce Lua, você com certeza não é nenhum bebe. Eu tenho 24 anos e estou cansado. Não tive uma vida normal e, por causa disso, tenho algumas questões bem bizarras. já lhe disse que tem coisas que você não sabe. Não posso me permitir tocar em você. Seria errado.
Ele tinha só cinco anos a mais do que eu. Não era tão ruim assim. Doava dinheiro para a Habitat para a Humanidade e fazia até trabalho in loco! Como podia ser um cara tão ruim? Ele tinha bom coração. Tinha me deixado morar ali quando tudo o que queria era me mandar embora.
- Acho que você está se subestimando. Eu vejo algo de especial em você.
Arthur contraiu os lábios com força, então balançou a cabeça.
- Você não es´ta vendo quem sou de verdade. Não sabe tudo que eu fiz.
- Pode ser - respondi, inclinando-me para a frente. - Mas o pouco que eu vi não é de todo mau.
Estou começando a pensar que talvez você tenha outra camada.
Arthur ergueu os olhos e me encarou. Minha vontade era me enroscar naquele colo e passar horas só fitando aqueles olhos. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, depois fechou... mas não antes de eu ver algo prateado lá dentro.
Fiquei de joelhos na cama e cheguei mais perto dele.
- O que é isso na sua boca? - perguntei, olhando para o seus lábios e esperando que ele tornasse a abri-los.
Ele abriu a boca e esticou a língua para fora devagar. Havia um piercing de prata na ponta.
- Dói? - perguntei, estudando a sua Língua de perto. Nunca tinha visto ninguém com piercing na língua.
Ele tornou a por a língua para dentro e sorriu.
- Não.
Eu me lembrei das tatuagens nas suas costas da noite em que ele estava transando com aquela garota.
- Que tatuagens são essas nas suas costas?
- Uma águia de asas abertas na base das costas e o símbolo do Slacker Demon. Quando eu tinha 17 anos, Meu pai me levou para assistir a uma show em los Angeles e depois fiz a minha primeira tatuagem. Queria a marca dele gravada no meu corpo. Todos os integrantes do Slacker Demon tem a mesma tatuagem no mesmo lugar. Logo atrás do ombro esquerdo. Papai estava doidaço nessa noite, mas mesmo assim é uma ótima lembrança. Não tive muita oportunidade de conviver com ele quando era pequeno. Mas sempre que o via ele acrescentava mais uma tatuagem ou mais um piercing ao meu corpo.
Ele tinha outros piercings? Estudei o seu rosto e baixei os olhos para o seu peito, Uma risadinha discreta me espantou, e percebi que ele tinha me visto olhar.
- Nenhum piercing aí, Lua. Os outros são nas orelhas. Eu dei um tempo nos piercing e nas tatuagens quando fiz 19.
O pai dele era coberto de tatuagens e piercing como todos os outros integrantes do Slacker Demon. Será que aquilo era algo que Arthur não quisera fazer? Será que seu pai o havia forçado?
- O que foi que eu disse para deixar você com a testa franzida? - perguntou ele, pondo um dedo sob o meu queixo e movendo a minha cabeça até eu encará-lo.
Eu não queria responder a verdade. Estava gostando daquele nosso tempo juntos. Sabia que, se fosse fundo demais e depressa demais, ele sairia correndo.
- Quando você me beijo ontem á noite, eu não senti esse negocinho de prata.
Arthur baixou as pálpebras e inclinou o corpo para a frente.
- É que eu não estava usando.
Mas agora estava.
- E quando você, hã, beija alguém, dá para sentir?
Arthur sorveu uma inspiração rápida e aproximou a sua boca da minha ainda mais.
- Lua, me diga para ir embora. Por favor.
Se ele estava a ponto de me beijar, eu não iria lhe dizer nada desse tipo. Queria que ele ficasse ali. Também queria beijá-lo com aquele negócio na boca.
- Você teria sentido. Em todos os lugares que eu quisesse beijá-la, você sentiria. E adoraria - sussurrou ele no meu ouvido antes de me beijar no ombro e inspirar fundo. Será que ele estava me cheirando?
- Você... você vai me beijar outra vez? - perguntei quase sem ar, enquanto ele afundava o nariz no meu pescoço e inspirava.
- Eu quero. Quero muito,mas estou tentando ser legal - murmurou ele contra a minha pele.
- Daria para não ser legal só por um beijo? Por favor? - pedi, chegando mais perto. Faltava pouco para subir no seu colo.
- Lua, como você é doce - disse ele e os seus lábios tocaram a curva do meu pescoço e ombro. Se ele continuasse com aquilo, eu iria começar a implorar.
Ele pós a língua para fora e deu uma lambida rápida na pele macia do meu pescoço, depois seguiu beijando a linha do meu maxilar até ficar coma boca bem por cima da minha. Comecei-a pedir outar vez, mas ele me deu um selinho de leve e me impediu. Então recuou, mas só uns poucos centímetros. Ainda podia sentir nos lábios o seu hálito quente.
- Lua, eu não sou um cara romântico. Não beijo e fico abraçadinho. Para mim, tudo que importa é o sexo. Você merece alguém que beije e fique abraçadinho. Não eu. Eu só trepo, gata. Você não foi feita para alguém como eu. Eu nunca neguei a mim mesmo nada que quisesse, mas você é doce demais. Desta vez tenho que dizer não a mim mesmo.
Á medida que ia registrando o que ele dizia, comecei a gemer de tão eróticas que soavam aquelas palavras que se derramavam da sua língua. Foi só quando ele se levantou e segurou a maçaneta que entendi que ele iria me deixar ali. De novo. Iria me deixar ali daquele jeito.
- Não posso mais conversar. Hoje não. Não sozinho aqui com você.
A tristeza na voz dele deixou a meu coração um pouco apertado. Então ele saiu e fechou a porta. Recostei-me na cabeceira e grunhi de tanta frustração. Por que o deixara entrar ali no quarto? Aquele joguinho de quente e frio que ele estava fazendo era demais para mim. Perguntei-me para onde ele iria agora. Havia muitas mulheres lá fora que ele poderia beijar. Mulheres que ele não via problema em beijar caso lhe suplicassem.
Os passos de pessoas subindo a escada soavam acima da minha cabeça. Eu não iria dormir tão cedo. Não queria ficar ali e Fernando estava me esperando. Não havia motivo nenhum para lhe dar um bolo. Eu não estava com disposição para conversar com ele, mas poderia pelo menos lhe dizer que tinha mudado de ideia.
Saí para a cozinha. Guga estava de costas para mim e imprensava uma menina contra a bancada. Saí discretamente pela porta dos fundos, torcendo para não dar de cara com mais uma sessão de amasso.
- Achei que você não fosse aparecer - disse Fernando; sua voz vindo da escuridão.
Eu me virei e o vi apoiado no guarda-corpo, olhando para mim. Senti-me culpada por não ter ido logo lá e avisado que não viria encontrá-lo. Não conseguia tomar nenhuma decisão sensata quando Arthur estava envolvido.
- Desculpe. Surgiu um imprevisto.
Estava sem vontade explicar.
- Vi Arthur sair do cubículo em que deixa você dormir, lá atrás - retrucou ele.
Mordi o lábio. Tinha sido desmascarada. Melhor admitir logo.
- Ele não ficou muito. Foi uma visita amigável ou estava expulsando você?
É... tinha sido uma visita amigável. Nós conversamos, de fato. Até eu pedir para ele me beijar, fora divertido. Eu gostei de sua companhia.
- Foi só uma conversa entre amigos - expliquei.
Fernando soltou uma gargalhada sem humor e balançou a cabeça.
- Por que será que eu não acredito?
Porque ele era esperto. Dei de ombros.
- Nosso passeio na praia ainda está de pé?
Fiz que não.
- Não, estou cansada. Vim respirar um pouco de ar fresco e estava torcendo para encontrar você e poder explicar.
Ele me deu um sorriso desapontado e se afastou do guarda-corpo.
- Bom, tudo bem. Não vou implorar.
- Não imaginava que fosse - respondi.
Ele tornou a andar em direção ás portas. Esperei ele entrar na casa antes de soltar um suspiro de alívio. Não tinha sido tão ruim. Talvez agora ele me desse um pouco de espaço. Até eu entender o que fazer com aquela atração que sentia por Arthur, não precisava de ninguém para me confundir mais ainda.
Esperei alguns minutos, então me virei e entrei na casa atrás de Fernando. Guga não estava mais no balcão com a garota. Aparentemente, os dois tinham se recolhido a um lugar mais reservado. Comecei a andar em direção á porta da despensa quando Arthur saiu da cozinha seguido por uma morena aos risos. Pendurada no braço dele, ela estava fingindo que não conseguia andar direito. Das duas uma: ou tinha bebido ou então era por causa dos 15 centímetros de saltos.
- Mas você falou - disse ela com a voz arrastada, beijando o braço que segurava.
É: ela estava bêbada.
Arthur olhou para mim. Ele a beijaria nessa noite. Ela nem sequer teria que implorar. E também estaria com gosto de cerveja. Será que ele ficava excitado com isso?
- Eu tiro a calcinha aqui embaixo, se você quiser - disse ela, sem nem ao menos reparar que os dois não estavam sozinhos.
- Babi, já falei que não. Não estou interessado- respondeu ele, sem tirar os olhos de mim.
Estava dispensando a menina. E queria que eu soubesse.
- Vai ser bem safado - disse ela em voz alta antes de explodir em mais um acesso de riso.
- Não, vai ser chato. Você está bêbada e a sua voz esganiçada está me deixando com dor de cabeça - retrucou ele.
Continuava com os olhos pregados nos meus.
Olhei para baixo e comecei a andar em direção é porta da despensa quando Babi finalmente notou a minha presença.
- Ei, aquela menina vai roubar a sua comida - sussurrou ela bem alto.
Meu rosto corou. Que droga. Por que é que esse comentário me deixava envergonhada? Eu estava sendo idiota. A menina estava caído de bêbada. Que importância tinha o que ela achava?
- Ela mora aqui, pode comer o que quiser - retrucou Arthur.
Tornei a erguer o rosto e ele ainda estava me encarando.
- Ela mora aqui? - repetiu a menina.
Arthur não respondeu. Franzi o cenho para ela e pensei que a única testemunha que Tínhamos não se lembraria daquela conversa no dia seguinte.
- Não deixe ele mentir para você. Eu sou a hóspede indesejada que mora debaixo da escada. Já quis algumas coisas, mas ele só me diz não.
Não esperei a resposta dele. Abri a porta e entrei na despensa. Um ponto para mim.
                                                                                                                                Continua...
Vitória Suelly. O que vc achou do final do livro???
Anônimo. A lua só vai ficar com o arthur.



''- Você não esta vendo quem sou de verdade. Não sabe tudo que eu fiz.'' O QUE SERÁ QUE ELE FEZ???

7 comentários:

  1. mdssss pensei que vc n ia postar hj tavo quase chorando aqui /mary

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  2. quero saber qual e esse segredo do Arthur, vai demorar pra descobri??

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  3. Sera que o pai dele fez msm isso ? Thur seu lindo *-*

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Eu só li os dois primeiros livros, Já que o ultimo ainda não foi lançado no Brasil. Ou você conseguiu ler o ultimo em algum lugar? se sim, me avisa...
    Agora o que achei até agora, os achei maravilhosos, é só o que posso dizer, rss

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  6. Curiosa pra saber esse tal segredo do Arthur! :/

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  7. FAZ MARATONA PLSSSSSS

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